GAZA - Massangena: Milho apodrece por falta de mercado



Escrito por Jornal Noticias
Segunda, 22 Novembro 2010 09:10

Os camponeses do distrito de Massangena, em Gaza, estão de costas voltadas com os agentes económicos locais, por estes estarem a impor o preço de seis meticais o quilo de milho, valor que, entretanto, os produtores consideram muito baixo e não compensar os custos de produção.
Os agricultores propõem o preço de 10 meticais o quilograma, valor que os agentes económicos se recusam a pagar, um braço-de-ferro que já está a ter impacto negativo no processo de produção e comercialização, com a deterioração de parte considerável daquele cereal nas mãos dos camponeses por falta de mercado.
Face à situação prevalecente, o governo distrital decidiu encetar negociações com alguns comerciantes, por forma a persuadi-los a adquirir o milho em causa, para a sua posterior colocação à disposição de centenas de famílias, que enfrentam uma grave situação de fome em algumas localidades, situadas a norte do distrito, designadamente em Chitlumane, Mapanhe, Chizumbane e Muzamane.
Trata-se, de acordo com o administrador distrital, Virgílio Pene, de zonas caracterizadas por secas cíclicas e com solos pobres para a prática da agricultura. Contudo, explicou, em contrapartida, as referidas zonas são bastante ricas para a criação de gado bovino e caprino.
“Conhecemos a resistência destas populações quando o assunto é venda de parte dos seus animais, mas temos estado a levar a cabo um trabalho de sensibilização, no sentido de estas acatarem com os nossos conselhos, por forma a se evitar eventuais situações de subnutrição, por falta de alimentos quando, na verdade, estes camponeses possuem meios para a sua sobrevivência, através do abate e a comercialização de alguns dos seus animais”, disse o administrador de Massangena.
Ainda de acordo com a nossa fonte, as autoridades governamentais distritais estão, por outro lado, a encetar contactos visando a busca de fundos para a construção de um celeiro distrital, para o aprovisionamento de cereais, como milho, mapira e meixoeira.
São iniciativas, conforme Virgílio Pene, que já estão a encontrar resposta por parte de organizações que operam no distrito, em programas de assistência aos camponeses carenciados, como é o caso do Programa Mundial de Alimentação (PMA) que irá participar, ainda este ano, na compra de excedentes de milho produzidos internamente para a sua posterior colocação em zonas que, actualmente, enfrentam problemas de insegurança alimentar em Massangena.
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