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Pirataria no Índico inquieta na SADC

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O Recrutamento da pirataria marítima nas águas territoriais dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) constitui um dos novos focos de ameaça à segurança na região. Preocupados com a situação, os Ministros de Defesa e do Interior da África Austral, que ontem estiveram reunidos, em Maputo, defenderam a necessidade de se fortificar cada vez mais as actividades de monitoria do fenómeno, no âmbito do Centro Regional de Aviso Prévio, recentemente inaugurado no Botswana pelo Presidente em exercício do órgão de Defesa e Segurança da SADC, Armando Guebuza.
Um relatório da Organização Marítima Internacional (IMB) sobre a situação da pirataria em 2009, revela, entre outros pontos, que os piratas estavam a estender os seus ataques também para as costas do Quénia, Tanzânia, Ilha das Seychelles e do Madagáscar. O documento afirma que naquele ano os assaltos no mar duplicaram no primeiro semestre, um acréscimo que se devia essencialmente a ataques piratas no Golfo de Aden, que liga o Mar Vermelho e o Oceano Índico, e na costa leste da Somália.

Falando a jornalistas no final do encontro, o Ministro da Defesa Nacional, Filipe Nyussi, “chairman” do encontro, apontou outros focos preocupantes que constituem novas ameaças à estabilidade na região, nomeadamente o tráfico de drogas e de pessoas e a imigração ilegal.

“Se no passado um país é que podia gerir sozinho um conflito, agora é preciso uma complementaridade de acções. São ameaças que estão a ser controladas, daí a razão da fortificação da nossa actividade na área da defesa e segurança”, disse.

Filipe Nyussi afirmou que os Estados na África Austral não podem estar no sistema global na posição relativamente frágil. Assim, as forças de defesa e segurança não devem permitir a prevalência de situações de conflitos, porque os Estados querem continuar soberanos e unidos.

É assim que, segundo o “chairman” da reunião, os países da SADC estão agora a investir seriamente na área da defesa e segurança, pois reconhecem que não há desenvolvimento económico sem estabilidade. Disse, entretanto, que dum modo geral a situação de segurança na região é boa, acrescentando que a maneira como estão sendo geridos os problemas e encontradas as soluções é indicativo de que a região está apostada em viver num clima de tranquilidade e segurança.

Entretanto, o Secretário Executivo da SADC, Tomaz Salomão, por seu turno, disse a jornalistas que categoricamente não existem na região factores que podem minar a segurança. Segundo Tomaz Salomão, a África Austral é uma região que está em paz e em estabilidade, no conjunto das regiões que constituem os blocos de integração económica no continente.

Disse, no entanto, que isso não significa que a região não enfrenta os seus desafios próprios de processos políticos resultantes da implementação de princípios democráticos. Tomaz Salomão observou que quando se está em paz é preciso investir nela, porque não é apenas a ausência de guerra, mas um processo que se cultiva na mente das pessoas, quer na família, quer nas instituições públicas e privadas.

“Somos uma região tida como referência por termos saído duma era de confrontação violenta para uma era de paz. Por isso mesmo, existindo pressupostos da paz, as regiões devem se concentrar naquilo que é o desafio principal, naquilo que preocupa os cidadãos, que é vencer a pobreza”, disse.

A reunião dos ministros de defesa e de segurança dos países da SADC produziu um relatório sobre a situação, que deverá ser apreciado na cimeira dos Chefes de Estado da região, a ter lugar no próximo mês de Agosto, na Namíbia.

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