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Gás natural na Bacia do Rovuma: Proposta da Anadarko à atenção do Governo

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O consorcio internacional Anadarko Petroleum, com sede nos Estados Unidos da América, apresenta este mês ao Governo uma proposta técnica e financeira para o desenvolvimento do projecto de produção, liquefacção e exportação de gás natural explorado em águas profundas na Bacia do Rovuma, na costa norte do país. Nos últimos cinco anos, e a coberto de um contrato de concessão, aquela companhia norte-americana abriu um total de seis furos de pesquisa no alto-mar, quatro dos quais acusaram a existência de gás natural, e uma presença de petróleo, embora em quantidades consideradas não comercializáveis.

Desde então decorrem estudos adicionais na área destinados a determinar as reservas de gás natural disponíveis. Paralelamente, a Anadarko e seus parceiros estão a avaliar a possibilidade da existência de petróleo na zona, em quantidades capazes de inspirar investimentos numa perspectiva comercial.

As actividades de pesquisa e desenvolvimento previstas no âmbito do projecto deverão consumir até 15 biliões de dólares norte-americanos. A ser aprovada a proposta da Anadarko, o projecto de produção e liquefacção de gás natural deverá estar operacional nos próximos sete anos, ou seja, até 2018.

Até Junho deste ano, segundo dados avançados por John Peffer, Director-Geral da Anadarko Moçambique, as operações de pesquisa e exploração na Bacia do Rovuma tinham consumido pelo menos 750 milhões de dólares norte-americanos, com indicações de que o investimento atinja os três biliões de dólares até finais de 2013, considerando a intensidade crescente que as actividades vêm tomando nos últimos tempos.

Fazendo jus à intensificação das operações, a Anadarko prevê estacionar, até finais deste ano, um segundo navio de perfuração ao longo da Bacia do Rovuma, que se vai juntar ao Belford Dolphin para a fase de desenvolvimento e pré-produção. Além da abertura de novos poços de pesquisa, a presença de um segundo navio, equipado com melhores meios tecnológicos, vai permitir que se acelere o passo na determinação da quantidade de hidrocarbonetos existentes na área.

O projecto de produção e liquefacção de gás natural a ser apresentado nos próximos dias ao Governo prevê a exploração daquele recurso no alto-mar (offshore) a profundidades que variam entre 1500 e 3000 mil metros. Os furos, segundo dados confirmados pela Anadarko, serão abertos a distâncias que atingem os 40 quilómetros da costa da província de Cabo Delgado, na área coberta pela concessão.

A ideia do projecto, segundo o Director-Geral da Anadarko Moçambique, é que o gás explorado seja convertido para o estado líquido através de processos de refrigeração, para posteriormente ser transportado em tanques especiais até aos mais variados mercados do mundo.

Mesmo sem entrar em detalhes, John Peffer disse que as operações de exportação de gás liquefeito serão feitas em plataformas portuárias a serem desenvolvidas ao abrigo do projecto, não se sabendo em que ponto da costa as mesmas serão localizadas, nem se serão ou não acopladas aos portos de Pemba ou de Mocímboa da Praia, localizados na zona da concessão.

Para o Governo, na voz do Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleos (INP), Arsénio Mabote, o mais importante em todo este processo é garantir que se acrescente valor aos recursos explorados, e que disso resultem impactos como a geração de emprego, desenvolvimento de infra-estruturas, entre outros.

 

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