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“Esta medida vai regredir o curso normal da economia e acarretar mais custos”

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Igualmente, o valor das prestações dos empréstimos já em curso irá aumentar

 

Até que ponto estas medidas são eficazes, a médio e longo prazos, para devolver a estabilidade à economia?

Estas medidas fazem parte de um projecto do Banco de Moçambique, de “meticalizar” a economia e estabilizar o metical. No entanto, ao aumentar as taxas de juro de facilidade permanente de cedência e depósito e o coeficiente das reservas obrigatórias são tentativas de estabilizar a moeda nacional. Estas políticas podem até ser eficazes, mas para tal, teríamos que ancorar a economia ao aumento da produção nacional. Num momento em que os empresários e os cidadãos estão a recuperar-se dos efeitos negativos do ano passado - depreciação do metical e consequente aumento da taxa de câmbio face às moedas de referência, isto é, dólar e rande - julgo que esta medida vai regredir o curso normal da economia e acarretar mais custos, principalmente aos empresários que importam os seus insumos e os cidadãos com empréstimos nos bancos comerciais.

Se a produção nacional e as vendas ao exterior (exportação) crescerem num ritmo desejado, podemos assumir que a médio e longo prazo estas medidas podem mostrar-se eficazes para a estabilidade do metical e não da economia no seu todo, pois esta necessita de mais instrumentos para garantir a sua estabilidade.

Tornar o dinheiro mais caro não terá implicações em sectores determinantes da economia, isto é, no investimento?

Por outras palavras, o aumento da Facilidade Permanente de Cedência vai implicar o aumento das taxas de juro para a aquisição de empréstimos nos bancos comerciais, isto é, se hoje deseja contrair um empréstimo num banco comercial, o valor da prestação a pagar no final do mês de Janeiro será inferior ao do mês de Fevereiro, pois a partir deste período a taxa de juro para o mesmo empréstimo irá aumentar. Igualmente, o valor das prestações dos empréstimos já em curso irá aumentar.

Infelizmente, a opção por estas medidas tem o seu custo, e neste caso é a redução da capacidade financeira e de endividamento do futuro investidor no nosso País. No entanto, a longo prazo e se a produção tiver uma tendência crescente, podemos assumir que o metical ficará estável e isso sim poderá dar mais confiança ao investidor estrangeiro, pois estará a investir numa economia que vai valorizar os seus activos.

Que medidas de fundo é preciso introduzir para corrigir esta situação que se tornou rotineira logo depois da quadra festiva?

Não se trata do período após a quadra festiva. Mas sim, da continuação das políticas que o Banco de Moçambique tem sido obrigado a implementar, uma vez que o Estado não está em condições de aumentar as taxas de impostos. É uma medida para colectar um pouco mais de rendimentos dos cidadãos moçambicanos.

O facto é que é necessário financiar parte significativa do nosso défice orçamental, com medidas que não penalizem o cidadão e o nosso empresariado:

  • Garantir a contribuição da Hidroeléctrica de Cahora-Bassa no Orçamento do Estado;
  • Garantir maior colecta possível de impostos nos mega projectos;
  • Aumentar a produção e a produtividade das empresas e dos seus colaboradores;
  • etc...

Deixemos de ladainhas e ideologias, pois todos nós sabemos as implicações directas das políticas recentemente tomadas pelo banco central. Na verdade, esta é mais uma forma do governo financiar o défice gerado pelo suporte às decisões tomadas após as manifestações de 1 e 2 de Setembro de 2010.

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