SADC vive dinâmica do Porto de Maputo



Escrito por jornal noticias
Quinta, 02 Junho 2011 05:51

SADC vive dinâmica do Porto de Maputo
A COMUNIDADE para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) viveu ontem intensamente a actividade do Porto de Maputo. Países membros como a África do Sul, Suazilândia, Zimbabwe e Botswana enviaram representantes de entidades oficiais e homens de negócio à capital do país, para dialogar e tomar o pulso sobre a importância e os desafios que se colocam ao porto no contexto do comércio regional e internacional.
Como pano de fundo da conferência, organizada pela companhia gestora do porto (MPDC), esteve o plano director de desenvolvimento, projectado para trinta anos, cujo conteúdo e filosofia foram exaustivamente partilhados pelos presentes, na perspectiva de alertá-los sobre a sua viabilidade como rota económica no trânsito de mercadorias para o mercado internacional.
O interesse dos países da SADC pelo Porto de Maputo ganha particular relevância numa altura em que a região tem os olhos postos no grande mercado emergente da China e da Índia, cujo rápido crescimento das suas economias está a ditar uma crescente procura de matérias-primas, entretanto disponíveis na maioria dos países da África Austral.
Nas quatro comunicações feitas durante a conferência, os oradores realçaram o rápido desenvolvimento que o Porto de Maputo conheceu nos últimos tempos, particularmente desde que foi concessionado ao MPDC, que em oito anos investiu cerca de 225 milhões de dólares norte-americanos em equipamentos e modernização, resultando num crescimento exponencial dos volumes de carga transportada através daquela infra-estrutura.
Rosário Mualeia, Presidente do Conselho de Administração (PCA) dos CFM, defendeu, na ocasião, uma maior coordenação de esforços entre os diferentes intervenientes no sistema, de forma a que o aumento da capacidade de manuseamento de carga no porto, seja em função do aumento da capacidade das ferrovias de escoar, com segurança, mercadorias em cada vez maior quantidade, dos centros de produção até ao porto de Maputo.
Mualeia sustenta mesmo ser necessário resgatar para os caminhos-de-ferro as mercadorias que tendem cada vez mais a ser transportadas para o porto por via rodoviária, argumentando que o transporte ferroviário é mais barato por combinar o transporte simultâneo de grandes volumes de carga com baixos consumos de combustíveis.
Por seu turno, Siyabonga Gama, PCA da ferroviária sul-africana, Transnet (TFR), defende que os investimentos devem ser feitos em todas as componentes do sistema, de forma a evitar a ocorrência de descontinuidades no processo de desenvolvimento. Segundo ele, os países da região devem poder escolher e determinar o tipo de mercadorias que desejam colocar no porto de Maputo através das infra-estruturas do Corredor de Maputo, permitindo que qualquer das suas componentes (estrada e ferrovia) possa tirar benefício do incremento da disponibilidade de mercadorias para colocação no mercado internacional.
Para o PCA do MPDC, Jorge Ferraz, que apresentou o Plano director do porto, com os níveis de crescimento que se registam no manuseamento de carga em portos como o de Durban, é chegada a hora de grandes desafios para o porto de Maputo, que precisa crescer rapidamente para poder suprir o défice que advirá da limitação da capacidade de outros portos da região.
Relativamente ao terminal de Carvão, que manuseia a maior porção das mercadorias manuseadas no porto de Maputo, o PCA da Grindrod, uma das firmas accionistas do MPDC, disse estar em curso um estudo de viabilidade de um projecto de aumento da capacidade para 25 milhões de toneladas por ano, até ao final da implementação do plano.
Para o Ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, presente na sessão de encerramento, o porto de Maputo deve ser visto como um ponto de desenvolvimento inclusivo, onde os pequenos e os grandes encontrem espaço para desenvolver o seu negócio. Segundo ele, o Porto de Maputo deve se assumir como um factor decisivo para a integração regional, por ser um complemento indispensável do esforço dos restantes países membros da SADC.
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