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LEPRA: Namuno inspira preocupação

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O distrito de Namuno acolheu as cerimónias centrais do Dia Mundial de Luta contra a Lepra, celebrado normalmente no último domingo do mês de Janeiro, porque, conforme justificou o ministro da Saúde, Alexandre Manguele, apesar de o país constar na lista dos países que eliminaram aquela doença como problema de saúde pública desde 2008, a província de Cabo Delgado, em particular, continua a inspirar alguma preocupação, principalmente por causa do peso que Namuno tem no conjunto dos casos provinciais notificados.

 

 

 

 

 

A passagem do nosso país ao grupo de países que eliminaram a lepra como problema de saúde pública, o que significa 1.4 doentes por 10.000 habitantes, é resultado, segundo o titular da pasta da Saúde, do trabalho realizado durante os últimos tempos.

“E falando rigorosamente de Moçambique, em cada 10 mil habitantes há menos de um doente, o que quer dizer que estamos muito melhor. Mas isso é quando falamos do país inteiro. Acontece que há lugares que inspiram preocupação, como a província de Cabo Delgado, particularmente o distrito de Namuno, onde há mais de um caso em cada 10.000 habitantes”, explicou o ministro de Saúde à população que esteve presente nas cerimónias realizadas na sede daquele distrito, a 260 quilómetros a sul de Pemba.

Na verdade, de acordo com dados colhidos pela nossa Reportagem, o distrito de Namuno com 179.408 habitantes tem neste momento 80 doentes em tratamento, havendo entre eles 14 crianças, o que quer dizer que a lepra está a alastrar-se, conforme convicção de Alexandre Manguele.

“E não há razão de a doença desafiar-nos e dominar-nos, porque em Moçambique temos medicamentos e de qualidade universal para tratar todos os casos, gratuitamente, contando com a parceria da Organização Mundial de Saúde e das igrejas. Por isso nós queremos voltar a Namuno para celebrar o fim da lepra, pelo menos como problema de saúde pública”, desafiou o ministro de saúde, que falava perante os representantes da OMS e da confederação das organizações de luta contra a lepra, conhecida pela sigla ILEP.

Na verdade, o quadro fornecido pelo administrador distrital de Namuno, Casimiro Calope, afigura-se de alguma forma sombrio, ao demonstrar que em 2010 a região notificou 96 casos, contra 26 do ano anterior e que há neste momento 80 doentes em tratamento, o que representa uma taxa de prevalência de 4/10.000 habitantes, numa província em que, de acordo com a secretária permanente do governo provincial, Lina Portugal, há 264 doentes em tratamento e 282 novos casos registados no ano passado.

A uma pergunta do “Noticias”, Alexandre Manguele disse que o facto de o número de doentes ter subido de 26 para 96 num ano, pode estar ligado a um trabalho consistente de vigilância que está a ser levado a cabo pelos agentes de saúde, activistas e grupos de auto-controlo, constituídos por pessoas curadas, mas que tudo fazem para que a doença não lhes volte a atacar.

Entretanto, os esforços visando levar todos os doentes a recorrer às unidades sanitárias e a fazer com que os já curados não voltem a ser atacados, podem ser vistos nos grupos de auto-controlo formados pela província fora, em número de 50, que contam com o apoio do governo, nas suas actividades de subsistência e geração de rendimento, 14 dos quais são considerados exemplares.

O ministro de Saúde, Alexandre Manguele, chamou a atenção para o facto de  tudo ser feito para que apesar dos passos que estão a ser dados, se evite que em determinada altura possamos ser surpreendidos com as sequelas da doença que podem vir sob forma de deformições, pelo que a vigilância deve ser permanente.

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