Escrito por Jornal o Pais Quinta, 20 Janeiro 2011 07:09
O primeiro lote de 100 autocarros, de um total de 150 que o governo moçambicano prevê importar para aliviar a falta de transporte público urbano, é esperado entre Maio e Junho do corrente ano.
De acordo com a AIM, que cita Taibo Issufo, da Direcção Nacional de Transportes Terrestres e de Superfície, todos os 150 autocarros serão movidos a gás.
Issufo falava esta semana, em Maputo, durante o briefing semanal com a imprensa, sobre actividades desenvolvidas pelo sector de transportes e comunicações.
Para além destes autocarros que, segundo Issufo, são da marca Tata, o governo equaciona a possibilidade de importar outros 10 autocarros articulados, com capacidade de transportar 160 passageiros cada que, de princípio, deverão operar nas rotas mais movimentadas.
“Há uma preocupação de o governo reforçar os operadores dos transportes de passageiros. Estamos a pensar em adquirir algumas unidades de autocarros articulados, com capacidade para 160 passageiros cada, que deverão operar nos chamados grandes corredores”, disse Issufo.
Segundo este responsável, parte dos autocarros a serem importados beneficiará o sector privado.
Este anúncio acontece numa altura em que o sector de transporte público urbano está a braços com imensas dificuldades, multiplicando-se os casos de cidadãos que se vêem forçados a recorrer a camionetas de caixa aberta, para as deslocações diárias urbanas e inter-urbanas.
O problema, que já está a atingir proporções alarmantes nas cidades de Maputo e Matola, é agravado pelos congestionamentos que se registam, particularmente nas horas de ponta, nas principais vias de acesso nestas duas urbes.
A empresa de Transportes Públicos de Maputo (TPM) reconheceu que o panorama actual nesta área “é sombrio”.
Na ocasião, o porta-voz desta empresa, Boaventura Lipanga, disse a jornalistas que a medida recentemente tomada para reforçar a frota de autocarros, em três zonas, como forma de aliviar as enchentes nas paragens, não está a surtir os resultados desejados, devido ao congestionamento.
Recorde-se que, recentemente, a empresa TPM decidiu afectar 90 autocarros em três zonas de maior concentração populacional, no âmbito de um plano operativo concebido para aliviar a crise que afecta o sector de transporte de passageiros na cidade e província do Maputo.
“A expectativa não é satisfatória devido ao congestionamento. O tempo programado para os autocarros nestes percursos não chega a ser cumprido. Para além do congestionamento, temos problemas com as vias de acesso que, nesta época de chuvas, se apresentam esburacadas, o que resulta na danificação dos autocarros”, explicou Lipanga.
Sobre a sustentabilidade dos TPM, Lipanga reiterou que a mesma não é rentável, até porque o principal papel é prestar serviço eminentemente social.
“Se não fosse do Estado, esta empresa não existiria”, afirmou a fonte, para quem o preço de bilhete de passagem está aquém dos custos de operação, “mas pensar em aumentar é sobrecarregar os utentes na sua maioria de baixa renda”.
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