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Moçambique e Portugal refrescam cooperação

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Moçambique e Portugal passarão a reunir regularmente em cimeiras anuais para debater temas de cooperação bilateral que já exigem outro nível de atenção por parte dos respectivos governos. O Primeiro-Ministro português, José Sócrates, desde ontem de visita ao país, considera que se trata de um passo histórico que só foi possível dar depois de ultrapassados todos os problemas políticos que se interpunham nas relações bilaterais, o último dos quais foi o da reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) para o Estado moçambicano.
Discursando na ocasião, o Presidente da República, Armando Guebuza, disse que a visita de José Sócrates é um sinal de apoio de Portugal aos esforços que estão sendo feitos para reforçar as nossas relações bilaterais e à agenda nacional de luta contra a pobreza.

Disse, igualmente, que os acordos assinados formalizam actividades que vão contribuir em grande medida para o alcance dos objectivos que o país persegue.

A introdução de cimeiras anuais entre os dois países foi objecto de um dos oito acordos rubricados na manhã de ontem em Maputo no final das conversações realizadas no quadro da visita que o chefe do Governo português efectua ao país, a convite do Presidente da República, Armando Guebuza. Os documentos deste acordo foram assinados pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi, e pelo Ministro português do Estado e Negócios Estrangeiros, Luís Amado, figuras que também selaram o memorando de entendimento em matéria de actuação imediata na área das alterações climáticas.

Na mesma ocasião, que marcou o ponto mais alto do primeiro dia da visita do governante português a Moçambique, foram igualmente assinados acordos de cooperação técnico-militar para o período 2010/2013, sobre o aditamento do acordo tripartido da linha de crédito concessional, além de um protocolo no domínio da energia.

Com o testemunho presencial de Armando Guebuza e de José Sócrates foram ainda assinados documentos relativos ao memorando no domínio dos transportes e das bibliotecas escolares, actos nos quais o Governo moçambicano foi representado por membros do Executivo responsáveis pelos respectivos pelouros, à excepção do último assinado pela Vice-Ministra da Educação, Leda Hugo.

Segundo o chefe do Estado, Moçambique tem consciência de que apesar de ter um ambiente que favorece sobremaneira o investimento estrangeiro, a contribuição de Portugal está a fazer e vai continuar a fazer diferença nos tempos que vêm.

“Gostaria de garantir que, da parte moçambicana, encontrarão sempre todas as condições para se reforçarem as nossas relações bilaterais e para o aproveitamento de cada oportunidade que se coloca para vencermos as dificuldades que ainda enfrentamos”, disse.

Por seu turno, José Sócrates disse que a delegação que encabeça traz na bagagem uma ambição que é de impulsionar as relações políticas e económicas entre Moçambique e Portugal, considerando que este é o momento ideal para os dois países avançarem nessa direcção.

Acrescentou que nos últimos quatro anos as relações políticas, diplomáticas e económicas entre Moçambique e Portugal melhoraram significativamente, que durante esse tempo Moçambique vendeu sempre mais para Portugal e vice-versa.

O Primeiro-Ministro português destacou a criação do Banco luso-moçambicano de Investimento, cuja constituição foi formalizada ainda ontem no âmbito desta visita, instituição que resulta de uma parceria entre a Caixa Geral de Depósitos - o Banco do Estado Português - e o Tesouro moçambicano, num esforço que tem em vista viabilizar o financiamento de projectos estruturais para o desenvolvimento de Moçambique.

Ainda ontem, José Sócrates foi recebido em audiência pela Presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, devendo seguir, esta manhã, para a vila do Songo, para uma visita à Hidroeléctrica de Cahora Bassa. Ao fim da tarde, no regresso da província de Tete, José Sócrates vai participar, com o presidente Armando Guebuza, no encerramento do seminário empresarial que inicia esta manhã na capital do país.

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