Sexta, 05 Fevereiro 2010 09:35
Em Dezembro de 2006, o sistema bancário era composto por 12 bancos com 228 agências: 6 cooperativas de crédito com 11 agências; e 57 operadores de micro crédito. No que respeita a distribuição das agências, 45.18 por cento das agências de bancos estavam localizados ma cidade de Maputo. Os serviços de ATM e POS também se encontravam concentrados em Maputo (província e cidade), representando 57.6 por cento e 68.8 por cento respectivamente, do total nacional. Para reverter este cenário foi identificado em Janeiro de 2007, na província de Nampula, aquando da realização do XXXI Conselho Consultivo do Banco de Moçambique, um conjunto de medidas de natureza interdisciplinar que deveriam ser implementadas pelo Banco de Moçambique (BM), o Governo e por outras entidades, de modo a incentivar a extensão dos serviços financeiros às zonas rurais.Entretanto, um estudo recentemente apresentado pelo Departamento de Supervisão Bancária do BM, reconhece que houve avanços no processo da bancarização da economia nacional e que a ausência de infra-estruturas de energia e telecomunicações, principalmente, dificultam a implementação do projecto.
Pedro Munhaque, afecto ao Departamento de Supervisão Bancária do BM, explicou que o sistema moçambicano é caracterizado pela existência de assimetrias na distribuição das representações das instituições bancárias (sedes e agências), estando concentradas nas capitais provinciais, com maior destaque para a cidade de Maputo, o que faz com que o mesmo não seja abra gente. Agrava o facto de maior parte das instituições estar virada para o segmento da população de renda média a alta e o sector de micro finanças ser pouco desenvolvido.
De acordo com a fonte, esta situação tem constituído uma das principais preocupações das autoridades financeiras moçambicanas e da sociedade em geral, dada a importância da intermediação financeira no processo de crescimento e desenvolvimento económico.
Apresentando um documento que serviu de referência para o debate do tema “O papel das infra-estruturas na promoção do desenvolvimento económico e na implantação do sector e serviços financeiros”, no âmbito do XXXIV Conselho Consultivo do BM recentemente realizado em Maputo, Pedro Munhaque, afirmou terem sido tomadas medidas, no que respeita a criação e manutenção de infra-estruturas básicas, nomeadamente estradas, pontes, comunicações, electricidade e água, condições tidas como determinantes para o alcance dos objectivos da extensão dos serviços financeiros às zonas rurais.
“As medidas acima referidas, tendentes a impulsionar o processo de bancarização da economia e extensão dos serviços financeiros às zonas rurais, tiveram impacto positivo a avaliar pelo aumento considerável do número de instituições, algumas das quais no segmento das micro finanças e a expansão de agências de bancos para as zonas rurais”, afirmou Munhaque.
De Janeiro de 2007 a Dezembro de 2009 foram autorizados 5 pedidos de constituição de bancos, dois já estão a operar; 10 pedidos de constituição de micro bancos – 3 já estão a operar; uma instituição de moeda electrónica e duas cooperativas de crédito. Foram ainda inscritos 9 organizações de poupança e empréstimo e 57 operadores de micro crédito.
As duas cooperativas de crédito recentemente autorizadas serão as primeiras a operar na região norte do país, tendo como particularidade o facto de serem constituídas por mulheres, o que demonstra a inserção da mulher, em particular a de renda baixa e média, no sistema financeiro.
Refira-se que do total de instituições autorizadas, 2 (um banco e três micro bancos) tiveram as suas autorizações caducadas na sequência do decurso do prazo de constituição e/ou início da actividade , e dez ainda não iniciaram a actividade.
AGÊNCIAS
A fonte acrescentou que durante os últimos três anos foi autorizada a abertura de 174 novas agências de bancos em todas as províncias e duas agência de cooperativas de crédito (em Boane e na cidade de Chimoio), elevando para 401 o número de agências de bancos e para 14, o número de agências de cooperativas de crédito autorizados a 31 de Dezembro de 2009.
Destacou que a cidade de Maputo tem sido a preferida para a cobertura de agências, entretanto, durante o período em análise, o somatório das agências autorizadas e abrir noutros locais do país é superior, com tendência crescente, correspondendo a 56,5, 67,1 e 79,3 por cento do total das agências autorizadas em 2007, 2008 e 2009, respectivamente.
De 1 de Janeiro de 2007 a 31 de Dezembro de 2009, 124 novas agências de bancos foram abertas ao público em diversos locais do país, totalizando 352 o número de agências bancárias em funcionamento, o que representa um crescimento de 54,38 por cento em relação ao número de agências de bancos em actividade a 31 de Dezembro de 2006. um dado a destacar é o facto de duas agências abertas serem móveis, cobrindo seis distritos das províncias de Sofala, Manica e Zambézia.
Em termos de distribuição da rede bancária, a 31 de Dezembro de 2006, 45,18 por cento das agências dos bancos estavam localizados na cidade de Maputo, verificando-se, com o aumento de agências de bancos abertos fora da cidade de Maputo nos últimos anos, tendência de redução da assimetria na distribuição das agências.
“No processo de expansão dos serviços financeiros às zonas rurais é visível a tendência de alguns bancos se adaptarem às características e especificidades do meio rural. Existem vários exemplos de abertura de agências em instalações menos onerosas e de dimensões reduzidas; pré-fabricadas ou em contentores”, disse.
