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Mega-projectos conduzem populações ao empobrecimento

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O economista João Mosca faz um retrato sombrio do futuro das populações rurais em volta dos grandes empreendimentos

Crescem as questões em torno dos reais benefícios do país nos projectos de exploração de recursos minerais, sobretudo para as populações locais. O economista João Mosca faz um retrato sombrio do futuro das populações rurais em volta dos grandes empreendimentos, concluindo que as mesmas só vão acumular prejuízos e empobrecer mais com a implementação destes empreendimentos. O economista e docente universitário, João Mosca, considera que a forma como estão a ser desenvolvidos os mega-projectos, em Moçambique, vão conduzirem as populações locais ao empobrecimento e não ao empoderamento das suas vidas como se estima. O académico refere que há marginalização das comunidades no processo de desenvolvimento das grandes empresas, sobretudo as ligadas à exploração do carvão, não se prevendo mecanismos de as adoptar de capacidade para tirar proveito dos rendimentos e dos serviços que devem ser prestados aos empreendimentos.

Associam-se problemas ligados aos benefícios sociais que devem ser concedidos a constrangimentos existentes no processo de reassentamento das populações – onde regista alguma insatisfação dos nativos nos moldes que é feito e pela ausência de infra-estrutura básica nos locais em que são reassentados – passando por fraca capacidade dos projectos em absorver a mão-de-obra considerável na fase de operação.

“Se este conjunto de factores negativos continuar a acontecer, nada indica que possamos olhar para o futuro e dizer que a partir dos grandes projectos estaremos em condições para desenvolver as zonas em que estão a ser implementados. Estes projectos vão empobrecer o meio rural e degradar todo um conjunto de recursos naturais, para além de intensificar a pressão sobre os mesmos recursos. Resumindo, não vão dinamizar o surgimento de uma classe empresarial pequena e média, pelo contrário vão atrofiar o desenvolvimento”, acusou Mosca.

O investigador diz que já há efeitos negativos da implementação destes projectos em Moatize, província de Tete, dada a inflação que já se regista nos municípios de Tete e Moatize, culpa da grande procura de produtos e serviços escassos provocada pelos grandes empreendimentos. Esta situação vai agravar ainda mais o poder de compra nos locais, que já é baixo, e penalizar os pobres que residem nestas zonas”, concluiu.

Paradoxo de abundância de recursos minerais

João Mosca alerta que com a continuação das irregularidades na implementação dos grandes projectos, o país caminha em direcção ao famoso paradoxo de abundância de recursos minerais, que consiste na existência de companhias que enriquecem, explorando grandes reservas de minérios, mas que à sua volta permanecem comunidades pobres e que não beneficiam da riqueza criada por recursos que ocorrem nas suas zonas de origem.

O antigo governador do Banco de Moçambique, Sérgio Viera, também questiona os modos que serão usados para que as multinacionais deixem, no país, parte da riqueza que exploram. “Quem é que controla o que estes grande projectos estão a fazer”, perguntou o veterano de luta de libertação nacional, intrigado com a falta de envolvimento de técnicos moçambicanos na implementação destas iniciativas pelo facto de não se ter feito um plano de aproveitamento das oportunidades.

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