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Metical continua a estabilizar-se

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O Banco de Moçambique divulgou ontem um comunicado que resume a evolução dos principais indicadores da conjuntura económica e financeira interna e internacional, no período de 15 a 30 de Novembro de 2010, com destaque para o comportamento do Índice de Preços no Consumidor da Cidade do Maputo, da taxa de câmbio do Metical face às três principais moedas transaccionadas no mercado cambial interno (dólar norte-americano, rand e euro), das taxas de juro no Mercado Monetário Interbancário, a liquidez do sistema bancário, a posição das reservas internacionais líquidas, a evolução dos preços das principais mercadorias (petróleo e ouro) no mercado internacional. A taxa de câmbio do Metical reforça a tendência de estabilidade no sentido de apreciação. Assim, em finais do mês de Novembro de 2010, a cotação do dólar norte-americano no Mercado Cambial Interbancário (MCI) foi de 35,37 Mt, equivalente a uma apreciação nominal do Metical de 1,37 porcento, comparativamente à taxa de câmbio que vigorou no último dia do mês de Outubro.

Dados referentes ao mês de Dezembro mostram que o metical mantém a tendência de fortalecimento vis-à-vis o dólar norte-americano, tendo no dia 7 de Dezembro de 2010 sido cotado ao câmbio de 34,95 Mt/USD.

Esta tendência observa-se igualmente nos restantes segmentos do mercado cambial (bancos comerciais e casas de câmbio), reflectindo o reforço da confiança dos agentes económicos no comportamento futuro do metical, bem como o impacto das intervenções realizadas pelo Banco de Moçambique através da disponibilização de um volume adicional de divisas, fazendo com que o total de vendas realizadas desde o início de 2010 atingisse o montante global de USD 770,5 milhões, até 30 de Novembro de 2010, mais USD 60,8 milhões em relação ao período homólogo.


ACELERAÇÃO MENSAL DO NÍVEL GERAL DOS PREÇOS

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, reportando ao mês de Novembro, mostram uma aceleração mensal do nível geral de preços da Cidade do Maputo, medido pelo IPC em 1,02 porcento, após uma variação negativa de 0,49 porcento no mês anterior, fazendo com que a inflação acumulada ascendesse a 12,70 porcento, contra 2,07 porcento em igual período de 2009 e a taxa de variação homóloga se posicionasse em 15,06, após 2,55 porcento em igual período de 2009. A taxa de inflação média anual passou de 10,62 porcento em Outubro para 11,66 porcento em Novembro de 2010.

A classe dos produtos alimentares e bebidas não-alcoólicas, com uma contribuição positiva de 0,95pp, foi a que mais contribuiu para variação mensal do IPC, reflectindo essencialmente o agravamento dos preços do tomate, com uma contribuição positiva de 0,17pp na variação mensal, arroz (0,13pp), carapau (0,10pp), peixe fresco (0,10pp), coco (0,09pp), folhas de aboboreira (0,07pp) e carne de vaca de 2ª limpa (0,06pp). O impacto destas variações foi atenuado, entre outros, pela redução ocorrida nos preços da batata-reno (-0,06pp), repolho (-0,03pp), cenoura (-0,03pp), alface (-0,02pp) e pepino (-0,01pp).


DEPRECIAÇÃO ACUMULADA DESACELEROU

Na segunda quinzena do mês de Novembro de 2010, a cotação do dólar norte-americano no Mercado Cambial Interbancário (MCI) foi de 35,37 Mt, o equivalente a uma apreciação nominal do metical de 0,90 porcento, comparativamente à taxa de câmbio que vigorou no fecho da quinzena anterior. No mês, o metical registou ganhos nominais de 1,37 porcento, contribuindo, deste modo, para a desaceleração da depreciação acumulada e anual para 28,6 e 29,2 porcento, respectivamente.

Por seu turno, a taxa de câmbio do Mt/USD praticada pelos bancos comerciais nas suas operações com o público fixou-se nos 35,35 Mt no dia 30 de Novembro, após situar-se em 35,72 Mt/USD no fecho da quinzena anterior, tendo a variação acumulada desde o início do ano reduzido para 15,4 porcento, o mesmo sucedendo com a variação anual que desacelerou para 15,9 porcento.

O spread entre a taxa de câmbio do Mercado Cambial Interbancário e a taxa média dos Bancos Comerciais nas suas operações com o público fixou-se no terreno negativo na magnitude de 0,06 porcento no dia 30 de Novembro de 2010, após um diferencial de 0,08 porcento observado na quinzena anterior. Por seu turno, o diferencial entre a taxa de câmbio média usada pelos bancos nas suas operações com o público e a praticada pelas casas de câmbio, reduziu para 2,5 porcento, após 3,8 porcento na quinzena anterior.

