Segunda, 08 Fevereiro 2010 08:28
Sr. Director!
Lia atentamente a entrevista do Ministro da Educação, Zeferino Martins, e o facto de escolher a citação acima para o título do meu artigo de opinião, foi mera coincidência e esta calhou com uma das partes que gostei de ler no meio da entrevista publicada no jornal “Notícias” de 1 de Fevereiro corrente, uma pergunta de reflexão: “Como sair?”
Lia atentamente a entrevista do Ministro da Educação, Zeferino Martins, e o facto de escolher a citação acima para o título do meu artigo de opinião, foi mera coincidência e esta calhou com uma das partes que gostei de ler no meio da entrevista publicada no jornal “Notícias” de 1 de Fevereiro corrente, uma pergunta de reflexão: “Como sair?”
A pergunta está feita e as respostas podem estarem dadas também, mas se o debate terminar agora, não sei, mas poderia terminar com algumas ideias práticas e simples de implementar se o debate continuasse aberto para que mesmo o beneficiário, aquele que se espera que saiba ler e escrever saiba o que se espera que ele/ela saiba. Como se vai fazer a ele ou ela que se espera que saiba ler, saber que devia saber ler? E a escrever?
Não me surpreenderia se encontrássemos respostas em forma de perguntas do tipo “para quê saber ler?”. “Saber ler para aprender mais” foi o lema do último seminário do MEC, onde o título do seminário por si só deixa uma dica sobre o “porquê saber ler?” – para aprender mais”. Mas a questão primária continua: Como fazer ele/ela saber que deve saber ler para aprender mais? Da entrevista do Ministro da Educação está uma crítica – “falta vocação aos professores” – e promete-se maior rigor na capacitação e escolha de quem deve ser professor no futuro, de modo a se ter um professor motivado e interessado em acompanhar o seu educando, no entanto, quando em conversa com alguns professores fica-se com a impressão que o professor sente-se sem tempo suficiente para acompanhar passo a passo os seus educandos, porque uma aula tem tempo de duração e que as turmas são numerosas. E que é também difícil cumprir com o programa que se deve cumprir. Quando, certa vez, em diálogo com um professor sobre a possibilidade de se elaborar programas de leitura fora da sala de aulas, comentou este que quando uma vez tentou fazer isso teve dificuldades por várias razões, dentre as quais, o facto de o ensino primário ser gratuito e colocou a questão sobre onde obteria fundos para gerir um tal plano tendo em conta que precisa de papel, de material de leitura, espaço, e utilização do seu tempo, e sendo o ensino gratuito, qual seria a desculpa a usar para cobrar aos pais os custos da implementação de grupos de leitura fora da sala e do seu tempo normal de trabalho?
Enquanto ia escrevendo este artigo ia descobrindo as razões porque tanto me impressionou a pergunta de reflexão: “Como sair?” Esta pergunta dá-nos tempo para percebermos que estamos no meio dum bloqueio. Mas se o objectivo for fazer o beneficiário entender a importância da leitura e sair do bloqueio, se a pergunta não for reproduzida ao alcance do beneficiário, este continua e continuará na mesma posição de bloqueio em que sempre esteve, se é que ninguém aparece para desbloquear. As jornadas pedagógicas são uma invejável estratégia, o apetrechamento e “criação” de bibliotecas nas escolas também nos leva ao objectivo, mas para se promover leituras complementares, segundo o ministro da Educação para que o “aluno não viva dos “dois/três livros que recebe de distribuição gratuita na escola”, sem se criar mais espaço e tempo e “tais” recursos que o professor de que falei apontou serem necessários, o beneficiário continuará sem ninguém para lhe dizer porque precisa de ler! Que ele/ela perceba isso é muito importante.
Talvez devia se motivar o professor a encontrar outras formas de continuar com a aula dada durante os 45 minutos na sala de aulas, mas fora da sala de aulas e envolvendo o aluno, porque, acho eu, mesmo se as bibliotecas estiverem apetrechadas, o beneficiário (aluno) ainda precisaria de alguém que lhe respondesse a pergunta – “ler para quê?”.
O nosso Sistema Nacional de Educação, refiro-me do período antes entrada das chamadas passagens automáticas que hoje se aplicam, talvez tinha o mérito de os alunos ficarem expostos a uma forma de competição onde importava muito saber quem dispensava, quem passava com 10 valores, e quem chumbava com aqueles outros valores, e sem ser acto voluntário os alunos envolviam-se numa competição. Hoje aponta-se como vantagem o facto de no final do ano todos os alunos terem passado de classe o que não desmotiva os mais fracos, mas tenho a impressão de que as passagens automáticas tiraram a competição dentro da escola. Talvez fosse bom pensar-se em outras formas de devolver a competição para as escolas de modo a motivar, estimular e distinguir os melhores alunos.
As escolas e a sociedade deviam desenhar projectos que tornem a liberdade que o aluno tem que não se torne num motivo para desaprender, mas para aprender. Que o novo sistema traga outros métodos e atitudes também, essa é a minha prece e, desta forma, espero que não entendamos que estou a pedir para se voltar para trás, visto que o objectivo do novo sistema se baseia na ideia de se deixar o aluno mais livre para estudar, mas talvez pode-se promover concursos de leitura e escrita nos níveis que se pretende que o aluno saiba ler e escrever daí que criamos um espaço para deixar aparecer os novos donos e amantes da “pena” neste país, antes de se declarar a escrita “morta”. Pode-se usar os espaços das escolas para se publicar contos e poemas dos alunos que se dedicam a leitura e têm aspirações de escrever, de modo a garantir que uma nova geração de escritores emirja das escolas e em tenra idade e adie a “morte” da escrita.
