Escrito por Jornal Noticias Sexta, 21 Janeiro 2011 06:13

Pelo seu interesse, julgamos por bem publicá-la na íntegra:
PNN - Quais foram os momentos mais marcantes em 2010 para o Governo moçambicano?
Aires Ali - Ano 2010, foi o primeiro ano do segundo mandato do Presidente Armando Guebuza. Ele introduziu grandes mudanças como a constituição de um novo Governo incluindo a figura do Primeiro Ministro.
Uma das grandes realizações do Governo foi também a elaboração do programa quinquenal.
O Programa do Governo 2010-2014 é o resultado da experiência acumulada na implementação dos programas anteriores, centrando a acção governativa no combate à pobreza para a melhoria das condições de vida do povo moçambicano, no campo e na cidade, num ambiente de paz harmonia e tranquilidade.
O Estado moçambicano está direccionado para implementar programas de desenvolvimento do capital humano, de infra-estruturas económicas e sociais, institucional e da provisão de serviços básicos que criem um ambiente favorável e promotor da expansão, da iniciativa empreendedora, investimentos privados dos cidadãos e suas instituições.
Tivemos igualmente vários constrangimentos que obrigaram o Governo a desafiar e mostrar as suas capacidades.
A crise financeira que o mundo enfrenta afectou indirectamente a economia do país, mas no geral, o sistema financeiro moçambicano não foi afectado. O sector financeiro moçambicano conseguiu manter o bom nível de negócios, graças ao bom nível de cooperação que tem com países como a China, Brasil, Portugal e outros.
Na área de negócios fomos felizes ao conseguirmos subir quatro por cento, segundo um estudo efectuado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em 2010.
Moçambique registou igualmente melhorias na luta contra a corrupção tendo subido 15 lugares no Índice de Percepção da Corrupção 2010 da Transparência Internacional, numa avaliação junto de 178 países do mundo inteiro.
Assim, Moçambique subiu 15 lugares a escala global, ocupando actualmente a 116ª posição, com 2.7 pontos, contra a 131ª posição em 2009.
A nível do continente africano, Moçambique fixa-se entre os 20 Estados com menor incidência de corrupção, num total de 47 países avaliados na região da África Subsaariana.
A melhoria da classificação de Moçambique é interpretada como resultado directo das acções levadas a cabo pelo Governo, no âmbito da Reforma do Sector Público, em curso no país, entre as quais se destaca o fortalecimento dos sistemas de boa governação e combate à corrupção.
PNN - O que poderá se esperar do X Congresso da Frelimo a realizar se em 2012?
AA - Todos os congressos da Frelimo são importantes. No X que se realiza em 2012 iremos avaliar o desempenho do Governo durante o mandato passado e iremos igualmente perspectivar o futuro do partido e do país no geral.
O X Congresso terá lugar Setembro de 2012. A realização desta reunião magna no ano 2012 reside no facto de coincidir com as celebrações dos 50 anos da fundação da Frelimo. Será um momento de festa, pois não é qualquer partido que consegue completar 50 anos de existência ainda com muitas vitórias.
Pretende-se que seja um momento de reforço da unidade nacional, exaltação das realizações e elevação da consciência patriótica.
PNN - O presidente da República, Armando Guebuza vai recandidatar-se nas próximas eleições?
AA - O Presidente República já disse publicamente que não iria recandidatar-se ao cargo nas próximas eleições. Neste congresso será conhecido o seu sucessor.
PNN - Como justifica esta decisão?
AA - O respeito da Constituição da República. Você sabe que a Frelimo quando promete cumpre. Vamos cumprir com a nossa promessa.
PNN - Como avalia a cooperação com Portugal, China e Brasil?
AA - Apesar da crise financeira que assola o mundo, conseguimos manter um bom nível de cooperação em todas as áreas incluindo a financeira. Conseguimos igualmente manter a confiança com os nossos parceiros. Queremos manter uma boa relação intergovernamental e juntarmos os sectores privados dos países que cooperam com o nosso.
PNN - De que forma tenciona continuar a reforçar a cooperação bilateral com Portugal e em que áreas?
AA - Temos boas relações, desde a reversão da Barragem de Cahora Bassa para o Estado de Moçambique em 2007.
Na área empresarial temos muitos portugueses que continuam a investir no nosso país. A cooperação continua num bom ritmo e fica evidenciada pelo facto de, ao longo dos 2009 e 2010, respectivamente, o investimento Português em Moçambique cresceu significativamente. Com este crescimento, Portugal passou a ocupar a segunda posição numa lista de 45 países, encabeçada pela Noruega, e tem estado a investir nos vários sectores da economia moçambicana.
Nas trocas comerciais também há sinais claros de melhorias, dado que as exportações moçambicanas para Portugal aumentaram mais 27 por cento em 2009, tendo Moçambique amealhado 42,8 milhões de dólares.
Hoje podemos dizer que Moçambique e Portugal estão a dar passos largos para elevar a sua colaboração económica a um nível máximo. O que deixa o nosso Governo muito feliz são promessas ou acordos que Portugal faz com vista a dar continuidade a manutenção das boas relações de amizade e cooperação com o nosso país.