Do cruzamento da cotação do USD na praça de Londres com o câmbio desta moeda no mercado doméstico resultaram para o mesmo período cotações de 45,98 Mt/EUR e 4,96 MT/ZAR, níveis que relativamente ao fecho da primeira quinzena do mês de Novembro representam uma apreciação nominal do metical de 5,53 e 2,94 porcento face ao euro e ao rand, respectivamente.

Com estas variações, o metical registou ganhos nominais mensais de 7,80 e 4,06 poircento em relação ao euro e ao rand, respectivamente, até 30 de Novembro de 2010. Em termos acumulados e anuais observou-se uma desaceleração do ritmo de depreciação do metical para 15,9 e 11,8 porcento em relação ao euro e de 32,6 e 33,3 porcento face ao rand, respectivamente, até 30 de Novembro de 2010.


BILHETES DE TESOURO REGISTAM INCREMENTO

No Mercado Monetário Interbancário, a taxa de juro dos Bilhetes do Tesouro para as maturidades de 91, 182 e 364 dias registaram um incremento, designadamente de 5pb, 130pb e 3pb, para 14,56, 14,95 e 15,33 porcento, respectivamente. Por seu turno, a taxa de juro média das permutas de liquidez entre as instituições de crédito registou um acréscimo de 55pb situando-se em 12,64 porcento, tendo às taxas de juro de intervenção do Banco de Moçambique, designadamente, a Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez (FPC) e da Facilidade Permanente de Depósitos mantido nos 15,50 e 4 porcento, respectivamente.


DECRÉSCIMO DAS RESERVAS BANCÁRIAS

Dados preliminares referentes a 30 de Novembro de 2010 indicam que o saldo das reservas bancárias foi de 11 365,5 milhões de Mt, o que corresponde a uma redução quinzenal de 19,9 milhões de Mt, reflectindo o decréscimo simultâneo das componentes denominadas em moeda nacional, em 17,4 milhões de Mt e em moeda estrangeira, em 2,5 milhões de Mt.

O decréscimo das reservas em moeda nacional é justificado pelos seguintes factores:

No sentido de redução: (i) venda de divisas realizada pelo BM no MCI, no contravalor de 1336,6 milhões de Mt; (ii) levantamentos líquidos de numerário efectuados pelas IC´s no valor total de 530,7 milhões de Mt; (iii) emissão líquida de BT´s no montante global de 51,7 milhões de Mt; e, (iv) diversos movimentos na ordem de 32,7 milhões de Mt.

No sentido de aumento: (i) injecção líquida efectuada pelo Estado no valor de 1601,2 milhões de Mt, no âmbito da execução orçamental; (ii) aquisição líquida de fundos através da janela da FPC no montante global de 333,2 milhões de Mt; e (iii) vencimento líquido da FPD na ordem de 0,1 milhão.


DESGASTE NAS RLI

Dados provisórios do BM indicam que o saldo das Reservas Internacionais Líquidas no fecho da segunda quinzena de Novembro de 2010 foi de USD 1678,3 milhões, equivalente a um desgaste de USD 34,7 milhões em relação a 15 de Novembro de 2010, reflectindo os seguintes factores:

Do lado das saídas: (i) venda líquida de divisas efectuadas pelo BM no MCI, no montante de USD 45,3 milhões, elevando as vendas acumuladas desde o início do ano para USD 770,5 milhões; (ii) perdas líquidas decorrentes da variação cambial no montante de USD 19,2 milhões; (iii) transferências líquidas efectuadas pelos bancos comerciais para os seus correspondentes no exterior no montante de USD 4,0 milhões; (iv) diversos pagamentos efectuados pelo Estado no montante global de USD 3,8 milhões; e (v) amortização do serviço da dívida pública no valor de USD 1,7 milhão.

Do lado das entradas: (i) entrada líquida de fundos a favor de projectos do Governo, no valor global de USD 28,6 milhões; (ii) remessa de rendimento de mineiros no montante de USD 6,1milhões; (iii) valorização da carteira de obrigações em USD 2,4 milhões; (iv) ganhos líquidos decorrentes do efeito preço nas operações envolvendo Ouro, no montante de USD 1,8 milhão; e (v) juros líquidos de aplicações de activos no exterior no valor de USD 0,5 milhão.


SECTOR FINANCEIRO SEM ALTERAÇÕES

Na quinzena em análise não se registou nenhuma alteração na estrutura reportada no período anterior, sendo a seguinte a actual distribuição e composição do sector financeiro nacional em termos de rede de agências bancárias, cooperativas de crédito, instituições de microcrédito, microbancos, ATM’s e POS’s por províncias.

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