Dinamismo agrícola acelera crescimento da economia



Escrito por jornal noticias
Sexta, 11 Fevereiro 2011 08:57

O dinamismo da actividade económica em Moçambique é “transversal” a todos os sectores, destacando-se o agrícola, pelo contributo que está a dar a um crescimento da economia muito acima da média da região, de acordo com o banco português BPI.
“Condições climatéricas favoráveis, bem como a ênfase que tem sido posta no investimento e na reorganização do sector justificam este comportamento” de destaque da agricultura moçambicana, referem os analistas do BPI no seu mais recente relatório sobre o país, divulgado na semana passada.
Em 2010, o ritmo de crescimento económico rondou 8 porcento, “superando mais uma vez as expectativas”, que eram de 6,2 porcento, a nível oficial, adiantam.
“A recuperação da economia global reflectiu-se também na retoma das exportações e no maior contributo da produção dos designados grandes projectos, destacando-se o alumínio, energia eléctrica e também o gás natural”, segundo o relatório.
“O desenvolvimento do sector agrícola deverá constituir uma prioridade entre as políticas governativas, uma vez que o crescimento do sector se afigura como uma importante ferramenta no combate à redução dos níveis de pobreza”, adianta o BPI.
O desenvolvimento do sector, salienta, permite também diminuir a dependência alimentar face ao exterior, que pesa nas contas externas moçambicanas.
A agricultura contribuiu com 3 pontos percentuais, ou 37,5 porcento para o crescimento do PIB durante os primeiros nove meses de 2010.
Entre os outros sectores, destacam-se os contributos no ano passado dos Transportes e Comunicações (1,1 porcento do crescimento do PIB), Comércio e Serviços de Reparação (1 ponto percentual) e Serviços Financeiros (0,9 porcento).
Estes sectores “reflectem o dinamismo da procura interna, em particular dos principais centros urbanos, não sendo de esperar uma desaceleração durante os próximos meses”.
A indústria mineira representa actualmente 1,2 porcento do PIB, mas nos próximos anos espera-se que “aumente significativamente o seu peso, dadas as perspectivas de produção”.
Entre os grandes projectos ligados a este sector destaca-se a extracção de carvão, esperando-se que nos próximos dois anos entrem em fase de exploração cinco novas minas.
Em Maio do ano passado foi atribuída uma nova licença de produção à empresa australiana Bracon Hill Resources, na zona de Moatize, que já declarou ter encontrado reservas adicionais, mas em fase avançada no terreno estão também a Nippon Steel, Riversdale Mining e a Tata Steel.
“Os projectos em desenvolvimento relacionados com a exploração de carvão irão tornar Moçambique um dos maiores produtores mundiais deste produto, o que deverá conduzir a um aumento das exportações”, sublinha o BPI. No futuro próximo espera-se também o crescimento do contributo da Agricultura, Construção, “dado que o desenvolvimento de infra-estruturas básicas deverá continuar a ser uma prioridade do governo”, incluindo a Energia, devido ao aumento da capacidade de produção de Cahora Bassa e à construção da nova barragem de Mphanda Nkuwa.
Para o BPI, a evolução da economia moçambicana vai continuar a “surpreender favoravelmente, suplantando os seus pares na região”, um cenário que tem “subjacente a progressiva entrada em funcionamento de diversos grandes projectos, sobretudo nos sectores energético e de exploração mineira”.
Na lista incluída na mais recente edição do estudo “Doing Business” do Banco Mundial, Moçambique subiu quatro posições, para a 126ª entre 183 países.
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