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MOLUMBO: Quando os “sete milhões” produzem comida e emprego

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Nem tudo vai mal no uso e aplicação do Fundo de Desenvolvimento Distrital. Molumbo, posto administrativo de Milange, na Zambézia é disso exemplo. O dinheiro está a ser usado para a geração da renda e produção de comida. Por essa via, a pobreza começa a capitular.

 

A olho nu assiste-se em Molumbo a uma melhoria da qualidade de vida da população: cresce a produção e produtividade agrícola; aumentam os postos de trabalho; nascem novas infra-estruturas tais como estabelecimentos comerciais, casas para habitação, estradas melhoradas e a população se orgulha de ver paulatinamente a sua vida a melhorar. Os que antes andavam de bicicleta hoje já andam de mota. Os que andavam de mota alguns a adquirem viaturas de todos os tipos. Tudo em resultado do bom uso e aplicação dos vulgo “Sete Milhões”.

 

Dados apurados pela nossa reportagem indicam que existem ao nível daquele posto administrativo cinco mil casas melhoradas, cinquenta e quatro viaturas, onze mil bicicletas e oito mil motorizadas. Maior parte dos proprietários destes meios são mutuários do Fundo de Desenvolvimento Distrital. Deitaram mãos ao trabalho investindo em projectos a que se propuseram realizar para, por esta via, melhorarem a qualidade das suas vidas e a vida da população.

Membros das associações agrícolas disseram a nossa reportagem que as culturas de rendimento como a soja, tabaco e girassol estão gerar muito dinheiro a favor dos produtores. A estas culturas juntam os cereais tais como o milho e feijões que tem vindo a atrair compradores de todo o pais. Muitos deles palmilham a região para a comercialização daqueles produtos.

António Maberson é um dos jovens que como muito sacrifício e trabalho está a conquistar a vida. Tem cinco hectares onde cultiva milho, feijões e tabaco. Com os rendimentos decorrentes da comercialização já construiu uma casa melhorada do tipo três e possui uma viatura que tem sido alugada por mulheres empreendedoras, através da qual transportam o milho e feijão de Milange para outros cantos do país, incluindo a cidade de Maputo.

Produtores entrevistados pelam nossa reportagem disseram que ainda hoje possuem muito milho e feijões da campanha passada. Uma parte desta produção está ser usada para pagar trabalhadores sazonais.

César Júlio é um dos produtores que está a usar as reservas da campanha passada para pagar as pessoas que estão a trabalhar nas suas machambas.

Lamentou no entanto o facto de apesar do distrito ter incrementado os níveis de produção não haver uniformidade dos preços praticados pelos comerciantes. Defende assim, a necessidade de os camponeses ou produtores se unirem em associações para poderem vender a sua produção a preços que compensem.

“As pessoas não tem a ideia de que é preciso vender bem para ganhar dinheiro. Quem se mete no negócio não o faz para perder. O que acontece agora é que cada um pratica os seus preços, prejudicando um ao outro”, disse o nosso entrevistado.

Os níveis de produção no distrito de Milange estão a crescer pelo facto de os produtores estarem a acatar o processo de transferência de técnicas agrícolas transmitida pelos extensionistas rurais. Em muitos campos por nós visitados observamos que há uma forte assimilação das tecnologias, porquanto nas machambas de milho, a distância entre uma e outra planta é igual, o que confere um rápido crescimento e desenvolvimento das culturas.

Na campanha agrícola 2010/2011, o distrito de Milange vai trabalhar uma área de 184.116 hectares para uma produção estimada em 460.536 toneladas de produtos diversos.

O administrador distrital de Milange, Alves Mathe, disse à nossa Reportagem que daquela área já foram cultivados 138.087 hectares e semeada 90.217. São neste momento noventa e dois mil camponeses que envolvidos na produção agrícola.

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