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Exportação do carvão de Benga: Utilização do Zambeze decidida dentro de meses

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Exportação do carvão de Benga: Utilização do Zambeze decidida dentro de meses

O GOVERNO poderá pronunciar-se, dentro de meses, sobre a viabilidade ambiental do projecto de escoamento do carvão mineral de Benga, em Tete, através do rio Zambeze. Com efeito, teve lugar sexta-feira, em Maputo, a última reunião de consulta pública para o enriquecimento do estudo do impacto ambiental, cujo esboço deverá ser submetido próximo mês ao Conselho de Ministros.
A utilização do rio Zambeze na exportação do carvão decorre das limitações da linha-férrea de Sena, ligando a zona mineira de Tete e o Porto da Beira. A capacidade da ferrovia está calculada em cerca de seis milhões de toneladas por ano, um volume considerado irrisório, tendo em conta a necessidade de partilha do seu uso com outros operadores mineiros.

Foi em face destas limitações que a Riversdalle Moçambique, Limitada, concessionária dos jazigos de Benga, contratou a Environment Resources Management Sothern Africa para, em parceria com a Impacto Associados, desenvolver estudos de impacto ambiental, cujos resultados não mostram grandes inquietações.

O anteprojecto submetido à apreciação da sociedade civil moçambicana fala de impactos mínimos no meio ambiente por duas razões. A primeira porque o transporte fluvial não vai implicar alterações no regime hidrológico do Zambeze e, a segunda, porque embora estejam previstas dragagens, os sedimentos resultantes deste processo serão movimentados dentro do próprio leito.

Segundo explicações avançadas por Vítor Hugo Nicolau, consultor que apresentou os estudos, a alteração do regime hidrológico e as dragagens são dois factores determinantes para a ocorrência da restante cadeia de impactos possíveis no transporte fluvial.

Refira-se que entre os receios que vinham sendo manifestados pela sociedade civil, nas consultas públicas deste projecto, constavam a probabilidade de o transporte fluvial poder afectar a pesca, ocorrência de derrames de petróleo, bem como a propagação de poeiras de carvão. Estes aspectos, segundo a consultoria, estão acautelados.

Em relação à possibilidade de derrame de petróleo, a consultoria tranquilizou referindo que a Riversdalle vai encomendar barcos com depósitos de combustíveis compartimentados para assegurar que em caso de acidente o despejo ocorra apenas num dos pequenos tanques.

Vítor Nicolau admitiu que há três áreas que estarão sob pressão permanente do ponto de vista ambiental, nomeadamente Benga, que é lugar de chegada e saída de barcaças, Mutarara, zona intermédia de carga e descarga e Chinde, onde estará atracado um navio armazém, donde partirão as exportações do carvão.

O carvão será transportado num “comboio” de pequenas embarcações sem motor, até oito unidades, empurradas por um barco apropriado. Cada uma das barcaças pode carregar 2 500 toneladas.

Caso seja aprovado, o transporte fluvial vai minimizar os problemas logísticos para o escoamento deste mineral, enquanto não for construída uma linha-férrea de Moatize ao Corredor do Norte para o aproveitamento do Porto de Nacala.

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