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Fraude académica na cidade do Maputo: Nove mil repetem prova de Matemática

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UM total de 9174 estudantes da 12ª classe na cidade do Maputo repete hoje o exame de Matemática, após ter sido detectada uma fraude académica na prova da 2ª época. Os examinandos estão distribuídos em 321 júris e 18 centros de realização de exames, devendo a sua correcção ser efectuada num único centro, o da Escola Secundária Francisco Manyanga. A repetição do exame foi ordenada pelo Ministro da Educação, Zeferino Martins, após se constatar que centenas de alunos haviam conseguido 20 valores, o que logo levantou fortes suspeições.

Ontem, falando à Imprensa, Zeferino Martins esclareceu que decidiram pela anulação do exame quando deram conta de que alunos que nunca tinham passado dos dez valores ao longo do ano, no exame tinham conseguido 20. Com este dado estava lançando o aviso para o sector passar a investigação, tendo concluído que as respostas da prova foram enviadas aos estudantes na sua plenitude.

“Não nos restou mais nada se não anular o exame e mandar repeti-lo. Contudo e embora os dados ainda estejam a ser compilados, de uma forma geral, os resultados são preocupantes. Falo concretamente da 10ª e 12ª classes” – disse.

Apresentando alguns dados, o ministro apontou o caso da 10ª classe, no qual os números variam de 37,5 porcento na província do Maputo a 77 porcento em Nampula. Para o caso da 12ª classe, a percentagem varia de 22,5 porcento em Manica a 67 porcento em Nampula.

Melhorias foram registadas na 5ª classe, onde a percentagem varia de 72 porcento na cidade do Maputo a 87 porcento em Nampula. Já na 7ª classe, os dados indicam que a percentagem varia de 64 porcento no Niassa a 90 porcento em Nampula.

“Globalmente, a percentagem de aproveitamento deve andar nos 50 porcento, isto só na 12ª classe. É preocupante. Também é preciso olhá-los em função do que aconteceu no Ensino Secundário nos últimos dez anos, onde o seu crescimento oscilou em 12 e 20 porcento. Aliás, este é o nível que mais cresce no sector. O Ensino Secundário sempre funcionou com turmas numerosas, em escolas secundárias anexas a primárias onde os professores deste último nível acabam sendo chamados ao secundário, sem qualquer formação específica. De igual modo e de forma preocupante, há professores que não explicam devidamente a matéria ou nem sequer ditam. Tudo isto pode estar por detrás da fraca prestação dos alunos e reflectindo-se nos resultados obtidos. Tomamos nota e tudo está sendo feito para inverter a qualidade de ensino” – disse o ministro.

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