Cientistas revolucionam semente do arroz



Escrito por Jornal Noticias
Sexta, 05 Novembro 2010 09:42

O nosso país vai dispor, dentro de três anos, de um “stock” suficiente de semente pura de arroz para a produção industrial e de pequena escala em moldes considerados de maior competitividade deste cereal para o mercado nacional.
O facto foi-nos relevado por Carlos Zandamela, coordenador do Programa de Arroz no Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), à margem de um curso recentemente realizado para extensionistas oriundos das zonas que mais produzem o cereal no país.
Para executar o plano, o IIAM perspectiva ter ainda na presente campanha agrícola 100 hectares de multiplicação de semente básica. Na primeira fase foram escolhidas as variedades de sementes de arroz conhecidas por “limpopo, IR64 e ITA312”. Na fase seguinte, no próximo ano, serão utilizadas novas variedades cuja libertação será feita até Dezembro. Trata-se de sementes mais viáveis no contexto da produção nacional de arroz, cifrada em cerca de 350 mil toneladas, correspondentes a mais de metade das necessidades nacionais.
A multiplicação será feita em Matutuine (Maputo), Chókwè (Gaza), Nicoadala (Zambézia), Angoche (Nampula) e Mapupulo (Cabo Delgado).
Segundo Zandamela, o plano tem efeito exponencial de tal sorte que, caso se concretize, não há dúvida de que “dentro de três anos o “stock” de sementes de boa qualidade de arroz será reposto visto que a semente é realmente de qualidade”.
A parte da investigação, purificação e produção de semente pré-básica conta com o apoio do Instituto Internacional de Investigação de Arroz (IRRI na sigla inglesa). Sem revelar os valores envolvidos, o nosso interlocutor destacou a importância da extensão na cadeia de produção do arroz. É por esta razão que Maputo acolheu a primeira formação que liga os extensionistas às fábricas de processamento do arroz.
“Nós tomamos como ponto de entrada as fábricas porque entendemos que a indústria de processamento de arroz conhece o mercado de consumo onde coloca o seu produto. Assim sendo, a fábrica está habilitada a dizer aos investigadores que tipo de sementes devem ser utilizadas em função das necessidades do mercado. Por outro lado a indústria está em melhor posição de convencer os camponeses a apostar num determinado tipo de semente de arroz”, disse.
Presentemente, Moçambique debate-se com a falta de fábricas de produção do arroz. A funcionar em pleno consta Inácio de Sousa, na zona de Palmeiras, província de Maputo e Moçambique Indústrias Alimentares em Chókwè, província de Gaza.
Todavia, há mais de uma dezena de fábricas de micro dimensão espalhadas em todas as províncias.
A falta de extensionistas especializados é outro problema. Dos cálculos feitos por Zandamela, tendo em conta as áreas de produção nacional do arroz seriam necessários 30 extensionistas.
A formação envolveu 29 extensionistas provenientes das principais zonas de produção do arroz, nomeadamente os distritos de Matutuine (Maputo), Bilene, Xai-Xai, Chókwè e Manjacaze (Gaza), Morrumbene e Panda (Inhambane), Zonas verdes, Dondo e Marromeu (Sofala), Mopeia, Nicoadala, Namacura e Maganja da Costa (Zambézia), Macomia e Muidumbe (Cabo Delgado) e, por fim, Mecanhelas e Mandimba (Niassa).
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