Quarta, 23 Maio 2012 English Chinese (Simplified) Finnish French German Italian Portuguese Russian Spanish Login

Legislação Moçambicana & Documentos

Pesquisar neste portal

Login

 
• Esqueceu Password - Nome de utilizadorCriar nova conta

sales@euroasiatrucks.com

Japanese Car Exporter

Home Noticias Actualidade Nacional Mandioca: Aposta para gerar riqueza e nutrição

Mandioca: Aposta para gerar riqueza e nutrição

PDFVersão para impressãoEnviar por E-mail

As potencialidades e oportunidades para o agro-negócio da cultura da mandioca, juntou semana passada, em Nampula, mais de cinquenta pessoas interessadas em promover este tubérculo. No encontro de Nampula, que por sinal é o maior produtor desta cultura alimentar, com uma meta estimada em três a quatro milhões de toneladas por ano e que juntou produtores, processadores, organizações não-governamentais e governamentais que procuravam expor as potencialidades e oportunidades na cadeia de valor da mandioca, ficou-se a saber que com aquela cultura se pode confeccionar o pão, bolos, produzir papel, medicamentos, vestuário e bebidas alcoólicas, valias estas que podem ser geradoras de renda para os camponeses.

Para erradicar a pobreza extrema e a fome, no âmbito do cumprimento das metas dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio, o grupo da mandioca que se juntou na cidade de Nampula, que incluía igualmente instituições ligadas à investigação agrária nacionais e estrangeiras, casos do IIAM e IITA,  entende que se o nosso país conseguir estimular a produção agrícola deste produto envolvendo o sector privado, pode reduzir a incidência da pobreza até 40 porcento em 2015.

A este respeito, os participantes questionaram com muita insistência as razões do porque não se investir na cultura da mandioca, tendo em conta que cada parte deste tubérculo alimentar é útil, senão vejamos: as suas folhas contém proteínas para alimentação humana e ração para animais, as hastes servem para a fermentação ligno-celulósicos para a produção de etanol e butanol, enquanto que as raízes são um delicioso alimento e matéria-prima para  outros produtos industriais.

Aliado a estes aspectos nutricional e industrial, o cultivo da mandioca pode ser feito em ambientes instáveis, é tolerante à seca, cresce tanto em solos pobres como ricos, para além de que tem um longo período de armazenamento na terra.

Países como a Tailândia e o Vietname, já demonstraram que a cultura da mandioca pode impulsionar o desenvolvimento rural e a melhorar as  condições de vida das comunidades rurais. Pequenos agricultores naqueles dois países ganham cerca de 0,8 bilião de dólares norte-americanos anualmente por produzir mandioca fresca para produção de amido, raspa ou pílulas de ração e indústrias de alimentos.

Uma combinação de pequenas e médias fábricas de processamento, adopção de novas variedades de alto rendimento, resistentes a pragas e doenças e práticas agronómicas melhoradas, contribuiu sobremaneira para o aumento da renda  dos pequenos agricultores e catapultou o desenvolvimento de muitas aldeias  naqueles países.
Director provincial da agricultura


APOSTAR NAS TECNOLOGIAS

Os principais provedores do material vegetativo da mandioca em Nampula, nomeadamente o IIAM, IITA, SARRNET e outros parceiros, têm desenvolvido variedades desta cultura com alto rendimento, resistentes a pragas e doenças, localmente designadas por  colicanana, nziva, okhumelela, orera e eyope. Porém, eles acham que o fraco acesso a tecnologias de agro-processamento e divulgação dos subprodutos, assim como a oferta limitada destes no mercado ou a sua apresentação ao consumidor, pode emperrar com todo o desiderato que se pretende.

Outra questão levantada no encontro de Nampula, é que actualmente a mandioca, por se considerar uma cultura de pouca renda, é praticada pelo sector familiar que não trabalha em áreas que ultrapassam os dois hectares e o envolvimento dos privados acontece com alguma reticência, acontecendo mesmo em relação a sua comercialização e processamento.

“Para além da população que tem consumido a mandioca e sua farinha, estamos a trabalhar junto das padarias para que usem a farinha de boa qualidade para o fabrico do pão. Igualmente, a empresa Cervejas de Moçambique, já mostrou interesse em usar o amido no processo de produção da cerveja. Temos feito trabalhos de consciencialização e realizado várias feiras para a promoção dos subprodutos da mandioca”, afirmou Constantino Cuambe, investigador agrário do IIAM em Nampula.

