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Comercialização agrícola: Governo com maior acção

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JÁ existe um plano de intervenção em que o Governo, através do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM), vai de forma gradual integrar-se no processo de comercialização, numa abordagem que pretende continuar a valorizar a operação que neste momento é feita pelo sector privado, que possui um papel preponderante nesta área.

Segundo o director daquela instituição, José Meque, para a viabilização daquele plano, em que um dos maiores problemas são as vias de acesso aliado à falta de transporte, já está em marcha uma acção coordenada pelos órgãos centrais e provinciais para a melhoria das rodovias para facilitar o escoamento dos produtos, bem como estão também em curso investimentos no sector de transportes para corporizar a acção.

Falando na reunião regional-centro sobre a comercialização agrícola, que vinha decorrendo desde a passada quarta-feira, na cidade da Beira, em Sofala, Meque disse ainda que o Estado reconhece que há igualmente problemas de armazenamento de produtos cuja solução poderá ser encontrada quando a segunda fase de construção dos 39 silos, com capacidade total de 39 mil toneladas, for concluída, o que poderá minimizar a questão de pós-colheita dos camponeses.

‘’Também temos o problema de transporte que está ligado intrinsecamente às vias de acesso, mas o Governo está prestes a introduzir a cabotagem ao longo da costa, o que motiva a que o ICM estude junto do ministério de tutela para que se possa introduzir tarifas especiais nesta rota, de forma a estimular a comercialização e melhorar o escoamento dos produtos’’- disse o director-geral do ICM.

Questionado sobre a realidade actual do processo de comercialização no país, particularmente a nível das zonas rurais em que há muitos intervenientes, sobretudo de sexo feminino, o director justificou que no país há grandes empresas, agentes de comercialização que no âmbito de licenciamento simplificado possuem licença para o efeito e, ainda, o sector informal.

‘’Na essência queremos que o Instituto de Creiais de Moçambique intervenha no sentido de dinamizar o processo de comercialização, incentivando o aumento de produção adquirindo os excedentes dos camponeses, o que já não se verifica há dois anos. A exemplo disso, estamos a comprar em vários distritos do país’’- disse José Meque.

Disse que o Governo já identificou os troços mais críticos a nível do país que deverão merecer a intervenção das Obras Públicas e Habitação. Citou a estrada que liga os distritos de Macanga e Tsangano, em Tete, Montepuez/Balama/Kukwe, em Cabo Delgado e Alto-Molócuè, na Zambézia, entre outras vias algumas das quais já estão a merecer a devida intervenção.

Instado se esta intervenção do Estado poderá acabar com os actuais problemas em que os camponeses acabam ficando com os seus produtos nos celeiros chegando, e não raras vezes apodrecem por falta de compradores, por um lado e, por outro, devido a dificuldades de transporte agravadas pelas vias de acesso, o nosso interlocutor disse que não se pode analisar esta questão tomando em conta as referidas dificuldades, realçando que o plano do envolvimento do Governo visa juntamente com o sector privado garantir o escoamento dos produtos dos camponeses.

‘’A situação nossa a nível dos distritos não é linear, pelo que a normalização do processo de comercialização deverá ser de forma paulatina, pois são vários os problemas que carecem de solução como são os casos de armazenamento, vias de acesso, transporte, entre outros que serão resolvidos gradualmente para a compra e escoamento dos produtos  para que os excedentes dos camponeses não apodreçam nos celeiros’’- sustentou o director-geral do ICM.

Fonte: Jornal Noticias.

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