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MOMA: Crescimento entre desafios

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A Vila-sede do distrito de Moma, na província de Nampula, completou no passado dia 30 de Novembro, 45 anos da sua elevação àquela categoria, numa altura em que se fala de muitos avanços e também de desafios futuros. Nas celebrações da efeméride que arrastou milhares de pessoas idas de todos os pontos da província, os naturais, amigos e residentes daquela vila pediram as autoridades locais que se empenhem cada vez mais para que a crise de água seja solucionada a breve trecho.

No total, são mais de cem mil habitantes que enfrentam uma carência acentuada de água, com todos os transtornos e perigos daí resultantes.

A este respeito, pediu-se que a KENMARE, empresa concessionária na exploração de areias pesadas de Topuito, no posto administrativo de Larde, estendesse as suas acções de responsabilidade social para mais áreas do distrito.

Em resposta,  o administrador do distrito, Daniel Ramos, explicou que a energia eléctrica que actualmente é consumida na vila-sede distrital de Moma, resulta de investimentos feitos por aquela empresa mineira.

Detentora de potencialidades agro-pecuárias, onde se destaca a produção de mandioca, arroz, milho, castanha de caju, os habitantes de Moma têm igualmente na pesca uma actividade de subsistência. No passado, o distrito destacou-se também na produção de coco, criação de gado bovino e caprino, chegando a ombrear com o vizinho distrito de Pebane.

José dos Santos António é natural de Moma e reside actualmente no distrito de Nacarôa do outro extremo da província de Nampula e, como tem sido habitual, este ano não quis perder a oportunidade de se juntar com os seus para festejar a efeméride.

“Estou feliz porque Moma está a registar o aumento da rede sanitária, da educação e outras áreas. Mas o abastecimento de água a vila-sede constitui o grande desafio para o futuro e é nesse aspecto que queremos que o Governo invista mais”, desejou.

Sansão Mussane, apesar de não ser natural, reside na vila de Moma há sensivelmente dois anos e diz que o tempo em que vive nota alguma evolução e crescimento que se caracteriza na construção de casa melhoradas com material convencional, verifica também a edificação de novas infra-estruturas como o centro de saúde que já passou a nível de um hospital distrital.

“Mesmo o “modus vivendi” da própria comunidade local mudou bastante para o melhor, pois melhoraram o poder de compra o que dá para perceber que algo está mudar. O distrito tem alguns desafios que deve ter em conta como seja  a melhoria da principal via de acesso que liga Moma às cidades de Angoche e de Nampula”, anotou o nosso entrevistado.

Para Maria Mário, o grande problema da vila de Moma é o abastecimento de água potável para os seu habitantes que apesar de ter um novo sistema ele ainda não foi operacionalizado o que condiciona de certa maneira a entrada em funcionamento do já reabilitado e ampliado hospital distrital local.
Moma já ocupou lugar de destaque na produção de coco


MELHORA QUALIDADE DE VIDA

A entrada em funcionamento da energia eléctrica da rede nacional da HCB, veio, segundo os naturais e residentes, mudar para melhor, a qualidade de vida  dos “momenses”. Os produtos marinhos que eram, por força das circunstâncias postos a secagem, actualmente são congelados em câmaras frigoríficas ou congeladores.

A construção de um palácio da justiça que congrega no mesmo edifício tribunal, procuradoria, Polícia de Investigação Criminal, registo civil e notariado é dos grandes ganhos que os naturais e amigos de Moma se orgulham de ter na sua vila-sede distrital, acontecendo o mesmo com a ampliação e reabilitação do hospital que conta com dois  blocos operatórios, sala de reanimação e enfermarias diversas.

Contudo, os momenses pedem maior intervenção da empresa Kenmare, na área de reabilitação de estradas que dão acesso à vila-sede do distrital que completou a 30 de Novembro, 45 anos desde a sua elevação aquela categoria.

A este propósito, Ussene das Neves, que já foi administrador do distrito e agora está aposentado, disse ser desejo da população “que sejam encontrados parceiros económicos sérios para a reabertura do combinado pesqueiro  que em tempo constituiu a espinha dorsal da economia do distrito, que chegou a emprega milhares de trabalhadores, o mesmo acontecendo com a Boror e o projecto de fomento de caju de N’tapo”.

Nestas comemorações dos 45 anos de elevação a categoria de vila a sede distrital de Moma, a  ANADEMO (Associação dos Naturais e Amigos para o Desenvolvimento de Moma), veio a público defender ser necessário apostar na formação do capital humano para assegurar que Moma se desenvolva de forma sustentável.

“Para nós jovens, além da criação de factores de desenvolvimento tais como a construção de infra-estruturas sociais, deveriam haver programas centrados na formação do homem como sujeito beneficiário desse crescimento. Achamos que a educação deve desempenhar um papel importante, porque nenhuma população analfabeta pode deixar de ser pobre”, disseram os jovens da ANADEMO.


ESTAMOS A CRESCER – AFIRMA DANIEL RAMOS, ADMINISTRADOR DO DISTRITO

MUITAS realizações foram executadas ao longo dos últimos três anos a esta parte, não somente na vila-sede distrital de Moma, mas em todo a extensão territorial do distrito, tendo o administrador Daniel Ramos, apontado a construção de mercados formais em Mucoroje e na vila, a prospecção de ouro e Jagoma, exploração de pedras preciosas em Mavuco, para além da areias pesadas de Topuito, cuja exploração mudou radical e consideravelmente a vida das comunidades daquela localidade do posto administrativo de Larde.

“Temos também a fábrica de Namurra que labora no descasque da castanha de caju e a de descaroçamento de algodão em  Uala, bem assim como a conclusão da ponte sobre o rio Meluli. É também de destacar a  construção de raiz de uma empresa de processamento de pescado e marisco como exemplos de algum crescimento que registamos em curto espaço temporal”, indicou Daniel Ramos.

Para este dirigente, o uso da energia eléctrica da rede nacional impulsiona o crescimento económico e do empresariado local, mas existem desafios que os momenses devem ter em conta como sendo pessoais, como é o caso do processo de parcelamento de novos talhões na zona de expansão, por forma descongestionar a vila-sede.

Num outro desenvolvimento, o administrador disse que para a entrada em funcionamento do hospital distrital local reabilitado e ampliado e que está condicionado ao abastecimento de água, decorre um trabalho para abertura de um furo. Estão também a ser colocadas caleiras que não estavam contempladas no projecto inicial da obra, sendo que a ideia é aproveitar toda a água, principalmente neste época chuvosa.

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