Actualizado em Quinta, 26 Maio 2011 06:35 Escrito por jornal noticias Quinta, 26 Maio 2011 06:15
Peso do sector agrário baixa nas exportações
O SECTOR agrário do país tem vindo a registar uma redução do seu contributo nas exportações de bens, embora seja o que emprega maior percentagem da população economicamente activa. Por conseguinte, as exportações resumem-se hoje a uma forte dependência dos megaprojectos.
Para reverter tal cenário, impõe-se a necessidade de incentivar a emergência de uma base alargada de exportadores. Esta é a constatação feita ontem, em Maputo, pelo Instituto de Promoção de Exportações (IPEX), numa dissertação sobre o papel do agro-negócio no desenvolvimento das exportações apresentada no contexto do I Fórum Nacional de Agro-Negócios.
Segundo o Presidente do Conselho de Administração do IPEX, João Macaringue, razões conjunturais e de mercado estão na origem da fraca contribuição do sector para as exportações. Esta situação afecta grande parte dos produtos tradicionais de exportação.
A título de exemplo, no sector algodoeiro houve uma redução do valor obtido com a exportação da fibra em 44 porcento, reflectindo o efeito conjunto da queda do respectivo preço médio internacional em cinco porcento, para uma média de 1,1 dólar por tonelada e uma redução da quantidade exportada de 41,7 porcento para 22.4 mil toneladas.
A mesma constatação indica que no sector açucareiro houve uma queda de quantidades exportadas e o respectivo preço médio no mercado preferencial europeu. Foram exportadas para o mercado preferencial da União Europeia 122 mil toneladas de açúcar amarelo, menos 9,5 porcento comparativamente a 2008, ao preço médio de 478 dólares por tonelada, inferior ao registado em 2008, o que determinou a redução da receita em 18,3 porcento.
Também abrandaram as exportações de madeira, de amêndoa e castanha de caju e do tabaco, facto também associado à lenta recuperação dos mercados internacionais face à crise financeira.
Como parte da solução, a nível interno, segundo João Macaringue, é preciso rever alguns constrangimentos que caracterizam as exportações, como sejam o baixo volume de produção de qualidade, fraco cumprimento dos requisitos de acesso aos mercados, baixa quota das exportações das pequenas e médias empresas, pouca diversificação dos destinos e dos produtos, de entre outros aspectos.
Para o IPEX, o país deve dispor de uma estratégia nacional para as exportações além da promoção de uma melhoria do ambiente de negócios através da remoção dos constrangimentos que influenciam negativamente as exportações para que cada vez mais produtores, incluindo os pequenos, possam aceder aos mercados.
Falando na abertura do encontro, o Primeiro-Ministro, Aires Ali, desafiou os agentes económicos do sector a capacitarem-se, aproveitando as oportunidades que se oferecem para a participação mais activa no aumento da produção e produtividade.
Segundo indicou, apesar da conjuntura internacional adversa, o ambiente de negócios no país é bom, exigindo, porém, um maior enquadramento dos diferentes intervenientes da cadeia de valor.
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