Escrito por Jornal Noticias Quinta, 13 Janeiro 2011 07:39
Políticos ontem ouvidos pela nossa Reportagem, em Maputo, a propósito das exéquias, que amanhã têm lugar em Matalane, sua terra natal, destacaram as qualidades humanas do artista, bem como a sua entrega à causa da independência nacional, construção da nação e o seu contributo à democratização do país.
O secretário-geral do partido Frelimo, Filipe Paúnde, afirmou, categoricamente, que o país está de luto e a organização política no poder perdeu um dos seus militantes de primeira hora.
Acrescentou que Malangatana Valente Nguenha dedicou-se à causa moçambicana. Através dos seus quadros transmitia ao mundo a causa dos moçambicanos. Por isso, foi detido pela PIDE, mas não vacilou. Manteve-se firme e convicto de tal forma que esteve envolvido nos preparativos da independência nacional.
“Com a proclamação da independência, ele destacou-se na mobilização e formação de jovens sobretudo na área da pintura. Malangatana não só era pintor mas também um poeta, músico e dançarino. Era uma pessoa dotada de todas as virtudes”, disse aquele dirigente do partido Frelimo, apelando para que os moçambicanos valorizem a vida e obra do malogrado mestre, sobretudo a camada jovem.
Afirmou que o partido Frelimo sempre conferiu a merecida dignidade aos seus militantes, pelo que Malangatana, sendo um dos seus quadros, também merecerá o devido tratamento.
Para o veterano e fundador da Frelimo, Marcelino dos Santos, um homem da dimensão de Malangatana Valente Nguenha não sucumbe, mas sim permanece para sempre. Segundo afirmou, Moçambique independente foi também fruto da contribuição do malogrado artista, que enfrentou o inimigo através da sua arte, tendo, por isso, lhe valido a prisão pela então polícia secreta portuguesa, a PIDE.
“Estamos abalados pela perda de Malangatana. Ele foi camarada, um amigo, um homem que projectou o povo, falou do povo para o mundo. Através da arte, penetrou nos corações de todos nós. Através da pintura exprimiu os nossos sentimentos. Nós vamos caminhar durante muitos anos com Malangatana”, disse.
critérios de atribuição de títulos honoríficos e definição do perfil de pessoas a serem homenageadas, em função do seu contributo à causa do país.
O deputado e antigo presidente do Conselho Municipal da Cidade do Maputo, Eneas Comiche, também destacou as qualidades e o talento do mestre Malangatana Valente Nguenha, afirmando que apesar da fama que conquistou com o seu trabalho a nível nacional e internacional, era uma pessoa humilde e sempre pronto a transmitir os seus conhecimentos aos outros.
Disse que o malogrado soube utilizar a arte à causa da libertação do país do jugo colonial português. A sua obra teve um grande impacto no contexto da gesta libertadora desde os primórdios da luta. Para Eneas Comiche, as novas gerações devem também primar pela humildade, tal como foi caracterizada a vida de Malangatana, e sobretudo devem saber tirar proveito do seu talento.
O primeiro-secretário do partido Frelimo na cidade do Maputo, Hermenegildo Infante qualificou o mestre Malangatana Valente Nguenha como um homem de dimensão imensurável. Segundo afirmou, em 1974, logo após o 25 de Abril, Malangatana realizou, em Maputo, um trabalho aberto de mobilização de jovens a aderirem à Frelimo.
Hermenegildo Infante também se lembra de Malangatana depois do 7 de Setembro de 1974, quando realizou um encontro com jovens no bairro da Urbanização, na capital do país, no qual falou da causa da independência nacional. Eram jovens provenientes de várias congregações religiosas.
Proclamada a independência nacional, segundo a fonte, Malangatana trabalhou na criação de grupos dinamizadores. Disse que o mestre esteve sempre ligado ao partido Frelimo, destacando ainda o seu envolvimento da criação da Organização Continuadores no seu bairro residencial.
Hermenegildo Infante disse que nos últimos tempos, Malangatana Valente Nguenha estava a trabalhar com o município na concepção da nova toponímia da cidade de Maputo..
“É uma perda irreparável. Mas ele deixa um importante legado para a juventude”, disse o primeiro-secretário do partido Frelimo na cidade do Maputo.
Para Fernando Mazanga, chefe da bancada da Renamo na Assembleia Municipal da Cidade do Maputo, Moçambique perdeu imenso com o desaparecimento físico de Malangatana Valente Nguenha.
“Nós todos temos que nos sentir órfãos do ícone da cultura e sobretudo das artes plásticas. Ele transcende a dimensão de um partido, porque valorizava a mocambicanidade através da arte. Malangatana é uma rima de contrastes. Sabia estar no frio e no calor. Conjugava o primado que a natureza nos dá que é poder estar num determinado estágio e não estar. Praticou o curandeirismo mas rezou a bíblia. Ele marcou uma determinada época, uma forma de estar, um estágio e o Estado. Acompanhou as gerações colonial, pós-independencia e da democracia e soube estar. Um homem como Malangatana não morre”, disse.
Para o secretário-geral do Movimento Democrático de Moçambique, o deputado Ismail Mussa, Malangatana Valente Nguenha é uma referência nacional e, por isso, merece todo o reconhecimento do Estado. Deu o seu contributo para o desenvolvimento da arte e cultura e projectou o país além-fronteiras.
“Nós partilhamos o mesmo sentimento dos vários segmentos da sociedade de que se deve atribuir um estatuto a esta figura”, disse, lembrando, aliás, que o estatuto de herói não só deve ser atribuído a alguém após a sua morte.
Segundo Ismail Mussa, urge a criação de uma comissão multidisciplinar que se dedique à elaboração de critérios de atribuição de títulos honoríficos e definição do perfil de pessoas a serem homenageadas, em função do seu contributo à causa do país.
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