A energia eléctrica mudou a vida de Namapa



Escrito por Jornal Noticias
Quarta, 17 Novembro 2010 06:46

Os habitantes da vila de Namapa, no interior da província de Nampula, têm motivos suficientes para sorrir. Desde os primeiros meses deste ano, passaram oficialmente a beneficiar do fornecimento de energia eléctrica da rede nacional da HCB, constituindo ainda uma pedra no sapato a falta de água potável e as vias de acesso.
Situado num corredor rodoviário que liga as cidades de Nampula, Nacala e outras desta província nortenha do país a Cabo Delgado, a vila de Namapa, via o seu desenvolvimento condicionado, em parte, devida à falta de energia eléctrica 24 horas ao dia.
Segundo nos contaram os residentes da vila de Namapa, sede distrital de Eráti, a energia trouxe ao de cima a capacidade dos locais, que usam a energia eléctrica como principal catalisador das suas actividades, tais como carpinteiros, serralheiros, para além dos próprios comerciantes dos sectores informal e formal, que prestam serviços considerados de qualidade. Já estão a surgir unidades de carpintarias privadas, as moageiras já elevaram o seu potencial, entre outros factos que estão a melhorar a qualidade de vida dos residentes daquela vila.
António Puanihera é residente em Namapa, há sensivelmente 20 anos, disse estar a notar a diferença que a energia trouxe para si e para outras pessoas, assim como instituições públicas e privadas, algumas das quais viam-se limitadas a realizar algumas actividades por falta da energia energética.
“São ganhos imensuráveis que a energia trouxe para os habitantes de Namapa. Já estão a surgir carpintarias industriais, os serralheiros viram o seu negócio a crescer, os vendedores de produtos comestíveis frescos e outros perecíveis não temem mais que se deteriorem, pois já existem condições para a conservação, o mesmo acontece com as bombas de abastecimento de combustíveis líquidos”, anotou Puanihera.
Ademais, segundo o nosso interlocutor, a energia não apenas está a beneficiar os agentes económicos e similares pois, maior parte das residências já está ligada à rede de energia eléctrica, fazendo esquecer os momentos em que eram forçados a passar as noites na escuridão e que metia medo circular e atravessar nas ruas da vila que actualmente se encontram totalmente iluminadas.
Por seu turno, o proprietário de uma carpintaria que anteriormente funcionava manualmente, Ernesto Murrecule revela que antes do aparecimento da energia eléctrica da rede nacional, as obras que lhe eram encomendadas para executar, por exemplo, para um residência do tipo três levava um período de dois a três meses para terminar, mas agora em uma semana entrega o serviço solicitado.
“Antes uma obra que incluía a feitura de portas, janelas, aros e a cobertura, tratando-se de uma residência de construção convencional fazia em três meses, mas agora com energia eléctrica, no máximo em duas semanas entrego a obra. A energia permitiu também o aumento do número de trabalhadores para seis, contra dois que laboravam anteriormente, porque o trabalho manual despendia muito esforço físico que alguns não conseguem”, disse aquele carpinteiro que diz estar apto a concorrer para produção de mobiliário escolar e de escritório das instituições locais, caso seja solicitado para o efeito.
A estudante da Escola Secundária de Namapa, Celina Freitas Joaquina, que frequenta a décima segunda classe no curso nocturno, diz que a energia eléctrica de Cahora Bassa, veio acabar com o crónico sofrimento que os alunos daquele turno estavam sujeitos e que se caracterizava em interrupções constantes das aulas, por avaria do gerador local ou ainda por falta de combustível para o seu funcionamento.
“Nós estudantes do curso nocturno sofremos muito antes da ligação da energia eléctrica da HCB, vezes sem conta víamos as nossas aulas interrompidas ao meio, situação que forçava os professores a não cumprirem o seu plano de trabalho”, observou Celina Joaquina, para quem com o aparecimento deste meio, devem-se envidar esforços no sentido de potenciá-lo, abrindo mais unidades industriais.
A DIFICULDADE AINDA ESTÁ NAS VIAS DE ACESSO E ÁGUA
AS vias de acesso, principalmente para os postos administrativos e localidades de Odinepa, Namiroa, Mirrote, Nahopa, entre outros pontos, com a excepção de Alua que está ligada à EN1, constituem os grandes problemas que as populações que nelas habitam têm que consentir para realizar as suas actividades. Nesta época, a situação de transitabilidade da sede do distrito para aquelas regiões, pode até não ser um grande problema, mas no tempo das chuvas, a conjuntura já é bem diferente como nos contam alguns motoristas e passageiros que circulam naquelas rodovias terraplenadas.