Temos cooperado com Portugal nas áreas financeira, militar, formação, infra-estruturas entre outras.
PNN - Perante o crescente interesse empresarial brasileiro no país, de que forma perspectiva o reforço da posição brasileira nos sectores económico-financeiros a curto prazo?
AA - Com o Brasil queremos continuar com boas relações, tratando-se de um país que está a registar um crescimento assinalável a nível internacional. Esperamos que os apoios do Brasil venham concretizar os nossos projectos em carteira. Continuaremos também a mobilizar mais empresários brasileiros para investirem em Moçambique.
Temos cooperado com Brasil nas áreas de educação, militar, económica financeira e também no combate a fome, infra-estruturas e reflorestamento. Pretendemos continuar a negociar nos projectos de extracção mineira principalmente na região do vale do rio Zambeze. Brasil já investiu milhões de dólares.
PNN - De que forma China poderá contribuir para o crescimento económico-social de Moçambique?
AA - China é um dos países com quem temos laços históricos de longa data. Sabemos que China está a conquistar grandes níveis de crescimento económico no mundo.
A cooperação económica e comercial entre a China e Moçambique está a conhecer uma nova fase, com o progresso substancial impulsionado pelo crescimento do volume das trocas bilaterais e um grande aumento do investimento da China no nosso país. Através das trocas comercias, investimento nas áreas de infra-estruturas Moçambique está e vai continuar a tirar maior proveito. Sabemos que China figura na lista dos maiores investidores em Moçambique.
O Governo moçambicano está a projectar o novo parque industrial, científico e tecnológico para atrair mais investimento estrangeiro. Este projecto poderá criar mais oportunidades de interacção entre a China e Moçambique na área de desenvolvimento de negócios e comércio.
Agricultura é uma área que já temos três fábricas de agro-processamento de investimento Chinês.
Enviamos há pouco tempo 100 estudantes para aquele país e acredito que voltarão com conhecimentos maduros para impulsionar o crescimento de Moçambique.
PNN - Em que áreas a China poderá revelar-se como aliado preferencial para investimento no país?
AA - Nas áreas de agricultura, infra-estrutura, económica, militar e outras.
PNN - Como o governo pretende resolver definitivamente a questão ligada a manutenção dos homens armados da Renamo em Sofala?
AA - Não existem homens da Renamo em Sofala. Eles são moçambicanos como outros que se encontram a residir naquele ponto do país. O Governo tem estado a efectuar acções de inserção social, como exemplos concretos, temos naquela zona escolas e hospitais construídos no âmbito do processo de integração social.
PNN - Como poderá solucionar o impasse diplomático entre Moçambique e Malawi? Moçambique poderá recuar face as exigências do Malawi?
AA - Não existe nenhum impasse entre os dois países. Eu estava no Malawi, no dia 24 de Dezembro, a convite do Presidente malawiano. Fui representar o Presidente da República. Continuamos a ter boas relações e uma interacção saudável nos diferentes fóruns internacionais.
O que aconteceu foi um pedido de estudo de viabilidade do impacto ambiental que o nosso país endereçou ao Malawi no âmbito do projecto da navegabilidade do rio Chire.
Nós pedimos que o Malawi fizesse esse estudo antes de começar a operação dos barcos naquele rio. Este processo está sendo analisado e vai ter resultados positivos.
PNN - Recuar face as exigências?
AA - Não podemos falar de exigências e muito menos de recuo, porque o Governo moçambicano deixou tudo claro. Apenas pedimos um estudo de viabilidade para analisar se a utilização daquela via é viável ou não, sobretudo quando reparamos para as questões ambientais.
PNN - Que comentários lhe merecem as revelações feitas pela WikiLeaks, onde grandes figuras do Estado moçambicano foram citadas?
AA - Não comento algo que não seja oficial. Eles publicaram uma série de informações não credíveis. Falaram de coisas que não tem fundamento. Este caso não merece comentário dum Primeiro Ministro. Deveria comentar se fosse uma nota enviada pelos Estados Unidos da America como Governo.
PNN - Existe alguma investigação em curso sobre a matéria?
AA - Não existe, e nada podemos fazer tratando se de informações sem fundamento. Talvez a própria WikiLeaks pode estar em altura de esclarecer melhor a matéria.
PNN - Consegue garantir que os combustíveis não serão aumentados em 2011?
AA - Não posso garantir. O que garanto é que o governo vai continuar a monitorar a situação da crise económica internacional para evitar que o país volte a viver situações do ano passado.
2011 é um ano importante para o nosso Governo. Temos o único meio de sobreviver, refiro-me da agricultura, pois temos que potenciar os nossos agricultores de modo a que comecem a produzir para consumo e comércio.
Temos que utilizar todos os recursos a nossa disposição para impulsionar o desenvolvimento do nosso país.
Convido a todos os moçambicanos para que comecem a lutar, trabalhando para resolver os problemas do próprio país.
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