Escrito por O pais Quarta, 26 Janeiro 2011 06:48
No país
A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve, semana passada, 316 imigrantes ilegais em várias regiões do país.
Segundo um comunicado de imprensa do Comando-geral da PRM, recebido ontem pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), do grupo constam 167 somalis, 66 paquistaneses, 44 etíopes, 33 bengalis, dois tanzanianos e um ruandês.
“Além desses, temos ainda a referir que, no mesmo período, foram detidos no Aeroporto Internacional de Maputo 64 imigrantes ilegais de nacionalidade bengali, desembarcados num voo da companhia aérea Ethiopian Airlines”, refere o comunicado de imprensa.
Este grupo de bengalis veio a ser repatriado para o seu país de origem pela mesma companhia aérea.
Segundo a AIM, o comunicado da PRM também faz referência ao repatriamento de 33 imigrantes não identificados. Os mesmos foram transportados, domingo, num voo da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), para Luanda, local de sua proveniência.
Nos últimos meses, Moçambique tornou-se um destino ou ponto de trânsito preferido por imigrantes ilegais, na sua maioria somalis e etíopes, que fogem das crises vividas nos seus países de origem. As províncias de Nampula e Cabo Delgado têm sido os principais pontos de entrada, sobretudo a partir das suas fronteiras marítimas. Dados das autoridades moçambicanas indicam que, nos últimos dias, mais de seis mil cidadãos somalis e etíopes fugiram do Centro de Refugiados de Maratane, em Nampula, onde se encontravam alojados. As autoridades dizem desconhecer o paradeiro dos mesmos, mas certamente que alguns são os que foram detidos nos diversos pontos do país, incluindo na cidade de Maputo, quando procuravam chegar à vizinha África do Sul, por via terrestre.
Aparentemente, está-se perante um negócio bastante lucrativo e que envolve redes de traficantes de pessoas, incluindo oficiais dos Serviços de Migração e da PRM.
Um dos exemplos mais evidentes é o facto de os 64 imigrantes detidos na semana passada no Aeroporto de Maputo terem apresentado passaportes com vistos moçambicanos falsos, que lhes poderão ter sido “facilitados” por pessoas ligadas aos Serviços de Migração.
Por outro lado, nem todos os cerca de 200 passageiros do voo da Ethiopian Airlines foram detidos, já que a maioria saiu do local e foi, mais tarde, encontrada no bairro do Aeroporto, hospedada numa casa arrendada por um imigrante paquistanês, também em situação ilegal.
Na prática, quase todos os passageiros da companhia aérea etíope estavam em situação ilegal, mas a sua maioria passou do aeroporto sem nenhum impedimento.
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