Tete: Chifunde dá passos para desenvolvimento



Escrito por Jornal Noticias
Terça, 21 Setembro 2010 08:21

Com muitos projectos financiados através do Fundo de Desenvolvimento de Iniciativa Local (OIIL), também conhecido por “sete milhões”, instituídos pelo Governo para a geração de emprego, produção de alimentos e aliado à extensão da energia eléctrica da rede nacional, produzida pela barragem Hidroeléctrica de Cahora-Bassa (HCB), o distrito de Chifunde está paulatinamente a dar passos gigantescos rumo ao desenvolvimento.
Situado na região do Planalto de Angónia-Marávia, província de Tete, fazendo limite a Norte com a Zâmbia e Malawi, e os distritos de Chiúta (a Sul), Macanga (Este) e Marávia (Oeste), e com uma superfície de 10.505 quilómetros quadrados e uma população de 101.811 habitantes (censo 2007), Chifunde dista a 197 quilómetros da cidade de Tete, a capital provincial.
Há dez anos era quase difícil deslocar-se à sede distrital de Chifunde, a partir da cidade de Tete e de outros pontos da província devido ao estado precário das vias de acesso, mas com a comparticipação das comunidades o Governo distrital conseguiu abrir algumas rodovias que permitem hoje a comunicação entre as localidades, proporcionando uma circulação mais fácil de pessoas e bens.
Com as estradas transitáveis, alguns agentes económicos locais abraçaram várias actividades, com maior destaque para o comércio, permitindo que os produtos de primeira necessidade sejam adquiridos localmente pelas comunidades.
Hoje, as pequenas lojas rurais de Chifunde estão repletas de diversos produtos de primeira necessidade, nomeadamente cereais, como milho e o arroz. O açúcar, sal, óleo e ainda o petróleo de iluminação são adquiridos dentro do distrito, o que facilita, em grande medida, a vida dos camponeses que eram obrigados no passado a percorrer longas distâncias para a cidade de Tete, a fim de comprar aqueles bens.
O dinamismo da economia verifica-se igualmente em NSadzu, sede distrital, e nas localidades de Luia, Thequesse e Mussalala, ao longo da Estrada Nacional 9, que liga a província de Tete à vizinha República da Zâmbia.
A produção de tabaco veio também impulsionar o desenvolvimento do distrito, sobretudo na parte Norte, com destaque para as localidades do posto administrativo de Vila Mwaladzi (Nkhanta, Bolimo e Khamande), onde aumentou o número de casas convencionais. Enquanto a energia eléctrica da rede nacional não chega à vila, os camponeses vão iluminando as suas habitações com a energia produzida por pequenos aparelhos (painéis solares). Nalguns casos, os grandes agricultores usam grupos geradores a combustível par alimentar as suas casas e lojas.
Administradora de Chifunde
IMPACTO POSITIVO GERADO PELOS 7 MILHÕES
Alguns beneficiários dos chamados “sete milhões” entrevistados pela nossa Reportagem afirmaram que apesar de o fundo atribuído aos distritos ser muito pouco, tendo em conta as necessidades, a ideia do Governo de contemplar os camponeses foi muito positiva.
“O Governo trouxe o `banco` mais perto de nós. Estou a dizer que com este dinheiro que é alocado aos distritos está a resolver o grande problema que enfrentávamos para o desenvolvimento da região. Hoje já não precisamos de nos deslocarmos à cidade de Tete e procurarmos para podermos aceder a um pequeno empréstimo nos bancos a fim de realizarmos qualquer que seja a actividade no meio rural em benefício dos camponeses”, disse José Assado Andicene, agente económico em Luia.
Para Joaquim Thomocene, outro beneficiário dos “7 milhões de meticais”, apesar de haver uma demora na reposição dos empréstimos por parte de alguns contemplados a grande aposta é lutar para um futuro ainda brilhante de forma a trazer o desenvolvimento para a nossa região.
“Há bem pouco tempo aqui em Nsadzu, para se beber uma cerveja gelada ou uma boa água tínhamos que esperar pela abertura da loja do comerciante Kanama, a única com energia eléctrica. Mas hoje já não. Todas as bancas aqui têm energia da HCB e com congeladores ou geleiras e estamos a caminhar bem para um outro estágio de desenvolvimento. É claro que alguns de nós não gerem bem os fundos, aplicando-os indevidamente. É por isso que os reembolsos estão a ser feitos a conta-gotas, mas entre nós estamos a trabalhar na sensibilização de uns e outros para a devolução do empréstimo para permitir que mais pessoas beneficiem”, sublinhou Thomocene.
O sentimento de que os “sete milhões de meticais” estão a mudar a vida em Chifunde é partilhada por muitos agentes económicos. Também Jeque Alberto, um agricultor de Thequesse, posto administrativo de Nsadzu, referiu que a vida ficou mais facilitada nos últimos anos na zona devido ao incremento dos fundos de desenvolvimento distrital.
