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Economia mundial: G20 aborda grandes desequilíbrios

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O Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, insistiu ontem em Beijing na sua determinação em lutar contra o proteccionismo durante a Cimeira do G20, em Seul, considerando que a liberdade do comércio é “o melhor futuro para a economia mundial”.Cameron falou no último dia de uma visita oficial à China, antes da sua partida para a Coreia do Sul onde deve participar na reunião do G20 hoje e amanhã. Esta cimeira deve abordar os grandes desequilíbrios da economia mundial e a ameaça “da guerra das moedas”.

O chefe do Governo britânico apelou aos países europeus para “estarem abertos ao comércio proveniente da China e a não edificar muros comerciais”.

Beijing e Londres estão de acordo sobre a sua rejeição de medidas proteccionistas, disse Cameron, durante um encontro com empresários na capital chinesa.

“Somos dois países que juntos, no G20 e noutros lugares, vão bater-se contra o proteccionismo, bater-nos-emos contra os países que querem levantar barreiras”, declarou Cameron.

“Sabemos que o melhor futuro para a China, o melhor futuro para a Grã-Bretanha, o melhor futuro para a nossa economia mundial é (...) a manutenção de um comércio aberto, e a conclusão das negociações sobre o ciclo de Doha”, prosseguiu.

Este ciclo, iniciado em 2001 no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), deve conduzir a uma maior liberalização do comércio internacional.

Mas os prazos fixados para concluir as negociações foram desrespeitados várias vezes.

“São pontos de vista que compartilhamos e a Grã-Bretanha continuará a dizer que na Europa deveríamos ser abertos ao comércio com a China e não edificar muros comerciais”, insistiu Cameron.

No momento em que Cameron falou, a China anunciou um forte aumento do seu excedente comercial em Outubro de 27,15 mil milhões de dólares, contra 16,88 mil milhões de dólares em Setembro.

A Comissão Europeia indicou na terça-feira que deseja uma melhor reciprocidade no acesso aos mercados públicos com os países emergentes como a China e apresentou a sua estratégia comercial para os próximos cinco anos.

“A Europa rejeita o proteccionismo. É a mensagem que a Europa levará para a (cimeira) do G20 em Seul”, disse o comissário europeu do Comércio, Karel de Gucht.


Seul em alerta máximo

A POLÍCIA sul-coreana elevou ao máximo o nível de alerta em Seul desde o fim-de-semana, devido à cimeira do G20, hoje e amanhã e a série de pacotes-bomba distribuídos na Europa, na semana passada. Fonte oficial disse que todas as forças de segurança do país estão em alerta máximo até sábado para acudir a qualquer emergência.

A V cimeira do G20 reunirá os chefes de Estado e de Governo das economias emergentes e desenvolvidas em Seul entre hoje e amanhã na capital sul-coreana.

Eles começaram ontem a chegar a Seul, para dar início aos debates, cujo principal foco será a ameaça de uma “guerra cambial” e a necessidade de proteger a recuperação económica.

Os presidentes brasileiro Lula da Silva, o norte-americano, Barack Obama, e o russo, Dmitri Medvedev, são alguns dos líderes que desembarcarão na capital sul-coreana com bastante antecedência para cumprir uma extensa agenda à margem do encontro do G20.

O objectivo não declarado é tentar eliminar as diferenças cada vez maiores entre os membros do grupo, diante de uma recuperação económica que parece não iniciar, e evitar a “guerra cambial” que tem envenenado as relações internacionais há alguns meses.

Os dois principais líderes desta guerra são os EUA e China, devido à subvalorização do yuan. O conflito, no entanto, já envolveu outros países, num clima de acusações cruzadas de intervenção para artificializar o valor das suas moedas e favorecer as exportações e o crescimento em detrimento do resto do mundo.

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