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Electrificação aviva esforços de desenvolvimento de Zumbo

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O distrito de Zumbo, no extremo oeste de Tete, encontra-se já na rota de desenvolvimento socioeconómico, uma vez acreditar-se que foi eliminado, há dias, um dos grandes obstáculos para tal – a falta de energia eléctrica – com a entrada em funcionamento de uma linha que fornece a corrente a partir de Luangwa, na Zâmbia.
A linha que canaliza energia eléctrica a Zumbo, o ponto mais a oeste do país, é propriedade da Electricidade de Moçambique (EDM) e esteve em construção desde finais de Outubro do ano passado, tendo as obras durado cerca de três meses. Os trabalhos de electrificação consistiram, fundamentalmente, na montagem de uma linha de transmissão ligando a central a diesel de Luangwa e Zumbo, num troço de 14 quilómetros, estando a energia disponível 21 horas por dia, dada a interrupção entre as 12 e 15 horas. As obras foram efectuadas pela Siemens e custaram cerca de um milhão e setecentos mil dólares norte-americanos, segundo dados da EDM.  

A opção por Zâmbia foi a melhor alternativa encontrada, considerando que Zumbo encontra-se a mais de 500km da cidade de Tete e acima de 400km da sede do distrito de Chiúta, Manje, onde se encontra a subestação mais próxima que fornece energia da rede eléctrica nacional.

Com a electrificação de Zumbo, facto há anos esperado pela população, todas as sedes distritais de Tete passam a receber corrente eléctrica da EDM, embora este último ponto tenha o recurso a partir da Zâmbia.

Nesse sentido, a chegada da corrente eléctrica àquele distrito figura como o ponto mais alto do projecto de electrificação da província de Tete, que segundo informações da EDM arrancou em 2007 e foi financiado pelo Governo e pela União Europeia em mais de 34 milhões de dólares norte-americanos e cerca de sete milhões e duzentos mil euros, respectivamente.

Antes, em Dezembro de 2008, foram ligadas as sedes distritais de Mágoe, Tsangano e Chiúta. A sede distrital de Marávia, Fingoé, foi ligada em Fevereiro de 2009 e a de Macanga, Furancungo, em Março também do ano passado, de acordo com a EDM.

Ao que a nossa Reportagem testemunhou semana finda, actualmente,  milhares de residentes de Zumbo estão em festa e incentivados para investir na melhoria das suas condições de vida através da construção de habitações em material convencional, condição indispensável para a obtenção da energia eléctrica e da aquisição de electrodomésticos, destacando-se televisores e congeladores.
Mais ainda, os habitantes da vila-sede têm mais água potável, passando das

anteriores três horas de disponibilização para oito ou 10. Paralelamente a isso, as autoridades distritais já garantem a introdução do curso nocturno, o que permitirá que os funcionários possam continuar a estudar.

Ultrapassada a questão de falta deenergia eléctrica, os habitantes e as autoridades daquele ponto recôndito de Tete viram as suas atenções para o grande problema que lhes resta – o isolamento geográfico – que deverá ser eliminado por via da construção de uma estrada a ligar Zumbo e Fingoé.

Até ao momento, a ligação cidade de Tete/Zumbo, com pouco mais de 500 quilómetros, é apenas possível via Zâmbia, sendo que para além da longa demora que, inexplicavelmente, se verifica para cruzar a fronteira comum Cassacatiza/Chanida, o percurso é de quase 700 quilómetros, havendo ainda o inconveniente de apenas atravessar-se a zona de confluência dos rios Zambeze e Aruângua para reentrar no país de barco.
Manuel António Creofas


RESIDENTES EM FESTA

OS habitantes da vila-sede de Zumbo, entre cidadãos comuns, agentes económicos e autoridades, enumeram uma série de benefícios da chegada de energia eléctrica, destacando que a vida melhorou significativamente desde o pretérito 16 de Fevereiro, data da entrada em funcionamento da linha. Os nossos entrevistados foram unânimes em garantir que a vila-sede vai a partir de agora conhecer um desenvolvimento socioeconómico assinalável.

Manuel António Creofas, um dos entrevistados pelo “Notícias”, disse que “a energia traz boas coisas. Antes bebíamos refrescos e água quente, mas agora temos a oportunidade de refrigerar estes produtos. Até há bem pouco tempo, não podíamos comprar muita carne nem peixe de uma só vez porque apodrecia, mas agora que temos energia quase durante todo o dia passaremos a congelar. Estou muito satisfeito por esta energia. Sempre chorávamos pela falta de energia e finalmente chegou. Gostaríamos de, no futuro, uma produzida no nosso país e não esta da Zâmbia”.

