LAZER - Gaza relança turismo no Parque de Banhine



Escrito por Jornal Noticias
Sexta, 01 Outubro 2010 08:36

Volvidos 18 anos após o fim do conflito armado que provocou a exterminação e o êxodo forçado de inúmeras espécies faunísticas, o Parque Nacional de Banhine, em Gaza, está, nos últimos anos a registar progressos no relançamento da vida selvagem. Fruto de um processo de repovoamento na já são visíveis naquela estância animais como leões, avestruzes, cudos e aves migratórias oriundas da Europa Ocidental.
Foram já controladas as acções das comunidades no seu relacionamento com a natureza, através da educação cívica, visando o combate à caça furtiva e à exploração desregrada dos recursos florestais.
O ambiente prevalecente está a atrair cada vez mais turistas interessados em usar Banhine como ponto privilegiado para aliar o turismo cinegético e praias, numa região que constitui um corredor de acesso a outros locais de lazer em Gaza e Inhambane.
Foram 15 horas de viagem para chegar ao Parque de Banhine, no distrito de Chigubo, num percurso de cerca de 500 quilómetros a partir da cidade de Xai-Xai. O objectivo era visitar lugares mais recônditos daquele santuário selvagem, que tem vindo a atrair as atenções de centenas de turistas maioritariamente sul-africanos ávidos de tirar o máximo proveito do que a natureza oferece. Visitamos vários acampamentos estratégicos para a protecção de animais e flora.
No percurso deparamo-nos com pessoal treinado para a defesa do ambiente e com responsabilidade de controlar a caça furtiva, abate indiscriminado de espécies florestais e queimadas.
O parque abrange áreas de conservação de três distritos - Chicualacuala, Mabalane e Chigubo. Tem mais de sete mil quilómetros quadrados, incorporados nas iniciativas do projecto das áreas de conservação transfronteiriças do Grande Limpopo, que no nosso país integram ainda parques como o de Zinave, em Inhambane e Limpopo em Gaza.
Banhine foi uma referência internacional pela presença nas suas matas, e em grande escala, de avestruzes, leões, cudos, elefantes, uma população faunística que durante muitos anos, foi abandonando a área para África do Sul e Zimbabwe devido à guerra.
Segundo pudemos nos aperceber, a situação tende a melhorar, com o regresso das espécies. Há também uma retoma de pássaros migratórios, geralmente, oriundos de países da Europa Ocidental, que escalam o parque. Entre as espécies de aves que abundam em Banhine destacam-se marabou stork, secretary bird e pelicans, que têm levado para aquelas bandas muitos “ mirones” para viverem momentos raros.
FISCAIS SEM CONDIÇÕES
A nossa Reportagem teve a oportunidade de conversar com aqueles que têm a missão de garantir a preservação das espécies que habitam o parque, nomeadamente os fiscais. Apesar de se debaterem com problemas de meios circulantes para a fiscalização rotineira, assim como falta de água potável e de armamento à altura para fazer face ao poderio bélico dos caçadores furtivos.
São 30 os elementos que integram o corpo de fiscais, os quais chegam a percorrer por dia entre 19 a 20 quilómetros, nessa missão de manter a inviolabilidade das espécies faunísticas e florestais.
“As dificuldades são enormes, mas são desafios que devem ser superados para que os parques contribuam na arrecadação de receitas para o desenvolvimento do país. Chegamos a trabalhar entre 10 a 12 horas por dia nesta missão de levar as comunidades a assumirem o quão nocivo é a destruição da florest e abate de animais”, disse o fiscal Homero Duvane, treinado no Parque de Gorongoza e em actividade desde 2007 no acampamento de Mungaze.
Por seu turno, Hortência Chaúque, única fiscal do sexo feminino no parque de Banhine, explicou que os caçadores furtivos, usando armas de fogo, flexas e vários tipos de armadilhas são surpreendidos muitas vezes na posse de gazelas, cabritos do mato, cudos e porcos do mato, animais abatidos geralmente para fins comerciais em Chókwè e Maputo.
