Escrito por Jornal o Pais Sexta, 28 Janeiro 2011 06:01

O já conhecido défice da produção agrícola pode agudizar-se em Moçambique, sobretudo na região sul, onde as chuvas não páram de cair nos últimos dias.
Algumas culturas das zonas de grande potencial de produção agrícola, caso do distrito de Chókwè, na província de Gaza, Matutuíne, Boane, Moamba, Marracuene, na província de Maputo, entre outras, estão submersas. Em algumas destas partes, a actividade agrícola está interrompida, porque as chuvas não dão espaço para a lavoura. Alguns agricultores já não acreditam no cumprimento das metas de produção previamente estabelecidas para a presente campanha agrícola. Para outros, “passa a tempestade e vem a bonança”, isto é, há possibilidade da presente época agrícola vir a ter sucesso.
Os últimos dados de Chókwè, distrito conhecido pelo grande potencial na produção do arroz, revelam números interessantes sobre as metas produtivas e as perdas de diversas culturas que aconteceram até à semana passada.
A meta de produção de arroz era de sete mil hectares (ver infografia), dos quais foram lavrados 4 395 hectares, semeados mais de 2 850 hectares e uma área perdida de dois hectares. Com estes resultados, espera-se uma colheita de 2 850 hectares, portanto muito menos do que o planeado (sete mil).
A situação é a mesma em relação a outras culturas, que incluem o milho e o tomate, cuja meta tinha sido fixada em 1 500 hectares, com 235 hectares de área perdida, esperando-se colher apenas 527 hectares.
Entretanto, a situação de Chókwè é parecida com a dos outros distritos, mas há que considerar que a destruição das culturas agrícolas não afecta todos os produtores, já que o maior potencial está nas zonas altas, para além de que as regiões centro e norte do país – as mais produtivas – ainda não registam situação grave, razão que explica o optimismo do Ministério da Agricultura ao afirmar que a produção agrícola global não vai baixar.
Situação pode piorar
Informações recentes, fornecidas pela Direcção Nacional das Águas, indicam que até ao final da passada segunda-feira a bacia hidrográfica do rio Limpopo, no Distrito de Chókwè, continuava acima do nível de alerta. A situação é comum a das bacias do rio Incomáti, na província de Maputo, e do rio Púnguè, em Mafambisse, Sofala, e já levou o Governo a decretar um alerta vermelho institucional, que se direcciona às instituições que lidam com as calamidades, de modo a prepararem-se para eventuais catástrofes.
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