TETE - Produtores de tabaco agastados com fomentadora



Escrito por jornal noticias
Quinta, 02 Junho 2011 06:13

TETE - Produtores de tabaco agastados com fomentadora
PRODUTORES de tabaco na província de Tete, estão agastados com a empresa Mozambic Leaf Tobacco por alegadamente estar a proceder, de forma errada à classificação da sua produção no acto da sua comercialização e na definição do critério da cobrança da dívida dos camponeses para a aquisição de adubos fertilizantes e pesticidas.
A maior parte dos produtores de tabaco abordados pela nossa Reportagem nos distritos de Macanga, Chiúta e Angónia, queixaram-se da má actuação dos agentes de comercialização da empresa fomentadora daquela cultura, sobretudo na classificação da sua produção. Disseram que depois de subtraírem quantidades suficientes de tabaco para a liquidação das suas dívidas, o remanescente é comprado a preços bastante baixos alegadamente por este ser de classificação inferior do abatido no pagamento das dívidas pelos insumos.
“Este problema não é novo. Em todos os encontros que mantivemos com o Comité de Arbitragem, que para nós é o órgão destacado como focal para o acompanhamento na área de tabaco, discutimos o mesmo problema relacionado com a classificação do nosso tabaco. A Mozambic Leaf Tobacco classifica melhor todo o tabaco absorvido pelo valor do empréstimo através do fornecimento de insumos e logo que o valor seja liquidado, o tabaco remanescente passa a custar um pouco mais baixo alegando baixa qualidade, pois, em vez de ser da primeira passa para segunda e, em alguns casos, para terceira categoria o que é bastante prejudicial para nós os produtores”, disse Razão Jeque, um dos agricultores em Mphandula, Posto Administrativo de Dómuè.
O nosso entrevistado acrescentou que muito tabaco fica a deteriorar-se por falta de mercado uma vez que a empresa fomentadora já cumpriu a sua meta de comercialização, obrigando os produtores a armazenar a sua produção para a campanha de comercialização a seguir.
“Porque não temos melhores condições de armazenamento, o produto acaba perdendo algumas qualidades comerciais e daí não temos dinheiro para o pagamento do pessoal que contratamos para trabalharem nas machambas e muito menos para custear as despesas correntes. A situação está cada vez mais complicada e a contribuir para o contrabando do tabaco para o Malawi e Zâmbia”, disse Razão Jeque.
Entretanto, Joaquim Cherene, administrador do distrito de Angónia, disse ao “Noticias” que o assunto é do seu conhecimento e, com o objectivo de auscultar os produtores, já foram realizados até final do primeiro trimestre do presente ano, 21 encontros de esclarecimento e foram dadas as instruções e monitoria nos centros de enfardamento sobre a comercialização daquela cultura de rendimento.
“O governo distrital já avisou a direcção da empresa para a mudança de comportamento e procurar um entendimento com os produtores sobre as formalidades de reembolso dos empréstimos alocados através de insumos agrícolas aos camponeses, porque este método de priorizar a compra apenas para a liquidação da dívida não é correcta, prejudica em grande medida os intervenientes na produção de tabaco”, disse Joaquim Cherene.
Entretanto, uma fonte da direcção da empresa Mozambic Leaf Tobacco, contactada pela nossa Reportagem, refutou as alegações dizendo que existem ao longo do Planalto de Angónia alguns intervenientes não declarados que compram o tabaco directamente dos produtores e revendem-no à sua empresa não obedecendo ás formalidades definidas na altura do fornecimento de fertilizantes, entre outros insumos como pesticidas.
“Temos conhecimento da existência de indivíduos que compram o tabaco directamente nos campos de produção no interior do distrito e até no país vizinho, Malawi, revendendo à nossa empresa. Porque houve uma produção excessiva nesta campanha, o nosso maior objectivo é protegermos os nossos produtores e, por isso, não estamos a comprar o tabaco de qualquer pessoa senão os produtores licenciados por nós, razão pela qual surgem estas más interpretações do nosso trabalho”, disse a fonte da direcção da empresa.
Sobre a politica de cobrança dos empréstimos, a nossa fonte referiu que a empresa adoptou o sistema de priorizar a dívida na comercialização para evitar a perca de grandes valores aplicados na aquisição dos insumos, principalmente adubos e pesticidas que, devido à desonestidade de alguns beneficiários, não amortizam a divida. Devido ao facto, conforme explicou, a empresa teve que recorrer, em alguns casos, às instâncias judiciais para cobranças coercivas.
Entretanto, durante o ano passado o distrito de Angónia comercializou cerca de 1.331.585 quilogramas de tabaco de um total de 13.657.600 quilogramas de produção global a valores que variavam entre 21 e 61 meticais o quilo para a variedade de Burley e entre 22 e 69 meticais o quilograma para o tabaco de variedade DFC.
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