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Companhias mineiras poderão gerir a Linha de Sena

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Há condições para as companhias mineiras, sobretudo a Vale e Riversdale terem a concessão da gestão da Linha de Sena, dada a alegada incapacidade do consórcio indiano em reabilitar a infra-estrutura. Isto pode reduzir os custos para as companhias, porque não se fala mais em tarifas. Mas, será que há tempo suficiente para não comprometer o escoamento do carvão de Moatize?

 

 

 

 

 

 

 

 

Os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) desmentiram, esta semana, o consórcio indiano, ao revelarem que a Linha de Sena não está pronta e que os seus parceiros indianos tinham sido já notificados pelo Governo, a 24 de Dezembro de 2010, no sentido de que, volvidos 90 dias sem que terminassem as obras de reabilitação da linha, iria rescindir o contrato assinado com os indianos em 2004. Tudo, porque os cocessionários não estão a conseguir reabilitar, desde 2008, uma linha estratégica para o escoamento do carvão de Tete, cujas previsões para o início das exportações apontam para finais do primeiro semestre deste ano.

O PCA dos CFM, Rosário Mualeia, garante que os seus parceiros não conseguem concluir a reabilitação da linha de Sena até 24 de Março de 2011, por incapacidade técnica e financeira, devendo, por isso, devolver a gestão da linha à empresa pública, a 24 de Abril de 2011. Só a partir desta data é que os CFM deverão iniciar os trabalhos tendentes à conclusão da linha, esperando terminar em Junho de 2011 – a tempo de servir os interesses de transporte de carvão da Vale e Riversdale de Moatize ao Porto da Beira, previstos para Setembro. Agora, onde é que Rosário Mualeia irá buscar dinheiro para financiar a reabilitação desta linha e será que a empresa pública terá capacidade para reabilitar totalmente, em apenas dois meses, uma infra-estrutura que durou mais de três anos a ser reabilitada.

O futuro da linha pode passar pelas companhias mineiras

O Governo optou por concessionar a gestão das linhas e portos, em Moçambique, por incapacidade financeira do mesmo e dos próprios CFM, o que indica que não tem dinheiro para investir na infra-estrutura, e terá, por isso, que recorrer ao financiamento externo para executar as obras de reabilitação. A questão que se levanta tem a ver com a acessibilidade dos créditos concessionais no mercado internacional. Onde o Governo irá buscar o financiamento necessário?

Com ou sem acessibilidade de financiamento externo, as companhias mineiras, Vale e Riversdale, poderão assumir as despesas de reabilitação da linha de Sena, porque é também dos seu interesse que a mesma fique pronta a tempo de não comprometer as exportações de carvão. Isto é o que vai acontecer em relação à Linha de Nacala, onde a Vale adquiriu 51% das participações da Sociedade de Desenvolvimento do Norte (SDN) com vista a injectar capital para o processo de reabilitação e construção da Linha Moatize – Nacala, passando por Malawi.

Aliás, a Vale prefere operar nestes moldes nos países em que opera. Pelo menos as suas explorações no Brasil e na Austália contemplam o trabalho nas minas, a gestão das ferrovias e das locomotivas usadas para o transporte dos minérios que extrai.

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