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Dondo é um exemplo na gestão de fontes de água

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O Distrito do Dondo, em Sofala, lidera no país a melhor sustentabilidade das fontes de abastecimento de água potável na base do projecto “Iniciativa Um Milhão” financiado pelos Governos de Moçambique, Holanda e Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF). Trata-se da implementação de um dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio atribuídos pela Organização das Nações Unidas até 2015 aos Estados-membros deste organismo mundial para assistir maior número das comunidades rurais, numa iniciativa lançada na zona centro em 2007, e que pretende assegurar que até ao ano de 2013 se assegure uma maior cobertura em termos de água potável para a população. Porém, muitas dessas fontes reclamam por uma manutenção periódica para evitar eventuais avarias, embora muitos beneficiários ignorem tais medidas. Resultado: muitas fontes espalhadas pelo país estão avariadas e as pessoas continuam a percorrer longas distâncias para terem acesso à água.

Foi assim que a Direcção Provincial das Obras Públicas e Habitação de Sofala estabeleceu um protocolo com uma organização civil holandesa denominada SNV para o desenho duma plataforma de como melhorar a sustentabilidade das fontes de água para consumo. Com efeito, foi elaborado o caderno de manutenção para se saber quantas vezes os comités de gestão devem reunir mensalmente para se definir com exactidão medidas para manutenção preventiva, e os resultados são hoje bastante encorajadores sobretudo nos últimos dois anos, num projecto-piloto introduzido no distrito do Dondo.

Porque a iniciativa é válida, já se pensa na sua expansão para os restantes distritos da província de Sofala, que implementam a “Iniciativa Um Milhão”, como são os casos de   Dondo, Chemba, Marínguè, Nhamatanda, Gorongosa e Búzi, assim como para muitos outros.

De acordo com o director das Obras Públicas e Habitação em Sofala, Marcelo Amaro, a mesma experiência está sendo igualmente expandida para outros pontos das províncias de Manica e Tete em que a SNV tem igualmente o seu raio de actuação.

Em Sofala aconteceram até avarias de fontes de água por negligência dos seus utlizadores, e com este processo já há responsabilização de funções o que permite neste momento que haja uma sustentabilidade assegurada na área de abastecimento de água no distrito do Dondo. A experiência mostrou resultados muito bons e vai daí o encorajamento no seguimento da acção noutros distritos que é a introdução do caderno de manutenção.

Com este caderno, a comunidade começa assumir a necessidade de cuidar melhor das fontes de água e neste momento o distrito do Dondo é um dos distritos com menos avarias dos sistemas de abastecimento.


DONDO COLECTA MUITO DINHEIRO

UM total de 134 comités de gestão de água, que funcionam em igual número de fontes no distrito do Dondo, integradas no programa “Iniciativa Um Milhão”, colecta elevadas somas de dinheiro para a sustentabilidade destas infra-estruturas. Com a acumulação do dinheiro, segundo os mentores da iniciativa, agora o desafio vai para a aplicação deste montante cuja solução passa necessariamente pelo envolvimento dos contribuintes e autoridades governamentais e comunitárias.

O comité de gestão de água não é uma instituição juridicamente reconhecida e o simples facto de se depositar o dinheiro no banco não oferece toda a garantia de gestão transparente de fundos. A Unidade Técnica de Água e Saneamento (UTAS) é uma instituição baseada na autarquia do Dondo, pioneira na introdução do caderno de sustentabilidade das fontes de água e conta no terreno com 15 activistas para a sensibilização comunitária do projecto.

A ideia, no dizer do respectivo director, Fernando Mpoloque, surgiu como forma de controlar tais infra-estruturas, sensibilizando as comunidades a contribuir para a compra de peças sobressalentes. Sustentou que antes deste processo, não havia qualquer controlo do dinheiro da comunidade e o valor desaparecia sem justificação convicente.

Foi com base em tal constatação que surgiu a ideia de se introduzir o caderno de sustentabilidade, no âmbito da “Iniciativa Um Milhão”, que está a ser considerado como um autêntico sucesso nos distritos onde o mesmo está em uso.

Mesmo assim, a UTAS renova o seu apelo à comunidade para a gestão transparente de fundos e intensificação de limpeza nas bombas para permitir a sua maior sustentabilidade. Actualmente Dondo conta com apenas duas fontes avariadas que, entretanto, estão em processo de recuperação.

Num passado recente, acção semelhante também funcionou no Dondo, no âmbito do Programa de Abastecimento de Água Rural e Saneamento (PARS) financiado pela Cooperação Austríaca que viria a ser adequado à nova realidade, através de capacitação da SNV. Com 12 páginas, no caderno em referência consta o número de famílias que utilizam determinada fonte de água, a sua contribuição monetária mensal, os gastos efectuados pelo comité na compra de peças sobressalentes, visitas realizadas, entre outras modalidades de gestão transparente.