PROBLEMA DE ESTRADAS TEM DIAS CONTADOS
O potencial faunístico, segundo Domingos Kondjo, administrador do Parque de Banhine, está a atrair àquela estância inúmeras pessoas provenientes da África do Sul, Zimbabwe e outros cantos do mundo interessadas em contemplar a natureza, naquela parcela do país oferece.
“Alegra-nos assistir a grande procura que se regista por parte dos turistas. Contando com os nossos meios temos estado a trabalhar para criar melhores condições de transitabilidade, no interior do parque, e não só, porque Banhine, é um corredor que liga o turismo cinegético, ao turismo de praia. A partir daqui, os turistas podem chegar ao Bilene, Chongoene, Xai-Xai, Chidenguele, Dengoine, em Gaza, e daí partirem para as ilhas e praias paradisíacas de Inhambane” disse Kondjo.
A decisão de asfaltar as estradas que ligam a aldeia da Barragem de Macarretane, em Chókwè, e Chicualacuala, assim como a intervenção similar entre Mapinhane e Pafúri irá contribuir em grande medida para responder à ansiedade dos turistas sul-africanos em encontrarem acessos rápidos.
A restauração do aeródromo local, hoje dotado de excelentes condições de aterragem, constitui parte dos esforços do executivo moçambicano visando retirar Banhine do anonimato.
“Estamos a coordenar com todos os parceiros, incluindo as comunidades circunvizinhas para corresponder aos anseios dos turistas e dessa forma tirar Banhine do anonimato. Queremos que esta riqueza seja racionalmente aproveitada para o desenvolvimento do país, ” disse Kondjo.
Com o apoio do Banco Mundial, o parque vem sendo usado como centro de excelência para trabalhos de pesquisa.
ESTÂNCIA MELHORA VIDA NA COMUNIDADE
Os conflitos de interesses entre os gestores do parque e as comunidades são, na opinião de Domingos Kondjo, uma situação natural, mas o parque faz é fazer tudo para evitar a exploração desregrada dos recursos faunísticos e florestais.
Ao longo do ano passado, segundo o administrador Kondjo, foram retiradas das mãos de caçadores furtivos, um total de 25 armas de fogo, numa intervenção acompanhada de sensibilização sobre a pertinência de preservação de recursos.
Através de uma série de iniciativas de compensação às comunidades, por estas já não poderem desenvolver actividades como a caça, corte de lenha e queima de carvão, o parque está a promover programas de agricultura de conservação, apoios na educação, saúde, abastecimento de água, entre outras áreas de impacto socio-económico.
Antes da instalação efectiva do parque, segundo Kondjo, a população era atacada por animais bravios, facto que actualmente não ocorre porque os gestores desta área de conservação têm desempenhado papel determinante no afugentamento da fauna.
Tendo em conta a crise de água que caracteriza o dia – a - dia das população vive perto do parque foi definida a aldeia de Thai-Tcha para a abertura de um furo que irá abastecer toda a zona, sendo que para o efeito deverá ser instalado um gerador de energia eléctrica.
Celestina Mbiza, residente em Tchai-Tchai, disse que contrariamente ao que se pensava, a presença daquela estância turística, está a minimizar uma série de constrangimentos, vividos pela população local.
Neste momento as viaturas do parque são uma alternativa para a movimentação das pessoas de Tchai-Tchai, sem qualquer pagamento, principalmente, quando o problema e chegar ao hospital.
“Pedimos ao Governo para melhorar os acessos, por forma a encorajar os transportadores a desenvolverem as suas actividades na nossa região, porque estamos a sofrer”, disse Celestina.
Comentar
- Os comentários publicados no “site” são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores.
- Ao comentar declara que todos os conteúdos por si enviados não infringem direito de terceiros e assume ser o único e exclusivo responsável por eventual prejuízo causado a terceiros.
- O conteúdos dos comentários não exprimem de forma alguma a opinião do Zambézia Online e muito menos a manutenção de tais conteúdos no “site” poderá ser considerada como uma concordância do Zambézia Online com relação a tais conteúdos.