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Crise mundial paralisou o país

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Prosseguindo com o inquérito que visa auscultar as marcas que o presente ano deixou nos cidadãos, o “Notícias” retornou ontem à rua. Os quatro inquiridos de hoje reiteram que a crise financeira mundial pode contribuir para a paralisação do crescimento do país, na medida em que muitas iniciativas que poderiam concorrer para o desenvolvimento da economia nacional ficaram por implementar.

Mariza da Conceição Murias, 26 anos de idade, estudante do curso de licenciatura em Sociologia na Universidade Eduardo Mondlane, começou por dizer que o presente ano foi de bastantes desafios para o país, que teve que enfrentar muitos problemas resultantes das crises internacionais e com repercussões nas políticas de desenvolvimento. Associado às crises, segundo afirmou, o ano foi manchado pelas acusações feitas a figuras internas que, de forma indirecta, podem ter resultados negativos para uma economia que ainda depende de ajudas externas. “Para mim o próximo ano continuará a ser de muitos desafios para os jovens, particularmente, que deverão insistir em apresentar projectos de geração de renda e para criação do auto-emprego”, referiu.

Augusta Lobo, residente no bairro Central, contabilista e cabeleireira de profissão, 63 anos de idade, considerou 2010 como sendo um ano bastante positivo, não obstante a ocorrência de alguns aspectos do âmbito económico que afectaram a vida individual dos moçambicanos. Lamentou a exoneração do Ministro da Saúde, Ivo Garrido, que no seu entender melhorou o Sistema Nacional de Saúde. “Tivemos melhorias nos nossos serviços de Saúde, particularmente nas áreas de Saúde Materno Infantil e Reprodutiva. Mas o dirigente máximo é responsável e sabe o que é melhor para os moçambicanos”, disse Augusta Lobo, para quem, no geral, 2011 deve ser para melhorar a comunicação entre os órgãos de governação e a população.

João Ubisse, vigilante na empresa privada de segurança SSP, 29 anos de idade e residente no bairro da Maxaquene “C”, mostrou-se entusiasmado pela forma como lhe correu o ano e de uma forma geral afirmou que o país apresenta vários sinais de desenvolvimento com a construção de várias infra-estruturas, nomeadamente o Estádio Nacional do Zimpeto, edifícios ministeriais e algumas estradas. Entretanto, Ubisse reclamou o facto de o país ter se ressentido dos efeitos da crise financeira internacional cujos reflexos concorreram para a eclosão das manifestações de 1 e 2 de Setembro. Para ele, o próximo ano deve ser de mais trabalho e abertura de oportunidades de formação à camada juvenil para conseguir mais emprego.

Michael Roup, comerciante, 59 anos e residente no bairro do Alto Mae, na capital do país, disse que “o ano foi razoável, e até pode se considerar mau por causa da crise económica internacional que inviabilizou a implementação de alguns projectos que poderiam melhorar a vida dos cidadãos”. Acrescentou que a crise também contribui para a redução da capacidade de compra da maioria da população. “Os problemas desportivos que eclodiram nos últimos dias também marcaram o ano e a crise de transporte está a piorar a cada dia que passa”, referiu Michael Roup.

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