Para Inácio da Meia Júnior, outro residente da vila-sede de Zumbo, há anos que se falava da electrificação da região, mas nunca mais se efectivava por razões diversas. Contudo, “finalmente já a temos. A nossa vida mudou muito. Agora também consumimos produtos gelados e temos a facilidade de assistir a televisão”.           

Agora que o problema de energia eléctrica está ultrapassado, Inácio Júnior apela às autoridades para que ataquem a questão das estradas que os liga a outros distritos com vista a pôr fim ao actual martírio de, por exemplo, levar três dias para sair do Zumbo para a vila-sede de Cahora Bassa, Songo.

Arnaldo Andrade Tefula, um dos quadros da APRODES, um projecto de abastecimento de água a Zumbo, também mostrou-se satisfeito pela electrificação da vila-sede, explicando que um dos grandes resultados é o aumento das horas de disponibilização do precioso líquido aos residentes.

“Com energia temos mais água. Antes bombeávamos e distribuímos a água durante apenas três horas, mas agora passamos para oito a 10 horas”.

Aquele técnico acrescentou que “a melhoria no nosso trabalho é apenas um exemplo das mudanças positivas que esta electrificação está a trazer ao Zumbo. Há uma série de outras que ocorreram com a chegada da energia eléctrica”.
A linha de transporte de energia vista do lado zambiano (J. Chissano)


A VIDA ERA DIFÍCIL SEM ENERGIA
 
Antes da electrificação de Zumbo a vida decorria sob inúmeras e intensas dificuldades, de acordo com Luís Alho Jeque, director dos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas.

Olhando para o curto tempo que vai desde que aquela divisão administrativa tinha energia eléctrica apenas algumas horas por mês e agora que dispõe dela quase todo o dia (21 horas), aquele dirigente disse que “a electrificação trouxe-nos enormes benefícios em diversos sectores da vida social”.

De acordo com Luís Jeque, com a chegada da energia da EDM a vila-sede de Zumbo e arredores passaram a dispor de mais água, uma vez que o seu bombeamento do rio, tratamento e canalização já não dependem da disponibilidade de diesel no distrito.

Dados avançados à nossa Reportagem indicam que actualmente a energia chega a 52 clientes, entre residências, instituições governamentais e comerciais, e há 33 pedidos, cuja ligação será brevemente efectuada.  

Neste momento, decorre a extensão da rede de baixa tensão e a instalação de candeeiros de iluminação pública em vários pontos da vila-sede.

“A vida estava difícil. Bebíamos tudo quente. Havia luz apenas quando tivéssemos diesel, o que era poucas vezes devido à distância com a cidade de Tete. A maior parte do ano,  a vila ficava às escuras”, disse aquele director, acrescentando que “a electrificação pela EDM foi uma grande vitória”.

Ao que soubemos do director dos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas, as escolas daquele ponto de Tete não oferecem curso nocturno, mas agora vai introduzir-se aquele regime de ensino, facto que beneficiará os residentes, particularmente os que trabalham de dia.
António de Sousa


ENERGIA SÓ CHEGARÁ A CASAS MELHORADAS - CONDICIONA ADMINISTRADOR DISTRITAL

O administrador distrital de Zumbo, Fernando de Sousa, disse que a electrificação é recebida com muita satisfação, enfatizando que a “população está satisfeita”, mas explicou que actualmente e numa primeira fase as ligações só serão feitas para os residentes que tiverem casas feitas de material convencional.

“Dada essa condição que impusemos, as pessoas estão agora a comprar chapas de zinco para construir casas melhoradas de modo a terem energia eléctrica. A estratégia visa permitir que as pessoas elevem as suas condições habitacionais”, disse.

Segundo a leitura do nosso interlocutor, a estratégia de condicionar o acesso ao tipo de infra-estruturas está a resultar na medida em que a população se mostra empenhada em construir.

De facto, o governante, que falava num “briefing” com jornalistas que semana finda escalaram aquele ponto de Tete para ver “in loco” o impacto da electrificação, disse que, paralelamente, a novas construções em curso verifica-se também uma corrida à compra de electrodomésticos na vizinha Zâmbia.

Fora das novas construções e da aquisição de electrodomésticos, o administrador apontou ainda que a energia melhorou significativamente e oferta de água da rede pública e abre portas para a introdução do curso nocturno, para além de uma série de outros ganhos para aquele distrito recôndito de Tete.       
 

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