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Vale quer apostar no sector de energia

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[José Carlos Martins director-executivo de Marketing da Vale]
Mineradora brasileira vai deixar de produzir energia apenas para o auto-consumo e fazer do sector uma oportunidade de negócios A decisão de tornar a energia num negócio lucrativo tem como pano de fundo a visão de que o crescimento da economia mundial vai exigir uma geração cada vez maior de energia.

A mineradora brasileira Vale, que desenvolve um projecto de carvão, em Tete, vai deixar de produzir energia apenas para o auto-consumo e fazer do sector uma oportunidade de negócios.

De acordo com o director-executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da empresa, José Carlos Martins, este sector já é responsável por quase 4% da receita bruta da companhia em todo o mundo.

“Somos uma empresa de recursos naturais. Energia encaixa-se perfeitamente nessa vocação”, disse José carlos Martins, em entrevista à agência brasileira Estado.

Em Moçambique, a Vale tem o projecto de construção de uma central térmica, em Tete, onde prevê produzir energia para o consumo da empresa assim como para o abastecimento das populações locais.

A decisão de tornar, no futuro, energia um negócio lucrativo tem como pano de fundo a visão de que o crescimento da economia mundial, puxado pela China, vai exigir uma geração cada vez maior de energia. Segundo Martins, ainda existe muitos recursos naturais que podem ser explorados para gerar energia e atender à crescente demanda.

De acordo com o representante, quando se fala em procurar petróleo a sete mil metros de profundidade tem de se pensar em vários milhões de dólares em investimentos. Diante desse cenário de custos elevados na produção, a Vale acredita que a demanda por projectos geradores de energia renovável cresce e torna-se mais rentável.

Segundo Martins, o sucesso dessa estratégia está no investimento em componentes de “altíssima” tecnologia. “Estamos investindo forte nesse processo”, diz o director, ao explicar que são projectos de clonagens ou de tecnologia de processos para aumentar o rendimento da energia produzida. Actualmente, os gastos com energia representam quase 20% dos custos da companhia.

Sua principal concorrente, a mineradora anglo-australiana BHP Billiton, já está no sector energético há anos. Mas Martins destaca diferenças entre a visão das duas companhias. “A BHP está em energia fóssil (petróleo). O nosso grande foco como business é a energia renovável”, explica.

O primeiro passo nessa direcção foi dado em fevereiro passado com a compra da Biopalma da Amazônia por 173 milhões de dólares. Trata-se de uma empresa produtora de óleo de palma, matéria-prima para a produção de biodiesel.

Desde 2007, a mineradora já desembolsou mais de 2 biliões de dólares em projectos de energia. Para este ano estão orçados 794 milhões de dólares.

De recordar que a Vale é uma das mais importantes mineradoras que operam em Moçambque e prevê iniciar a exportação de carvão mineral ainda este ano.

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