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Conferência sobre Mudanças Climáticas

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O Sucesso da Conferência sobre Mudanças Climáticas que decorre desde segunda-feira na cidade de Cancún, México, poderá vir a contrariar o cepticismo que reina desde que a reunião foi marcada, isto animado sobretudo pelo fracasso da Cimeira de Copenhaga, realizada ano passado, na Dinamarca. Quando se esperava que em Copenhaga fossem alcançados acordos substantivos entre os principais actores, que são tanto os países ricos como os pobres, eis que no final quedou-se somente em promessas, com o comunicado final adoptado a falar de uma injecção financeira de 30 biliões de dólares americanos a serem concedidos para três anos, portanto, até 2012.

O valor seria para actividades que visam a redução dos impactos das mudanças climáticas nos países pobres e em vias de desenvolvimento. E a resolução indicava que haveria um amento financeiro que iria até aos 100 biliões de dólares americanos, até 2020.

No entanto, entre o mar de promessas financeiras “chorudas” o essencial acabou sendo esquecido ou premeditadamente preterido, pois acabaria não havendo clareza sobre os mecanismos que encerram a proveniência do fundo, como seria alocado e de que dependeria a sua divisão, tanto para mais, tanto para menos, uma vez que cada nação pobre ou em via de desenvolvimento tinha uma natureza do problema específico.

A intenção é que esta conferência abra caminho para uma abordagem mundial sobre os novos padrões de produção e consumo em todo o Planeta.

A convicção do México e das Nações Unidas é a de que a partir de Cancún se abra as mentes da humanidade que os padrões de desenvolvimento conhecidos não sejam somente os de uso de energias provenientes somente de combustíveis fósseis, por exemplo.

Segundo explicou Patrícia Espinosa Cantellano, é importante começar a pensar em consolidar novos paradigmas de desenvolvimento, baseados fundamentalmente no uso de energias limpas que não causam a destruição ou delicados desequilíbrio à Terra.

“Isso é fundamental, pois teremos que buscar uma maneira de iniciar processos de desenvolvimento que não são incompatíveis com o uso sustentável dos nossos recursos. Mas é importante que haja evidências muito claras do interesse colectivo, e que governos, sociedade civil e empresários, todos os indivíduos devem participar nesta grande revolução que representar a transformação da nossa sociedade”, disse.

Na acepção da secretária-executiva, dar-se passos fortes de aposta a novos modelos de desenvolvimento que protejam o ambiente é que dará sentido à reunião e orgulho pelo facto de todos terem estado sentados a discutir um assunto de suma importância para a humanidade.

Mas como isso será possível, indaga, respondendo depois que, para isso, “necessitamos de escutar todas as vozes, incorporar todos os pontos de vista, assumir as diferentes visões e incorporar, num mesmo espaço, ideias dos governos, da sociedade civil, do sector privado, da classe académica e científica”.

Para que Cancún seja um êxito global, Cantellano afirmou que o seu país não só conta com o apoio de países da sua região, América Latina, que, à despeito de África, está seriamente afectada pelo efeito das mudanças climáticas, como também com nações em vias de desenvolvimento.

É dentro deste quadro que arrancou a Cimeira de Cancún, com os delegados, sobretudo dos países mais afectados a falarem sobre o pragmatismo que se pretende aconteça quanto à clareza das acções a seguir.

Aliás, como facto demonstrativo da esperança que ainda reside estão os grandes painéis luminosos colocados à entrada e saída do aeroporto internacional de Cancún, com os dizeres: “Yes We Can(Cun)”, que é apologia a expressão “Yes We Can” de Barack Obama enquanto candidato à presidência dos Estados Unidos da América. À expressão “Yes We Can”, que em português significa: “Sim, nós podemos”, foi acrescentando o “Cun”, ficando “Yes We Can (Cun)”, o mesmo que “: Sim, nós podemos em Cancún”, encontrar uma solução para o problema das mudanças climáticas.

Mas, para que isso possa ser possível é importante que os países envolvidos, à escala global, sejam eles ricos ou pobres, primeiro eliminem as suas divergências, tal como entende Artur Runge-Metzer, da Divisão da Política do Clima na União Europeia.

