Nos próximos quatro anos: Ajuda britânica a Moçambique supera 330 milhões de libras



Escrito por nelson
Sexta, 15 Abril 2011 08:47

UM total de 330 milhões de libras esterlinas é quanto o Governo britânico vai providenciar a Moçambique nos próximos quatro anos, no quadro da assistência bilateral. A informação foi avançada ontem, em Maputo, pelo alto-comissário do Reino Unido, Shaun Cleary, durante a realização do Fórum da Comunicação Social sobre o Impacto da Crise Financeira Europeia na Ajuda ao Desenvolvimento em Moçambique.
O encontro, que juntou editores e directores dos órgãos de comunicação social de quase todo o país, visava, entre outros objectivos, proporcionar aos profissionais dos media uma compreensão mais desenvolvida sobre a dimensão do impacto da crise em Moçambique.
Durante a sua intervenção, Shaun Cleary reiterou que o Reino Unido está a aumentar a ajuda ao desenvolvimento global em 0,7 porcento do seu PIB, não obstante o facto das fortes pressões financeiras que o Governo e os britânicos enfrentam como resultado da crise global.
A fonte sublinhou também que os acontecimentos recentes no norte de África e no Médio Oriente demonstram o quanto é crítico que o Reino Unido aumente o seu enfoque em ajudar os países a construírem sistemas políticos abertos e responsáveis, combater as causas das fragilidades e capacitar os cidadãos para exigirem a prestação de contas por parte de seus governos. “É o melhor investimento que podemos fazer para evitar a violência e proteger os mais pobres e vulneráveis”, disse Cleary.
Ainda durante o encontro, várias questões foram levantadas pelos jornalistas sobre o impacto da crise financeira europeia na ajuda ao desenvolvimento de Moçambique. A principal questão, neste momento, é até que ponto o país poderá aguentar que de crise em crise se anunciem medidas de resposta.
O debate indica igualmente que, mais do que nunca, o país deve pensar em medidas de resposta estrutural e não conjuntural.
No que toca à agricultura, por exemplo, uma das questões levantadas é que o sector é, pelo menos em termos constitucionais, a base do desenvolvimento, mas na prática tal posicionamento nunca se transformou em realidade.
Muitos editores mostraram-se divididos sobre a eficácia das medidas tomadas pelo Executivo. Na verdade, alguns até receiam que elas possam ter efeito perverso, ou seja, trazer uma mensagem errada de que nas cidades há cabaz e, por conseguinte, atrair-se mais pessoas do campo para a cidade.
Os debates também tocaram aspectos relacionados com o actual discurso do Presidente da República. É que, há dias, o Chefe do Estado voltou a se referir à importância da jatropha no combate à pobreza e na mitigação dos efeitos da crise dos combustíveis.
Os jornalistas entendem que o discurso sobre a jatropha já estava fora da agenda do Chefe do Estado e no momento actual pode ofuscar a mobilização da população para a produção de alimentos.
Tomás Viera Mário, um dos organizadores do evento, considerou que o encontro de ontem permitiu um debate muito profundo, para além de ter servido de uma oportunidade para a reflexão sobre se as respostas à crise financeira são suficientes ou se “precisamos de tomar medidas estruturais de fundo que levem o país a ser auto-suficiente na sua alimentação”.
Fonte: Jornal Noticias.
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