“Não precisamos de fazer longas distâncias à procura de sal, óleo, sabão, petróleo, capulana, entre outras coisas, porque tudo já vem ter aqui. Cada vez mais perto de nós estão a ser construídas novas infra-estruturas para o comércio e outros serviços, o que é muito bom porque sofríamos muito. Em tempos, a pessoa tinha que sair da machamba e percorrer longas distâncias à procura de produtos que necessitamos diariamente”, lembra-se Wantholo.
Tina António, uma cidadã residente em Luia, mostrou-se muito satisfeita com o ritmo do desenvolvimento da sua região, tendo destacado o surgimento de novas infra-estruturais sociais como hospital e uma escola primária completa erguidas recentemente em Luia.
“O desenvolvimento é isto mesmo que estamos a testemunhar aqui. A energia da HCB chega esta zona. Temos o hospital aberto a todo momento, o que permite o atendimento de doentes, realização de partos e o leccionamento de aulas durante o período nocturno, este último aspecto que ajuda a muitas pessoas que procuram aumentar o seu nível académico”, reconheceu.
Margarida Talapa (centro)
EMPENHO DA POPULAÇÃO IMPRESSIONA TALAPA
Margarida Talapa, membro da Comissão Política e chefe da bancada parlamentar da Frelimo, mostrou-se bastante satisfeita pelo empenho das populações nas grandes realizações em curso no distrito, no contexto do plano económico-social o Governo a nível daquela região do país.
“Estive aqui em Chifunde nos meados do último quinquénio e estou muito impressionada com aquilo que estou a ver agora. Gente alegre, energia da rede nacional, pequenas bancas e cantinas rurais repletas de coisas como capulanas, cobertores e produtos alimentares de primeira necessidade. Também vejo muitas casas de alvenaria e é isto que se chama desenvolvimento equilibrado entre o campo e a zona urbana”, considerou Margarida Talapa.
Aos trabalhadores do centro de Saúde de Luia aquela dirigente partidária apelou para um exercício contínuo da actividade de educação sanitária da população para manter cada vez mais limpo o recinto hospitalar.
“Fiquei contente por ver um centro de saúde localizado no meio rural, onde ainda não há água canalizada, mas que se apresenta muito limpo, bem organizado e a servir de espelho para a população seguir o exemplo. Encontrei a unidade bem abastecida em medicamentos e com profissionais à altura para a prestação de um melhor serviço à comunidade, apontou.
O Governo distrital de Chifunde acredita que nos próximos tempos a vida sócio-económica da região vai conhecer um outro nível de crescimento com a implantação de outros novos projectos a serem executados em vários pontos do distrito, com maior destaque para ecoturismo, exploração dos recursos minerais e faunísticos.
A administradora distrital de Chifunde, Cremilda da Conceição Abrantes Sabino, apontou como prioridade neste momento o melhoramento dos acessos aos postos administrativos e às localidades e obras para a mitigação da seca e erosão que afecta algumas regiões do distrito, com maior incidência para o posto administrativo de Nsadzu.
“Durante o mandato passado conseguimos construir mais 13 blocos de salas de aula em Capaco, Muluma e Khamande, no posto administrativo de Mualadzi, Nziwe e Afulu, em Nsadzu, Luia e Capata, no posto administrativo de Chifunde. Igualmente foram construídas 11 residências para professores em Luia, Afulu, Nkantha, Nziwe, Capaco e Muluma para responder às necessidades de habitação para professores, no âmbito da expansão da rede escolar. Dos 16.553 alunos que o distrito possuía em 2004, contamos hoje com 28.988 alunos”, afirmou.
Aquela dirigente referiu-se ainda à reabilitação de 33 fontes de abastecimento de água e abertura de outras quatro.
No concernente às vias de acesso para o interior do distrito, Cremilda Sabino apontou a reabilitação, até ao final do ano passado, de 97 quilómetros de estradas terciárias nos postos administrativos de Chifunde-sede, Nsadzu e Mualadzi. Na mesma altura foram construídos, com apoio da população, alguns drifts para permitir a circulação de viaturas.
Relativamente à amortização dos empréstimos, no quadro dos “Sete milhões de meticais”, Cremilda Sabino indicou que o Governo, em parceria com os conselhos distritais está a trabalhar com os beneficiários no sentido de efectuarem os reembolsos o mais rapidamente possível para permitir que outros beneficiem dos fundos.
“O distrito já recebeu vinte e nove milhões e 445 mil meticais, do Fundo distrital de Desenvolvimento que financiaram 299 projectos de vários tipos em quase todas as localidades. Deste valor, apenas foram reembolsados 704 mil e 815 meticais, quantia já depositada no BIM. A maior parte dos beneficiários do OIIL ainda não reembolsou os valores emprestados”, afirmou a administradora do distrito de Chifunde.
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