Escrito por Jornal Noticias Quinta, 20 Janeiro 2011 07:39

O Rio Save tem capacidade para fornecer 7.890 milhões de metros cúbicos de água por ano, quantidade necessária para alimentar dois sistemas de irrigação que serão montados nas suas margens visando o aproveitamento do vale para a produção agrícola na região norte da província de Inhambane. Este posicionamento foi defendido pelo coordenador do projecto irrigação do vale de Save, PISAVA, António André, durante uma reunião realizada recentemente em Mabote, na província de Inhambane.
Para o funcionamento pleno das duas infra-estruturas hidráulicas, regadio de Paunde, no distrito de Mabote, e de Chimunda, no distrito de Govuro, ambos com capacidade para irrigar mil hectares cada, a fonte disse que será necessário desenvolver outras infra-estruturas, pequenas barragens, no interior do país para permitir a retenção de água, pois, Moçambique detém apenas a gestão da bacia do Save a jusante e não tem controlo a montante.
O projecto de irrigação do vale do Save, que prevê a produção de cerca de 40.388 toneladas de produtos diversos principalmente cereais numa área de dois mil hectares, vai necessitar de 1.783 metros cúbicos de água, sendo 910 mil metros cúbicos no regadio de Chimunda e 873 mil metros cúbicos para Paunde.
No seminário realizado terça-feira e que contou com a presença de figuras proeminentes do Ministério da Agricultura, das instituições financeiras nacionais e estrangeiras, foi apresentado pelos consultores nacionais e estrangeiros contratados para o desenvolvimento e pesquisa deste projecto, o estágio das actividades em curso visando o inicio das obras dos dois empreendimentos.
António André explicou que para a implementação do projecto, já estão disponíveis 19.87 milhões de dólares norte-americanos, dos quais 15.81 milhões em componente externa cerca de oitenta porcento do custo do projecto e 4.06 milhões de dólares em componente local.
Além do desenvolvimento de infra-estruturas, concretamente a montagem dos dois sistemas de irrigação, serão colocados dezasseis tractores e respectivas alfaias agrícolas e uma linha de crédito para os camponeses que estarão interessados em explorar as capacidades de produção de comida instaladas.
Pretende-se com esta iniciativa, mitigar os efeitos da seca cíclica que assola zona norte da província de Inhambane, transformar a agricultura de subsistência em comercial, desenvolvimento de um sector familiar auto-suficiente que contribua com excedentes para o mercado, promover um sector empresarial que participe com um desenvolvimento rural e reduzir os níveis de pobreza naquela região do país.
Os consultores lançaram no seminário da terça-feira onde também participaram comunidades dos dois distritos, questões como mecanismos de reassentamento das populações que serão deslocadas do regadio de Chimunda, a gestão dos dois regadios, concretamente a propriedade das infra-estruturas hidro-agrícolas, tipo de beneficiários, propriedade dos bens móveis, gestão do sistema de crédito bem como da maquinaria agrícola.
Outro ponto que vai merecer discussão nos próximos tempos, será a gestão da bacia do Save, uma reflexão que vai envolver outros países, modelo da cultura, a formação dos beneficiários da linha de crédito agrícola bem como os camponeses que deverão se organizar em associações dos sistemas, os modelos de construção dos sistemas como envolver as comunidades locais, organizações da sociedade civil e do sector público para a implementação sustentável do projecto.
O coordenador do projecto disse no entanto que quanto ao plano de reassentamento, só será realizado em Chimunda onde alguma famílias poderão ser abrangidas e Paunde em Mabote, não haverá necessidade porque o projecto será montado na zona virgem.
Espera-se que o projecto, três anos depois do início de funcionamento previsto para 2013, seja sustentável onde os beneficiários tenham capacidade para realizar todas actividades sem intervenção do governo.
Para já foram identificadas oito culturas a serem desenvolvidas nas áreas irrigadas pelos dois sistemas, nomeadamente, arroz, milho, feijões, sorgo, cebola, tomate e batata-reno em Chimunda. Em Paunde, além destas culturas, serão desenvolvidas outras variedades culturais como, alho, amendoim e couves.
O governador da província, Agostinho Trinta, que esteve presente na apresentação pública, disse que concluído o empreendimento, será a concretização de um sonho de uma “revolução” agrária para a estabilização da segurança alimentar e uma batalha ganha na luta contra a fome.
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