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A INSTALAR NO PAÍS: Indústria de vagões viável para a SADC

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A REGIÃO austral de África (SADC) tem mercado e necessidades que justificam a instalação de uma indústria de vagões em Moçambique. Esta convicção foi manifestada pelo Ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, a-propósito da recente assinatura, do acordo para a implantação de uma unidade de especialidade, numa acção conjunta entre Moçambique e Portugal. O acordo foi alcançado no quadro da visita que o Ministro português das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça, efectuou ao nosso país.

Não foram avançadas datas para a instalação da referida unidade industrial, mas o governante moçambicano sublinhou que Moçambique tem todo o interesse em que isso aconteça o mais rapidamente possível, pois, além da perspectiva de fazer com que o país disponha de vagões para dar vazão às necessidades de escoamento do carvão mineral a ser produzido na província de Tete, há o interesse de responder à demanda regional de transporte ferroviário. Com efeito, enquanto o Botswana descobre novas reservas de carvão mineral, países como os vizinhos  Zimbabwe, Zâmbia  e Malawi aumentam os  seus investimentos nos  caminhos-de-ferro, quando na verdade apenas a África do Sul é o único país capaz de fornecer vagões para alimentar a previsível procura.

Nos termos do acordo rubricado entre Zucula e Mendonça, os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário de Portugal (EMEF) têm a responsabilidade de dar os passos seguintes com vista à constituição da empresa.

“Acreditamos que nos próximos 40 a 50 anos não haverá problemas de mercado para vagões, uma vez que só a África do Sul é que os produz, numa altura em que temos informações sobre pedidos que são tantos que eles próprios já não conseguem dar vazão. Portanto, há mercado para tornar essa empresa viável”, disse Zucula, para quem investir em Moçambique é investir na SADC.

Segundo projecções do Governo, o país vai necessitar de pelo menos 600 vagões nos próximos cinco anos para fazer face às necessidades de transporte do carvão mineral a ser produzido a partir de meados deste ano em Tete.

Actualmente o carvão mineral ocupa o maior volume de carga sul-africana transportada por via ferroviária até ao Porto do Maputo, com a particularidade de nesta actividade serem usados vagões sul-africanos. Com o programa de recuperação em curso, pretende-se que, a pouco e pouco, os CFM possam colocar alguns vagões seus no sistema, o que poderá contribuir para a redução dos custos com o aluguer do material circulante à África do Sul.

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