Escrito por Jornal Noticias Terça, 19 Julho 2011 19:45
Os gestores, técnicos e trabalhadores (GTT) têm 18 meses para manifestarem o seu interesse em adquirir as acções que lhes são reservadas no âmbito da reestruturação do sector empresarial do Estado. Está é uma das inovações do Decreto 19/20011 recentemente aprovado pelo Governo para conferir celeridade ao processo de transmissão pelo Estado das participações para os respectivos destinatários.
Ao abrigo da lei que regula o processo de reestruturação do sector empresarial do Estado, são reservados 20 porcento do total das acções para os GTT, porção que fica à guarda do Estado, para transmitir aos destinatários.
Para as reservas já feitas, a contagem é feita a partir de Maio, data da publicação do Decreto, ao passo que em relação às reservas posteriores a este dispositivo, o mesmo exercício será efectuado a partir da reestruturação da empresa.
Findo o prazo sem que os beneficiários se tenham pronunciado, o Estado reserva-se o direito de dispor da participação livremente.
O novo dispositivo legal estabelece um conjunto de incentivos com o objectivo de assegurar o alargamento da participação dos trabalhadores nas empresas detidas em parte pelo Estado. Neste momento, estima-se em mais de sete mil o número de gestores, técnicos e trabalhadores que já subscreveram as acções reservadas.
O administrador do pelouro de Planificação, Investimentos e Assuntos Corporativos no Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), Santos Gonzaga, explicou ao “Notícias” que um dos incentivos é que a simples manifestação de interesse de ficar com as acções os GTT’s beneficiam de um desconto de 30 porcento.
Para além disso, a valoração da participação é feita obedecendo a critérios contabilísticos e não do mercado, por se reconhecer que estes últimos tornariam as acções mais caras, portanto, muito acima das capacidades financeiras dos destinatários.
A outra inovação é que os beneficiários podem prescindir de 10 dos 20 porcento a si reservados para o que pagarão apenas um valor simbólico, o que abre espaço para o Estado vender o remanescente a outros interessados, a preço do mercado.
“A aprovação do Decreto 19/2011, de 26 de Maio, é mais uma tentativa de apoio aos GTT’s no sentido de poderem adquirir as participações a si reservadas, sem ter que recorrer a financiamento bancário”, referiu Santos Gonzaga.
O processo de reestruturação do sector empresarial do Estado está em curso desde a década de 90, sendo que a subscrição dos 20 porcento pelos beneficiários atravessou alguns momentos de letargia devido a vários factores.
No rol dos aspectos que emperraram a transmissão das acções, Gonzaga apontou as dificuldades de acesso ao financiamento para o pagamento ao Estado e a complexidade do processo.
“Nem sempre é fácil juntar os gestores, técnicos e trabalhadores das empresas participadas por várias razões: pode ser porque uma parte está na reforma ou porque alguns trabalhadores já faleceram”, referiu.
Recorde-se que em todo o país existem mais de 50 empresas cujas reservas de acções ainda não foram transmitidas para os destinatários.
- Os comentários publicados no “site” são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores.
- Ao comentar declara que todos os conteúdos por si enviados não infringem direito de terceiros e assume ser o único e exclusivo responsável por eventual prejuízo causado a terceiros.
- O conteúdos dos comentários não exprimem de forma alguma a opinião do Zambézia Online e muito menos a manutenção de tais conteúdos no “site” poderá ser considerada como uma concordância do Zambézia Online com relação a tais conteúdos.