Para travar aumento dos preços: Medidas tomadas foram insuficientes



Escrito por jornal noticias
Quinta, 27 Janeiro 2011 06:56

O BANCO de Moçambique (BM) admite que apesar de as medidas adicionais de natureza fiscal, orçamental e monetárias tomadas pelo Governo para prolongar o subsídio aos preços de combustíveis líquidos e produtos alimentares terem sido importantes para amortecer a pressão inflacionária, elas foram insuficientes para anular o surto inflacionário e a pressão sazonal associada à quadra festiva. Basta relatar que a inflação registada no país em 2010 foi a mais elevada entre os países da SADC, situação que, na óptica do Banco Central, sugere a necessidade de tomada de medidas enérgicas e coordenadas de política de forma a contrariar, com consistência, esta mesma tendência.
Nos últimos tempos alguns círculos de opinião têm criticado as medidas anunciadas pelo BM para travar o aumento dos preços por alegadamente levarem a uma situação que irá reduzir ou quebrar as decisões de investimento privado na economia devido ao aumento do custo de financiamento, que reduz a capacidade de endividamento, afectando assim o crescimento económico.
O Governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove, disse ontem, na província de Inhambane, que conter a inflação em níveis baixos e controlados favorece o ambiente de negócios e a atracção de novos investimentos necessários para a multiplicação da produção, criação de emprego e geração de rendimentos, para além de promover uma redistribuição menos assimétrica destes memos fluxos.
É neste quadro, segundo o Governador do BM, que falava na abertura do XXXV Conselho Consultivo da sua instituição, que se inserem as medidas de política monetária prudente e anti-cíclica, no sentido da contenção da pressão inflacionária, que a sua instituição implementou ao longo de 2010 e nos princípios deste ano. De entre essas medidas destacam-se o alinhamento escalonado das taxas de intervenção do Banco Central no mercado monetário interbancário, colocando a taxa da facilidade permanente de cedência no nível de 16.5 porcento em Janeiro corrente e o balanceamento realizado no coeficiente de reservas obrigatórias, ajustando-o faseadamente para 9 porcento, a última dos quais também no mês corrente.
“A par destas medidas, incrementámos o montante de divisas disponibilizadas no mercado, o que permitiu acalmar o nervosismo que se havia instalado no mercado em consequência do atraso verificado nos desembolsos de ajuda externa e do aumento substancial da factura de importação de combustíveis líquidos, cujos resultados foram visíveis na parte final do ano”, referiu Gove.
Ainda sobre esta matéria, o Governador do BM afirmou que as vendas líquidas de um total de 748 milhões de dólares norte-americanos realizadas em todo o ano permitiram salvaguardar a posição de reservas internacionais líquidas do país, tendo o saldo bruto incrementado para cerca de dois biliões de dólares, montante que em termos líquidos se situou acima da meta estabelecida para final de 2010 em cerca de 202 milhões de dólares. Com estas medidas o país ficou com reservas equivalentes a mais de 5 meses de importação de bens e serviços não factoriais, incluindo os grandes projectos.
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