“Em relação às vias de acesso para alguns pontos do nosso distrito, temos muitos problemas com a ligação com o posto administrativo de Namiroa, onde em tempo chuvoso chegamos a pagar mil meticais, num troço de 70 quilómetros. Tem havido uma manutenção anual da via que liga a vila-sede à Odinepa, mas mesmo assim as coisas pioram no tempo chuvoso”, relata o motorista de um transporte semicolectivo de passageiros e carga, que faz aqueles trajectos.
Entretanto, a administradora do distrito de Eráti, Ângela Benesse, avança a existência de um plano e fundos, que não revelou, para a reabilitação de raiz, das principais vias de acesso que ligam a vila-sede às comunidades produtoras.
“Temos que reconhecer que enfrentamos algumas dificuldades de circulação entre Namapa-Namiroa, mas neste preciso momento posso avançar que já iniciaram os trabalhos de reabilitação desta rodovia, com a construção de dois aquedutos e próximo ano, iremos avançar com uma reabilitação de raiz neste troço de 70 quilómetros. Mas devo dizer que também nos preocupa o troço que vai até à localidade de Kutua, onde os líderes comunitários estão sensibilizados para participarem na sua transitabilidade”, disse a administradora de Eráti, Ângela Benesse.
Em relação ao abastecimento de água potável aos cerca de 270 mil habitantes de todo o distrito, as autoridades governamentais reconhecem haver um enorme défice para prover estes serviços às comunidades, apesar de Eráti atravessar grandes caudais de rios como o Lúrio, Mecubúri e outros como nos revela o director de planeamento e infra-estruturas que avança que daquele universo apenas 86 mil consomem aquele precioso líquido em condições aceitáveis.
Aliás, a nossa reportagem testemunhou quanto o sofrimento que os residentes da Vila Sede tem para ter o precioso líquido. O rio Lúrio dista a três quilómetros da vila, mas é aqui onde maior parte dos residentes busca a solução para resolver os seus problemas relacionados com este bem social e indispensável para a vida de um ser humano.
É o caso de Uda Alberto que vezes sem conta é forçado a percorrer aquela distância diariamente à busca deste precioso líquido para o seu consumo e outras utilidades que para ele constituí um martírio ir ao Lúrio, já que como professor poderia estar a leccionar nas horas normais do seu trabalho.
“Para além de prejudicar a minha actividade laboral, a minha vinda daqui ao rio, tenho sofrido com roubo, tanto aqui como lá em casa. Chego aqui com o cansaço do percurso que sou forçado a fazer e às vezes apanhamos uma soneca que os amigos do alheio não desperdiçam”, lamentou Uda Alberto.
Mariamo Saque, residente da zona da fábrica de processamento de algodão que dista a dez quilómetros da “fonte” do Lúrio, onde estaria a funcionar o sistema de abastecimento de água, diz que prefere percorrer aquela distância do que estar um dia inteiro na fontanário que se localiza na sua zona residencial para tirar apenas vinte litros de água.
“Prefiro vir aqui ao rio. Aqui lavo a roupa, tomo banho e ainda levo alguns litros de água para casa, do que esperar quase um dia inteiro, sem almoçar, por causa de vinte litros. Mas o Governo devia ver esta situação em que as mulheres se encontram. Somos as mais sacrificadas”, observou a interlocutora que a encontramos nas margens do Lúrio, a lavar roupa.
Ângela Benesse
SETE MILHÕES FAZEM ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
Tanto e bastas vezes já se falou dos sete milhões de meticais que desde 2006, o Governo liderado pelo Presidente Armando Guebuza, entendeu alocar aos distritos, que os nomeou como pólos de desenvolvimento e para a erradicação da pobreza.
Em Eráti, a nossa Reportagem teve a sublime oportunidade de saber da nova e actual administradora do distrito, a ex-deputada da Frelimo, Ângela Benesse, que alguns dirigentes que o antecederam no cargo e outras funções de chefia, usavam este dinheiro para um enriquecimento ilícito, em prejuízo dos beneficiários.
“É totalmente triste e vergonhoso o que encontrei aqui no distrito em relação ao “dossier” dos sete milhões de meticais. Havia sido montada uma rede entre alguns altos dirigentes do distrito para drenar este dinheiro em prejuízo dos próprios beneficiários. Não é novidade nenhuma que o anterior secretário permanente distrital detinha uma frota pessoal de carros de luxo que nenhum funcionário público pode ter em menos de quatro anos de serviço”, explicou a administradora.
Ângela Benesse avança ainda que a propalada informação prestada às estruturas provinciais e centrais de que não tem havido retorno dos fundos por parte dos mutuários, não constitui verdade e acrescenta:
“É verdade que os níveis de retorno dos dinheiros não são os mais desejáveis, mas de que há retorno, isso eu confirmo, só que existe alguma omissão dos valores reais para alguém se beneficiar em prejuízo de outro que já honrou os seus compromissos com o Estado. Os créditos que estão a ser difícil o seu retorno, estão ligados a projectos de agricultura e pecuária”.
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