Escrito por Jornal o Pais Quarta, 12 Janeiro 2011 08:01

O Banco Central reviu em alta as variantes mais importantes no comportamento das taxas de juro praticadas no mercado, nomeadamente a Facilidade Permanente de Cedência e de Depósito e o Coeficiente de Reserva Obrigatória. Com efeito, ao mexer no coeficiente de Reserva Obrigatória, os bancos comerciais são agora forçados a depositar mais dinheiro junto ao Banco de Moçambique, de 8,75% para 9%, o que poderá se reflectir na contracção do crédito e liquidez à economia.
O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (CPMO) decidiu lançar a mão dura sobre o mercado na primeira sessão ordinária do ano, realizada na passada segunda-feira, em Maputo. Assim, a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência aumenta em 100 pontos base, passando de 15,5% para 16,5%. A mesma subida da taxa de Facilidade Permanente de Depósitos, que passa de 4% para 5%.
As novas taxas entram em vigor a 7 de Fevereiro próximo. O regulador defende que quer “reforçar as medidas anticíclicas de refreamento da propagação do choque inflacionário em 2011, em virtude de ter tomado nota da prevalência de sinais de pressão inflacionária na economia moçambicana, mesmo num quadro favorável da taxa de câmbio do metical”.
Défice de produção na origem da inflação
O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou, recentemente, que, no mês de Dezembro de 2010, os preços subiram 3.48%, superando o observado em igual período dos últimos três anos e o do mês de Novembro de 2010.
A inflação, em Dezembro, foi determinada, basicamente, pela classe dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, com uma contribuição de 3.32%. Isto revela as fragilidades do país em produzir comida para se alimentar. Os produtos que mais subiram de preço foram o tomate, coco, frango vivo, peixe fresco, refrigerado ou congelado, cebola, entre outros. Os dados do INE mostram que, em todos os casos, o comportamento da inflação não foi, essencialmente, influenciado pela classe de alimentos e bebidas não alcoólicas, que contribuiu com cerca de 12.67pp para este indicador.
O Banco de Moçambique entende que “os factores associados ao comportamento da inflação em 2010, encontram explicação no défice de produção alimentar doméstica, suprida com o incremento de importações”. Explica ainda que a situação deve-se ao efeito conjugado da depreciação acumulada do metical face ao dólar, forte apreciação do rande no mercado internacional e o agravamento dos preços domésticos de combustíveis líquidos.
Durante a quadra festiva, diz o Banco de Moçambique, voltou a observar-se práticas especulativas nos preços de alguns produtos básicos, o que contribuiu para o recorde na inflação. Esta instituição também acrescenta que nem as medidas de austeridade foram suficientes para travar a alta de preços: “as medidas combinadas de natureza fiscal, orçamental e monetárias, para atenuar o custo de vida, implementadas em Setembro de 2010, revelaram-se importantes para amortecer a pressão inflacionária e contrariar as expectativas de inflação inercial, mas não suficientes para anular o surto inflacionário e a pressão sazonal associada à quadra festiva”.
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