Está também em curso a construção de uma unidade de processamento da mandioca no posto agronómico de Nampula, com o financiamento  da União Europeia e da  JICA, do Japão, que se espera entre em funcionamento em Dezembro próximo ou Janeiro de 2011, enquanto que em  Ribaué, e numa parceria entre o Ministério da Indústria e Comércio e a UNIDO, um organismo das Nações Unidas, será estabelecida uma unidade  para apoiar os produtores no aumento das suas áreas e níveis de produtividade.

O Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), Centro Zonal Nordeste, juntamente com o grupo da mandioca, pretende na próxima campanha, ocupar uma área de 101 hectares para a multiplicação de variedades melhoradas de mandioca, para além de uma acção conjunta com o IITA que vai lavrar 280 hectares para o mesmo fim, cujo material vegetativo será a posterior distribuído gratuitamente aos interessados.

Na província de Nampula, as maiores regiões de produção estão situadas no interior, mais concretamente em Malema, Lalaua, Ribáuè, Mecubúri, Murrupula, Muecate, Meconta e Monapo, enquanto que o litoral é o maior consumidor deste produto.


O VALOR DO TUBÉRCULO

Para consumo humano, a mandioca oferece a sua farinha grossa, sendo que para a indústria ela é transformada em farinha de alta qualidade para o fabrico de pão e massas alimentícias, vulgo macarrão, raspa e amido produtos imediatos desta cultura.

Empreendedores privados e algumas organizações como a  Olima, em Ribáuè e Wissa que na língua tsonga, significa descansar, e em Mutivaze, criaram um movimento que tem como missão valorizar este produto nacional e oferecer uma gama de produtos agrícolas de alta qualidade, tais como oleaginosas, leguminosas e com enfoque na produção e processamento da mandioca e da respectiva folha, para a confecção do vulgo mathapa.

A representante da Wissa, em Nampula, Judite Pinto, uma das empresas que actualmente  faz o agro-processamento para acrescentar valor a mandioca e que se dedica  igualmente à promoção de novos hábitos,  explicou que o objectivo da organização  “é de alcançar os padrões mundiais de competitividade, melhoria da dieta alimentar, poupando o esforço físico e tempo do consumidor e, de um modo particular a mulher, tendo em conta a dinâmica que se impõe no seu dia-a-dia”.

Por seu turno, Melba Mussagy, especialista em agro-negócios, ligada ao IITA, disse  não entender por que razão o país ainda não adoptou medidas para potenciar as oportunidades e potencialidades que a mandioca oferece, sendo uma cultura que pode ser produzida em condições climatéricas adversas.

“Com ou sem chuva a produtividade da mandioca não baixa e a sua conservação não tem muitos custos, para além de que podemos fazer muito negócio com a raspa para a produção de ração, e a partir da sua farinha podemos nos alimentar. Os camponeses moçambicanos sabem produzir mandioca o que precisam é aumentar a sua capacidade e conhecimento sobre como gerir os negócios provenientes da venda desta cultura”.

O director provincial da Agricultura em Nampula, José Varimelo, que tomou igualmente parte no encontro do grupo da mandioca, afirma que o Executivo provincial está atento e preocupado com  a demanda que esta cultura está a ganhar nos últimos tempos, explicando que a aposta é privilegiar a multiplicação de variedades deste tubérculo e o seu rendimento por hectare.

Comentar

NOTA SOBRE COMENTÁRIOS:
- Os comentários publicados no “site” são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores.
- Ao comentar declara que todos os conteúdos por si enviados não infringem direito de terceiros e assume ser o único e exclusivo responsável por eventual prejuízo causado a terceiros.
- O conteúdos dos comentários não exprimem de forma alguma a opinião do Zambézia Online e muito menos a manutenção de tais conteúdos no “site” poderá ser considerada como uma concordância do Zambézia Online com relação a tais conteúdos.


Código de segurança
Actualizar

Economia & Negócios

Recursos moçambicanos atraem empresas britânicas
“A interacção com empresários brit...
EUA lideram investimento estrangeiro em Moçambique
África do Sul, Maurícias e Portugal ...

Actualidade Nacional

Código de ética veda conflito de interesses
A Asembleia da República aprovou ontem...
“Giovanna” dissipa-se mas alerta mantém-se
O Ciclone “Giovanna”, que se encont...

Desporto

Mart Nooij afastado dos "Mambas"
  O TÉCNICO holandês Mart Nooij foi ...

Africa

UA reconhece CNT como Governo líbio
  A UNIÃO Africana (UA) reconheceu on...