Disponíveis novas variedades de batata de polpa alaranjada



Escrito por jornal noticias
Terça, 08 Março 2011 07:06

DUZENTAS mil famílias camponesas poderão aderir este ano ao plantio da batata-doce de polpa alaranjada, no quadro dum projecto de disseminação dum total de 15 variedades libertas semana passada, pelo Instituto de Investigação Agronómica de Moçambique em parceria com o Centro de Produção da batata (CIP).
Trata-se de variedades tolerantes à seca e de alto rendimento, produzidas no esforço da investigação nos últimos quatro anos. Isabel Andrade, representante do Centro Internacional da Batata, disse que os rendimentos são três vezes superiores em relação às ramas usadas actualmente pelos camponeses, para além de alto teor de vitamina A.
Neste momento, existem ramas em multiplicação em oito hectares, o que significaria a cobertura duma área no campo do agricultor de cerca de 120 hectares. Numa primeira fase deverão ser cobertas dez mil famílias, vindo a atingir 200 mil em 30 distritos, até Dezembro.
“Já temos financiamento assegurado para o efeito e vamos utilizar um sistema de produtores de ramas comerciais estabelecidos na comunidade que vão servir produtores à volta e isso vai ter um desempenho diferente porque é produzida e distribuída na comunidade. Logo que chegarem as primeiras chuvas estaremos a distribuir e depois vamos para outros trinta distritos”, disse.
Neste quadro, segundo a fonte, num período de dois anos deverão ser cobertas 400 mil famílias em 60 distritos.
Na óptica da chefe do Departamento de Transferência de Tecnologias no Instituto de Investigação Agrária de Moçambique, Anabela Manhiça, a cultura foi seleccionada como sendo uma das mais importantes para a mitigação da segurança alimentar e má nutrição a nível nacional e também para a geração de renda para o sector familiar.
Acrescentou que o projecto constitui um grande desafio no que se refere à transferência de tecnologias. Estão a ser investidos cerca de 1,5 milhão de dólares, financiado pela USAID.
O estudo foi iniciado em 2005 e só em finais de 2009 é que foram conhecidos os primeiros resultados. Para o efeito, foi usada a técnica de melhoramentos acelerados.
O Centro Internacional da Batata (CIP) tem estado a trabalhar em Moçambique desde 1996 e inicialmente o trabalho consistia em trazer material vegetal de fora para o estabelecimento de ensaios de adaptação e o mais promissor era multiplicado e distribuído pelos agricultores.
“Com o tempo e seca verificamos que alguns dos nossos materiais não podiam competir com algum na posse do agricultor, mas que infelizmente era de polpa branca. Foi neste sentido que em 2005, com apoio da Fundação Rockfellers, iniciámos um programa de melhoramento genético pela primeira vez em que cruzámos o material que colhemos no campo do agricultor com material promissor, mas de polpa alaranjada”, explicou Isabel Andrade.
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