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Água é privilégio para minorias em Nampula

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A água continua a ser privilégio de poucas pessoas na província de Nampula. Segundo dados avançados pelo governo local, infelizmente apenas cerca de 1,5 milhão de pessoas, dos pouco mais de 4 milhões que ali residem, têm acesso àquele precioso líquido. Felismino Tocoli, governador provincial, explicou que para a elevação do nível de oferta (que é de 41 porcento), o seu executivo precisaria de construir anualmente um total de 400 fontes, entre poços e furos mecânicos, para não falar da necessidade de reabilitação de outras tantas que avariam por causa do mau uso das próprias comunidades.

“Reconhecemos que a água já começa a constituir um problema na nossa província. Trata-se da água destinada não só ao consumo, como também para responder à demanda dos projectos que vêm sendo instalados, cujo funcionamento está dependente daquele líquido” - referiu aquele governante.

Para elucidar a situação, a fonte explicou que a fábrica de cerveja de Nampula, por exemplo, que para laborar capta a água a partir da albufeira que abastece a cidade capital provincial, “já consome mais do que podia”, processo que não só concorre para restrições no fornecimento às comunidades, como também remete-nos ao perigo de aquele líquido vir a escassear nos próximos tempos.

Segundo dados disponíveis, a  albufeira de abastecimento de água à cidade de Nampula, tem qualquer coisa como 3 milhões de metros/cúbicos, quantidade que igualmente tem de responder à demanda daquele líquido por parte das 400 mil pessoas residentes.

Ao nível provincial, as únicas fontes permanentes cadastradas pelo governo são os rios  Lúrio e Monapo, este último reconhecidamente sob pressão, uma vez que não só a Matanuska, empresa de produção industrial de banana, como a futura fábrica de exploração e processamento de fosfato, foram instalados e desenhados, respectivamente, para usar aquela fonte.

A zona económica especial de Nacala, recentemente criada à luz do decreto 3/93, de 24 de Julho, também coloca o governo sob dilema de onde buscar a água para consumo e alimentar os projectos que para ali convergem.

A albufeira de Nacala e os outros três pequenos sistemas recentemente criados poderão não ser suficientes para toda a gente.

“A saída pode ser a identificação de uma abordagem integrada do problema, para acautelarmos os dois interesses, que é de consumo doméstico e para os projectos que aparecem” – referiu Tocoli.

Refira-se que recentemente, no decurso do lançamento do plano estratégico provincial, alguns cientistas, chegaram a sugerir ao governo local, sobre a necessidade de começar a pensar na construção de barragens, face à nítida escassez daquele precioso líquido.

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