Assim, no mínimo nós (os beneficiários, que ainda não sabemos a importância da leitura e escrita) saberemos que precisamos de ler para escrever e colarmos o nosso poema e conto na vitrina da escola, onde se ninguém ler, nós que escrevemos vamos de vez em quando que passarmos por perto – ler – para o bem da nossa escrita. Esta é uma das tantas tentativas, estamos todos à procura de saídas – “Como sair?”
Não me surpreenderia se encontrássemos respostas em forma de perguntas do tipo “para quê saber ler?”. “Saber ler para aprender mais” foi o lema do último seminário do MEC, onde o título do seminário por si só deixa uma dica sobre o “porquê saber ler?” – para aprender mais”. Mas a questão primária continua: Como fazer ele/ela saber que deve saber ler para aprender mais? Da entrevista do Ministro da Educação está uma crítica – “falta vocação aos professores” – e promete-se maior rigor na capacitação e escolha de quem deve ser professor no futuro, de modo a se ter um professor motivado e interessado em acompanhar o seu educando, no entanto, quando em conversa com alguns professores fica-se com a impressão que o professor sente-se sem tempo suficiente para acompanhar passo a passo os seus educandos, porque uma aula tem tempo de duração e que as turmas são numerosas. E que é também difícil cumprir com o programa que se deve cumprir. Quando, certa vez, em diálogo com um professor sobre a possibilidade de se elaborar programas de leitura fora da sala de aulas, comentou este que quando uma vez tentou fazer isso teve dificuldades por várias razões, dentre as quais, o facto de o ensino primário ser gratuito e colocou a questão sobre onde obteria fundos para gerir um tal plano tendo em conta que precisa de papel, de material de leitura, espaço, e utilização do seu tempo, e sendo o ensino gratuito, qual seria a desculpa a usar para cobrar aos pais os custos da implementação de grupos de leitura fora da sala e do seu tempo normal de trabalho?
Enquanto ia escrevendo este artigo ia descobrindo as razões porque tanto me impressionou a pergunta de reflexão: “Como sair?” Esta pergunta dá-nos tempo para percebermos que estamos no meio dum bloqueio. Mas se o objectivo for fazer o beneficiário entender a importância da leitura e sair do bloqueio, se a pergunta não for reproduzida ao alcance do beneficiário, este continua e continuará na mesma posição de bloqueio em que sempre esteve, se é que ninguém aparece para desbloquear. As jornadas pedagógicas são uma invejável estratégia, o apetrechamento e “criação” de bibliotecas nas escolas também nos leva ao objectivo, mas para se promover leituras complementares, segundo o ministro da Educação para que o “aluno não viva dos “dois/três livros que recebe de distribuição gratuita na escola”, sem se criar mais espaço e tempo e “tais” recursos que o professor de que falei apontou serem necessários, o beneficiário continuará sem ninguém para lhe dizer porque precisa de ler! Que ele/ela perceba isso é muito importante.
Talvez devia se motivar o professor a encontrar outras formas de continuar com a aula dada durante os 45 minutos na sala de aulas, mas fora da sala de aulas e envolvendo o aluno, porque, acho eu, mesmo se as bibliotecas estiverem apetrechadas, o beneficiário (aluno) ainda precisaria de alguém que lhe respondesse a pergunta – “ler para quê?”.
O nosso Sistema Nacional de Educação, refiro-me do período antes entrada das chamadas passagens automáticas que hoje se aplicam, talvez tinha o mérito de os alunos ficarem expostos a uma forma de competição onde importava muito saber quem dispensava, quem passava com 10 valores, e quem chumbava com aqueles outros valores, e sem ser acto voluntário os alunos envolviam-se numa competição. Hoje aponta-se como vantagem o facto de no final do ano todos os alunos terem passado de classe o que não desmotiva os mais fracos, mas tenho a impressão de que as passagens automáticas tiraram a competição dentro da escola. Talvez fosse bom pensar-se em outras formas de devolver a competição para as escolas de modo a motivar, estimular e distinguir os melhores alunos.
As escolas e a sociedade deviam desenhar projectos que tornem a liberdade que o aluno tem que não se torne num motivo para desaprender, mas para aprender. Que o novo sistema traga outros métodos e atitudes também, essa é a minha prece e, desta forma, espero que não entendamos que estou a pedir para se voltar para trás, visto que o objectivo do novo sistema se baseia na ideia de se deixar o aluno mais livre para estudar, mas talvez pode-se promover concursos de leitura e escrita nos níveis que se pretende que o aluno saiba ler e escrever daí que criamos um espaço para deixar aparecer os novos donos e amantes da “pena” neste país, antes de se declarar a escrita “morta”. Pode-se usar os espaços das escolas para se publicar contos e poemas dos alunos que se dedicam a leitura e têm aspirações de escrever, de modo a garantir que uma nova geração de escritores emirja das escolas e em tenra idade e adie a “morte” da escrita.
Assim, no mínimo nós (os beneficiários, que ainda não sabemos a importância da leitura e escrita) saberemos que precisamos de ler para escrever e colarmos o nosso poema e conto na vitrina da escola, onde se ninguém ler, nós que escrevemos vamos de vez em quando que passarmos por perto – ler – para o bem da nossa escrita. Esta é uma das tantas tentativas, estamos todos à procura de saídas – “Como sair?”
Autor:F. TANGUENE
Fonte:Jornmal Noticias
Fonte:Jornmal Noticias





