Escrito por Jornal o Pais Sexta, 14 Janeiro 2011 06:31

As projecções de organismos internacionais apontam para uma subida dos preços de arroz, trigo, carnes, entre outros produtos básicos Os preços não param de desafiar o Governo e o Banco de Moçambique. Depois de uma inflação de dois dígitos em 2010, segue-se uma conjuntura internacional desfavorável para a economia do país, que deverá baralhar todo o esquema macroeconómico projectado para 2011, pelo executivo.
Os sinais que vêem de fora são maus e, ao que tudo indica, as crises de alimentos e combustíveis - que tomaram conta da economia mundial em 2008 - deverão reeditar-se em 2011. É fácil descrever o cenário que se vai assistir: deverá iniciar uma série de restrições por parte de grandes produtores de alimentos, sobretudo de cereais, e a corda vai rebentar do lado dos países pobres e vulneráveis, como Moçambique, altamente dependentes de importações para abastecer os seus mercados.
Há mais. As projecções de organismos internacionais apontam para uma subida dos preços de arroz, trigo, carnes, entre outros produtos básicos.
Trata-se de maus sinais já captados pelo Banco de Moçambique, tendo, por isso, elevado, nesta semana, as taxas directoras de operação dos bancos comerciais, o que pode induzir a subida das taxas de juros no mercado financeiro nacional. É uma medida que visa controlar a escalada dos preços de produtos no país, tendo dados recentes revelado que a inflação se fixou nos 12.7%, em 2010, ou seja, 3% acima dos objectivos inflacionários preconizados pelo Governo.
De concreto, o Banco Central aumentou as taxas de juros de Facilidades Permanente de Cedência e de Depósitos em 1%, fixando-as em 16.5% e 5%, respectivamente. Elevou ainda o Coeficiente de Reservas Obrigatórias em 0.25% para 9%, a partir do período de constituição, que inicia a sete de Fevereiro.
Teoricamente, estas medidas vão reduzir a massa monetária em circulação, o que representa uma redução do poder de compra das instituições e cidadãos. Por um lado, as instituições financeiras ficarão com menos dinheiro para financiar a economia, por outro lado, as taxas de juros envolvidas nos créditos, em curso e a serem feitos, deverão aumentar, penalizando os mutuários.
Para o economista Rajendra de Sousa “haverá um controlo da inflação sem produtos alimentares”, na medida em que os bancos vão reduzir a capacidade de financiar os sectores produtivos, num país que já produz pouco.
O órgão regulador do sector financeiro decidiu ainda, nesta segunda-feira, incrementar os níveis de intervenção nos mercados interbancários, de modo a conter a base monetária, tendo em vista os objectivos finais de inflação média anual de 8.0% e de Reservas Internacionais equivalentes a cerca de 4.5 meses de cobertura de importações de bens e serviços.
Conjuntura internacional desfavorável para Moçambique
De acordo com as projecções da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o ano de 2011 deverá caracterizar-se pela manutenção de uma inflação alta das matérias-primas, muito por culpa da crescente procura dos países emergentes. Com os efeitos da crise financeira internacional quase eliminados, assiste-se a um aumento do consumo do petróleo e de seus derivados, o que está a provocar a sua valorização no mercado mundial, tendo esta semana o preço do barril já chegado à barreira dos 100 dólares.
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