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Banco Central vai lançar a mão sobre o mercado

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O governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove, é um homem feliz perante os indicadores económicos actuais. No XXXV Conselho Consultivo do Banco Central, em Inhambane, prometeu esforços para manter a moeda estável e travar a inflação. Duas promessas perigosas para quem não produz petróleo.

Em 2010, os maus sinais revelaram-se logo no primeiro trimestre. O atraso nos desembolsos da ajuda externa, factor insistentemente apontado pelo Banco Central como um dos principais motivos da instabilidade económica, a depreciação do metical e a inflação empurraram a economia nacional ao mau desempenho. A alta de preços conduziu à agitação social de 1 e 2 de Setembro e à forte depreciação do metical perante o dólar, euro e o rand descredibilizou toda a política monetária.

Como evitar uma reedição deste cenário num ano em que os sinais ainda são mistos? Como evitar que o preço do petróleo, que já chegou perto dos 100 dólares face aos 77,5 previstos no Plano Económico Social para 2011, não derrube as previsões da taxa de inflação e de crescimento global da produção?

No XXXV Conselho Consultivo do Banco de Moçambique, que termina hoje, na cidade de Inhambane, Ernesto Gove deixou sinais optimistas e, sobretudo, procurou reconciliar-se com os empresários. O governador do Banco Central afirmou que irá orientar todas as intervenções “para a estabilidade da taxa de câmbio e esterilização de recursos ociosos geradores de inflação e de desperdício da exígua poupança financeira que o país possui”.

Disse também que vai lançar a mão sobre o mercado, através dos vários instrumentos à disposição do Comité de Política Monetária, visando a regulação da liquidez e, por esta via, contribuir para a estabilidade do metical.

As respostas levam Gove a entender que “há justificadas razões para os agentes económicos acalentarem expectativas optimistas do comportamento do metical, particularmente neste primeiro trimestre, que acaba sinalizando as tendências gerais para todo o ano”.

A 31 de Dezembro passado, o dólar americano fechou a 32.84 meticais, depois de atingir quase 40 meticais no terceiro trimestre de 2010. Neste ano, a depreciação acumulada foi de 19.3%, após cerca de 9% em 2009.

A inflação saiu também do controlo do órgão regulador. Determinados pelo défice de produção interna, os preços dos produtos alimentares básicos e bebidas não alcoólicas tiveram um peso importante no bolso do cidadão. Até porque Moçambique foi o país da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral – SADC - onde os preços mais subiram durante todo o ano de 2010.

O governador do Banco de Moçambique reage e diz que a situação sugere a necessidade de tomada de medidas “enérgicas” e coordenadas de política de forma a contrariar com consistência esta mesma tendência. Ajunta que a meta de inflação estabelecida para o presente ano requer um concertado esforço de coordenação das políticas fiscal, monetária e sectoriais, que estimulem a produção e a contribuição, em maior escala, das pequenas e médias empresas no PIB.

Gove diz ainda que o desafio deve ser encarado por todos, desde instituições de gestão macroeconómica, sector privado e sociedade em geral. O Banco de Moçambique começou por fazer a sua parte logo ao princípio deste ano. Reviu em alta as taxas de referência, um mecanismo para aumentar as taxas de juro e travar a subida de preços. A intervenção no mercado suscitou uma forte contestação do sector privado, que defende que a medida agride a actividade empresarial. O Banco Central responde que “conter a inflação em níveis baixos e controlados favorece o ambiente de negócios e a atracção de novos investimentos, necessários para a multiplicação da produção, criação de emprego e geração de rendimentos, para além de promover uma redistribuição menos assimétrica destes mesmos fluxos”.

Combater a inflação, ainda segundo aquela instituição, contribui para a poupança das famílias, empresas e Estado, o que permite a realização de mais investimentos.

Às instituições de crédito, o órgão regulador pede opções mais rigorosas na concessão de empréstimos, quer dizer, “a selecção de projectos com viabilidade económica, financeira e social deve sobrepor-se ao estigma do mero consumismo e alocação não eficiente de recursos”.

Mais bancos

O porta-voz do Banco Central confirmou que a instituição autorizou, no ano passado, a entrada em funcionamento do Banco Nacional de Investimentos (BNI) e do Banco Único. O BNI é uma instituição financeira criada por Moçambique e Portugal para financiar importantes projectos de desenvolvimento. Os accionistas são: governo moçambicano (49.5%), governo português (49.5%) e BCI (1%). Com um capital de 500 milhões de dólares, o BNI será dirigido por Adriano Maleiane, o governador do Banco de Moçambique anterior a Ernesto Gove.

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