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Produtividade agrária exige acção integrada

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Moçambiqueprecisa de construir consensos sobre as melhores opções tecnológicas a adoptar para garantir um aumento sustentável da produtividade agrária. A visão do Governo, segundo o Primeiro-Ministro, Aires Ali, é que para um crescimento célere impõe-se a transição da subsistência para uma agricultura cada vez mais orientada para o mercado, num exercício que precisa de atender a todos os aspectos da cadeia de valor, desde à produção, comercialização, armazenamento até ao agro-processamento. Intervindo ontem em Maputo no seminário nacional de balanço da campanha agrícola 2009/2010 e preparação da safra 2010/2011, Aires Ali disse estar na hora de se passar do discurso a acção, para o que, segundo ele, é preciso ser se ousado e criativo na busca de soluções, tirando o maior proveito possível da capacidade interna e da experiência de alguns países vizinhos e de outras regiões do mundo, para tornar a agricultura num verdadeiro alicerce do desenvolvimento da economia do país.

Considerando o seminário de ontem como o primeiro passo prático em direcção à operacionalização do discurso, o Primeiro-Ministro disse ser importante que os resultados alcançados na campanha agrícola 2009/2010 sejam usados como base na preparação da campanha 2010/2011, partindo do pressuposto de que as duas safras dão corpo ao Plano de Acção para a Produção de Alimentos (PAPA) aprovado em 2008 para operacionalizar a Estratégia da Revolução Verde, que encerra a visão do Governo, a médio e longo prazos, em matéria desenvolvimento agrário em Moçambique.

Da avaliação feita ao triénio 2008/2010 sobre a implementação do PAPA, ressalta o facto de se ter registado um crescimento da produção em todas as culturas, apesar de, no geral, se ter verificado alguma desaceleração devido, sobretudo, ao impacto da estiagem que assolou o país. Com efeito, culturas como milho, arroz, trigo, feijões, amendoim e mandioca registaram um crescimento assinalável nas três últimas campanhas, havendo indicações de que o ritmo de crescimento se venha a manter na campanha 2010/2011 a ser lançada nos próximos dias no país.

Entretanto, e segundo a avaliação ontem apresentada pelo Ministério da Agricultura, a produção nacional de milho superou as necessidades de consumo nas três últimas campanhas, com excedentes na ordem das 75, 209 e 171 mil toneladas métricas, respectivamente.

Relativamente à cultura do arroz, apesar de ter aumentado a produção em cada uma das campanhas em análise, e de se ter aproximado às necessidades de consumo, o país continua com um défice de arroz na ordem das 400 mil toneladas. O trigo, outra cultura cuja produção cresceu nas três campanhas passadas, continua a denotar défices em relação às necessidades de consumo, embora na prática o país vá reduzir em cerca de 15 a 20 porcento as necessidades de importação durante a vigência do PAPA.

Como desafios, o relatório-balanço do PAPA 2008/2010 aponta, entre outros, para a necessidade de se assegurar uma capacidade nacional de agro-processamento, sobretudo das hortícolas e do arroz, recordando que alguns produtores desaceleraram os seus investimentos em culturas como tomate, por exemplo, devido ao receio de não encontrar mercado para colocar a sua produção. Por outro lado, coloca-se o desafio de se assegurar a gestão sustentável dos regadios, no quadro dos modelos aprovados pelo Governo. Refira-se que os regadios disponíveis no país são explorados em apenas 60 porcento contra 80 porcento que seria o ideal da sua utilização.

Para a campanha 2010/2011, durante a qual se espera um crescimento generalizado da produção em áreas como cereais e culturas de rendimento, recomenda-se a provisão atempada de semente básica de milho e arroz por forma a permitir a produção de semente certificada em tempo útil, bem como a contratação de extensionistas para assistir a 400 mil famílias que constituem 10 porcento do total de produtores nacionais.

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