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Gorongosa processará ouro em forma industrial

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ARRANCAM em Outubro deste ano os primeiros testes da fábrica de processamento de ouro na vila de Gorongosa, em Sofala. Trata-se da primeira das três unidades industriais deste ramo mineiro a ser instalada na região até Julho próximo com capacidade de produzir diariamente entre 300 e 400Kg cada, o que vai criar entre 10 e 20 mil postos de trabalho, maioritariamente para a comunidade local. Até 2015 espera-se que as três projectadas fábricas produzam em simultâneo aproximadamente uma tonelada de ouro por dia, cujo mineral se destina essencialmente para exportação no mercado asiático, num investimento chinês que se prevê produza durante os primeiros três anos cerca de 100 mil dólares para depois atingir 1.5 milhão.

Com efeito, uma equipa multissectorial do Governo em Sofala, composta pelas direcções provinciais dos Recursos Minerais e Energia, Coordenação para Acção Ambiental e das Obras Públicas e Habitação trabalha hoje no terreno, em consulta comunitária para se definir as regras básicas no reassentamento das famílias contempladas na área concessionada pelo Conselho de Ministros aos operadores externos, num contrato válido por um período de 25 anos renováveis.

Falando ontem em exclusivo ao “Notícias”, a directora dos Recursos Minerais e Energia em Sofala, Cândida Aurora Cumbe, ressalvou que neste momento ainda não se conhece o número certo das famílias a serem movimentadas, mas avançou que os investidores denominados HUAAN Minerais de Moçambique garantem indemnizar os visados para abandonarem as respectivas casas melhoradas e árvores de fruta nas áreas previstas.

Além disso, as comunidades abrangidas vão beneficiar também da construção de casas de material convencional de tipos-2 e 3, cujas obras arrancam dentro de dias num novo bairro de reassentamento que inclui uma área reservada para actividade agrícola prontamente identificada pelas autoridades administrativas de Gorongosa.

Ainda na componente de responsabilidade social, o referido mega-projecto prevê construir na vila autárquica de Gorongosa diversas infra-estruturas, com destaque para um supermercado, cadeia de hotéis e condomínios, sendo que os mesmos operadores devidamente licenciados já se encontram no terreno para o primeiro contacto do arrolamento das famílias por reassentar.

Depois disso vai ser construído o acampamento para a colocação dos equipamentos e materiais para a construção da primeira fábrica de ouro.

Sobre o assunto, o administrador de Gorongosa, Simões Zalembessa, disse ao nosso Jornal que o projecto abrange uma área de 25 mil hectares, sendo 20 mil na sua zona de jurisdição e os restantes cinco na vizinha Macossa, em Manica, e vai efectivamente impulsionar a vida dos residentes locais, numa altura em que o processamento de ouro decorre de forma artesanal intensa pelas comunidades ao longo do  rio Muera.

Assim, ele acredita que com o funcionamento das projectadas três fábricas se venha a resolver definitivamente a crónica situação do garimpo ilegal, que grassa sobremaneira a região.

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