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MANICA - Garimpeiros ilegais fora de acção

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UMA operação conjunta envolvendo a Polícia de Guarda-Fronteira e os fiscais da Reserva Transfronteiriça de Chimanimani, no distrito de Sussundenga, em Manica, culminou há dias com a neutralização de 110 garimpeiros ilegais, na sua maioria estrangeiros de origem zimbabueana que operavam naquele parque, explorando de forma desordenada, os minérios preciosos que ali abundam, com maior incidência ao ouro. A neutralização dos referidos garimpeiros integra-se nas acções visando disciplinar a actividade mineralógica naquela zona de conservação da biodiversidade que tem sido palco de intervenções ilegais de exploração e contrabando de minérios, facto que contraria os objectivos que nortearam a definição de Chimanimani como zona de conservação e destinada ao turismo.

A administradora distrital de Sussundenga, Mariazinha Niquice disse que para além da devastação dos recursos minerais, os garimpeiros em Chimanimani contribuem enormemente para a poluição das águas dos rios Lucite e Mussapa, cujos níveis de turvação são considerados altos, ameaçando a sobrevivência das espécies aquáticas que ali crescem.

Os garimpeiros, em Chimanimani, têm atacado os fiscais afectos àquela reserva. Há dias, três fiscais da reserva transfronteiriça de Chimanimani contraíram ferimentos graves quando, em duas ocasiões diferentes, entraram em emboscadas de garimpeiros ilegais que operam naquela região do distrito de Sussundenga, província de Manica.

Em Maio de 2009, um dos fiscais foi violentamente agredido com catanas e picaretas, tendo contraído ferimentos graves na zona craniana. Por instruções médicas, o referido fiscal está impedido de continuar a trabalhar e não pode estar exposto a ambientes agitados que podem agravar o seu estado de saúde.

O segundo fiscal que caiu na emboscada dos garimpeiros ficou sem o seu membro superior esquerdo que foi decepado à catanada pelos operadores ilegais de ouro. No ataque, os garimpeiros usaram também picaretas que atingiram um terceiro fiscal que contraiu ferimentos graves no joelho.

O director provincial do Turismo de Manica, António Dinis afirmou há dias que maior parte dos garimpeiros que actuam em Chimanimani (60 porcento) são provenientes da vizinha República do Zimbabwe, que partilha com Moçambique aquela área de conservação transfronteiriça.

Dinis reconheceu as fragilidades que Moçambique tem de garantir uma efectiva fiscalização da reserva do lado nacional, contrariamente ao que acontece do lado zimbabweano, facto que é aproveitado pelos garimpeiros daquele país para se apoderarem dos recursos minerais que abundam em Chimanimani.

A fonte disse que na sequência desta situação, os fiscais de Chimanimani foram submetidos a treinos de reciclagem que duraram 45 dias, como forma de criar resistência naqueles elementos, perante os ataques dos garimpeiros.

Como forma de desencorajar a actividade de fiscalização, os garimpeiros em Chimanimani montam emboscadas e, usando instrumentos contundentes, atacam quase sempre os fiscais. As duas ocasiões em referência foram as mais graves, registadas na história da reserva.

Para além de Chimanimani, o garimpo, em Sussundenga, é praticado nas regiões de Bambire, Munhinga e Tsetsera, onde estão implantadas duas associações com 300 membros destinadas à exploração de ouro que tem sido vendido ao Fundo de Fomento Mineiro.

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