Introduzido no ano passado, o caderno foi depois reproduzido e replicado no país pelo UNICEF. O facto, segundo a nossa fonte, mostra claramente que a ideia tem impacto positivo, havendo certos comités no Dondo com mais de nove mil meticais depositados, com único objectivo de garantir a sustentabilidade das bombas de água. Outras comunidades projectam a aquisição de tanques de água para a lavagem da roupa.

No âmbito do mesmo programa, o distrito do Dondo conta com um mecânico especialmente para reparar furos de água, para além de uma loja para a venda de peças sobressalentes. Os comités têm acordo celebrado com o mecânico para reparar pontualmente quaisquer avarias. A avaliar pelo impacto da iniciativa, Dondo está a ser palco da troca de experiência, tendo recebido recentemente visitas de trabalho de elementos ligados ao sector provenientes das províncias de Inhambane, Zambézia, Nampula, Manica, Tete, incluindo outros países.

Para o director nacional da SNV, Quirin Laumans, é importante que a experiência da sustentabilidade das fontes de água introduzida no Dondo sirva de exemplo em todo o país, razão pela qual a sua organização estimula esse tipo de iniciativas para permitir o bem-estar da sociedade. Por isso, o mesmo organismo externo reuniu no Dondo para uma reflexão nacional com as associações que actuam na componente de saneamento básico, numa altura em que a Holanda investe anualmente cerca de dois milhões de euros na capacitação das organizações que actuam no desenvolvimento do país.

Assim, a SNV deseja contribuir para uma maior sustentabilidade das fontes de abastecimento de água potável, sobretudo nas zonas rurais do país, porque os usuários não têm dinheiro para pagar os artesãos. Além disso, apoia também as associações que trabalham no turismo e agricultura entre 2002 e 2015, cujos resultados são bastante animadores, conforme avaliou Laumans.

Para o administrador do Dondo, João Oliveira, qualquer ajuda da sociedade civil é bem-vinda, porque, na sua óptica, todos lutamos para único objectivo de incrementar o desenvolvimento nacional. Por outro lado, afirmou-se comovido pelo facto da sua área de jurisdição servir de exemplo nacional na sustentabilidade das fontes de água, desejando que a experiência deve ser integralmente aproveitada mormente nas zonas críticas.
Comités querem investir em novos furos de água (F. Vicente)


BENEFICIÁRIOS FELIZES

NO posto administrativo de Mafambisse, um dos comités de gestão de água no Dondo, mostrou-se satisfeito com a gestão transparente e a sustentabilidade das fontes deste precioso líquido. Zito Afonso, Fátima Aleixo e Maria Mambuta, presidente, tesoureira e cobradora, respectivamente, afirmaram ao “Notícias” que a introdução do caderno de manutenção permite uma participação activa da comunidade no processo de gestão das fontes de água.

A funcionar desde 22 de Novembro de 2008, o comité conta com mais de 100 consumidores daquela fonte de água, colectando mensalmente entre 500 e 900 meticais. Até Setembro passado obteve 9799 meticais fora dos gastos, sendo que no ano passado aplicou 1186 meticais na compra de acessórios cuja fonte nunca registou avarias de grande monta por se beneficiar de uma manutenção de trimestral. Foi assim que aqueles utentes baseados no bairro Mussassa transitaram para este ano com 4550 meticais cujo saldo positivo se encontra guardado no banco para compra de peças sobressalentes.

Com a acumulação do dinheiro pretende-se a abertura de mais furos de água nas comunidades onde o problema da falta de água é crítico. “Estamos a gostar deste processo, porque anteriormente tínhamos avarias constantes e percorríamos longas distâncias na busca de água para consumo. As vezes recorríamos à água turva nos charcos ou nos fontanários da Açucareira de Mafambisse em que chegávamos até ser humilhados. Hoje, acabou o sofrimento e nos sentimos donos desta bomba”, congratularam-se.

Para uma gestão transparente, as nossas fontes precisaram que quinzenalmente prestam contas aos contribuintes e até agora não há dificuldades de realce, ressalvando a necessidade de cloro para a eliminação de micróbios.

Por seu turno, Teresa Simão, activista comunitário de água e saneamento da UTAS, disse que os beneficiários colaboram positivamente no processo sobretudo nas contribuições monetárias e limpeza, havendo consumidores que pagam adiantadamente o valor simbólico mensal fixado entre cinco e dez meticais.

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