A não encontrar-se uma solução airosa, receia-se que o debate sobre mudanças climáticas ou qualquer assunto relacionado com o clima venha a se tornar incipiente e de nenhum efeito.

O próprio Metzer sentencia, afirmando que, se em Cancún não haver uma coerência sobre os passos a seguir com vista a levar avante com sucesso o combate às mudanças climáticas há o risco de o assunto ser irrelevante.


LOBBIES PARA SUCESSO

O Governo mexicano foi promovendo várias consultas informais com todas as partes interessadas, sobretudo a nível de especialistas das Nações Unidas, visando reformular os princípios do Protocolo de Quioto.

Por outro lado, eles estimularam uma participação activa das organizações da sociedade civil, pois entendem que as questões sobre o ambiente não devem ser exclusivas dos governos, mas sim de todos os organismos e sectores sociais.

Procuraram igualmente fortalecer o sistema multilateral do papel das Nações Unidas e os organismos negociadores do sistema climático internacional.

Neste contexto, a luta do México, apoiado por países do continente africano, da América Latina, e outros da Ásia, está a fazer é que até ao final do encontro seja adoptado um mecanismo que pressiona cada país a contribuir para os esforços de mitigação das mudanças climáticas, mas dentro das suas próprias responsabilidades (níveis de emissão de gases na atmosfera) e capacidades.

Em virtude das diferenças que estão a marcar os países ricos e pobres, os grupos mexicanos de lobbie estão a criar espaços para que haja entendimento entre os países ricos e os que estão em vias de desenvolvimento de modo a se lograr avanços na matéria de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, caminhando-se para o estabelecimento de um mecanismo financeiro estável.

Dando primazia à expectativa de que no Cancún ainda se pode lograr sucessos, o próprio presidente da República do México, Felipe Calderon, disse, quando falando às televisões locais, que a conferência que decorre no seu país representa a esperança que de que ainda é possível salvar-se o Planeta e que deve haver uma aposta forte na componente das energias renováveis e na questão das florestas.

Já Alejandro Oliveira, da Green Pace México, afirmou que as mudanças climáticas estão, cada vez mais, a exacerbar as vulnerabilidades do Homem, com os desastres naturais, com impactos negativos nos campos da agricultura, pesca, integridade dos solos, nos florestas e selvas, com todas as consequências na vida e saúde humana.

Estes são, de acordo com Alejandro Oliveira, sinais de alerta quanto à necessidade de se trabalhar conjuntamente para a preservação dos ecossistemas do mundo, trocando padrões de produção e de consumo, reorientando, ao mesmo tempo, as invenções para tecnologias limpas, eficientes e renováveis, bem como fortalecer os mecanismos de cooperação planetária.

Alertou, no entanto, para que os governos não actuem de forma exclusiva, devendo expandir a ideia de que a opção de redução das emissões de carbono na atmosfera, “a partir das nossas actividades diárias, depende de uma participação clara de toda a sociedade”.

Face mais visível da conferência, Patrícia Cantellano disse que o facto de haver um reconhecimento claro e explícito do valor que as organizações da sociedade civil tem e do trabalho que vem desenvolvendo no seu país, na região e no resto do mundo, o seu Governo, em coordenação com as Nações Unidas, têm estado a impulsionar essa acção, envolvendo-os em participações multilaterais e regionais.

“Temos estado a fazer um esforço enorme, mas também inédito para incluir mais e melhor as organizações da sociedade civil nas actividades relacionadas com a luta contra o impacto das mudanças climáticas. E México quer que esse seja um dos distintivos específicos desta conferência”, explicou, sublinhando que os governos no mundo devem perceber e se convencer que o diálogo franco e respeitoso com a sociedade civil é sempre imprescindível e que ele não deve começar ou se esgotar quando se estão nas conferências ou quando se está perante calamidades.

“O diálogo tem que ser sempre presente e permanente, a bem do meio ambiente e da própria humanidade”, disse.

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