Acrescentou que há também casos de bancos que, para estarem presentes em alguns distritos onde não haja agências fixas, abram-se agências móveis operadas por meio de veículos automóveis especificamente preparadas para o efeito, resultando numa maior cobertura geográfica e na redução de custos operativos.
“Ainda no âmbito da inovação, estão em curso várias acções tendentes à introdução de produtos e serviços prioritariamente desenhados para as zonas rurais, como é o caso da banca via celular, dos ATM’s móveis e ATM’s que funcionam com impressões digitais”, realçou.
NO PRESENTE QUINQUÉNIO TODOS DISTRITOS ESTARÃO ILUMINADOS
Em Dezembro de 2006 existiam 59 distritos ligados a rede de energia eléctrica nacional. De Janeiro de 2007 a Dezembro de 2009, 28 distritos foram ligados a rede totalizado 87, o número de distritos com energia eléctrica a 31/12/2009.
Manuel Machiane, afirmou que a sua empresa está a injectar recursos financeiros que prevêem o investimento, até ao ano de 2017, de mil milhões de dólares norte-americanos. A fonte acrescentou tratar-se de uma oportunidade para o sector financeiro investir na construção destas infra-estruturas.
“Dentro da estratégia da produção é necessário aumentarmos a participação da empresa EDM na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). Há uma contínua demanda de energia, sendo por isso, importante aumentarmos esta participação”, disse.
Entre os desafios que se colocam para melhorar o fornecimento de energia eléctrica, Manuel Machiane, disse ser necessário reabilitar e modernizar as centrais de Mavuze-Chicamba; converter-se as centrais térmicas de Maputo para gás natural, pois são centrais térmicas a carvão.
“Temos que desenvolver novas fontes de produção, a centrais de Temane, Alto Malema e Massingir e Coroma; desenvolvermos as centrais de produção de larga escala em Moamba, Cahora Bassa Norte, Mphanda’Nkuwa, Moatize e Pemba”, disse.
O administrador da EDM, disse que para escoar a energia que vai ser produzida nessas centrais é necessário reforçar a rede de transportes.
“É necessário construir a espinha dorsal no interior do país, que é uma linha que irá sair da zona de produção de Moatize (Cahora Bassa Norte) e vai até Maputo. Isto é para garantir o escoamento da energia produzida”, afirmou.
As estatísticas de produção da HCB do ano passado e de 2008, referem que a energia produzida pela companhia foi de 13.200 Gigawatts, das quais 65 por cento foi exportada para a empresa sul africana Eskom (8.585 Gigawatts). Para a EDM coube 20 por cento (2.658 Gigawatts) e para a zimbabweana ZESA foi 12 por cento (1.690 Gigawatts). A empresa de Electricidade do Botswana consumiu 12 por cento da energia produzida pela HCB.
“Conforme se vê, a maior parte da energia produzida vai para a África do Sul. Comparando os anos 2007 e 2008, houve um declínio das vendas da HCB devido a reabilitação da Subestação de Apolo na África do Sul, originada pelo deficiente sistema de transmissão do Zimbabwe, via utilizada para o escoamento da energia para a África do Sul e Botswana.
Manuel Machiane, avançou que “uma boa infra-estrutura de transporte é preponderante para escoarmos a energia que vai ser produzida nesta zona.
“Sem a infra-estrutura de transporte, mesmo produzindo a energia vamos ter dificuldades para comercializar e utilizar esta energia”, afirmou.
A fonte falou igualmente sobre a operação da empresa MOTRACO, uma ‘joint venture’ entre a EDM, ESKOM e a empresa da Suazilândia, cada empresa com 32 por cento, e vocacionada ao fornecimento de energia eléctrica.
“Queremos tomar as rédeas da empresa. Isto é, MOTRACO tem que passar a ser operada pela EDM”, disse.
O administrador da EDM, que falava recentemente em Maputo, durante a realização do XXXIV Conselho Consultivo do BM, disse terem sido tomadas medidas tendentes a impulsionar o desenvolvimento da rede de energia eléctrica.
Frisou que no âmbito da visão e pilares da estratégia do Plano de Acção para a Redução da Pobreza (PARPA), o Plano Estratégico da EDM dá ênfase ao pilar do desenvolvimento económico concentrando-se nas condições básicas da actividade produtiva, com a melhoria das infra-estruturas, progresso da produtividade na agricultura e dos sectores a ela ligados.
“O plano estratégico da EDM, no seu pormenor, visou criar as condições necessárias para o desenvolvimento de actividades de produção e comercialização a nível dos distritos e localidades, assim sendo o plano determina, entre outras, a priorização dos investimentos na massificação dos programas de electrificação rural”, destacou.
Pedro Machiane, disse que a EDM apontou algumas orientações estratégicas que incluem o alargamento do acesso da população à energia eléctrica, em particular nas zonas rurais e periurbanas através da extensão da rede eléctrica da empresa.
“Pretendemos também garantir uma melhor qualidade e fiabilidade no fornecimento de energia eléctrica e prestação do serviço ao cliente a todos os níveis de intervenção; melhorar a eficiência de gestão e operação dos sistemas eléctricos focalizando a redução dos custos de gestão, operação e das perdas de energia; garantir o aumento da capacidade de produção própria, por via da reabilitação dos sistemas de produção hídrica, bem como através da promoção de novos centros produtores”, afirmou.
Outra aposta da EDM é assegurar o incremento da reserva de capacidade de energia da Cahora Bassa e nos novos mega-projectos de produção de energia; prosseguir, a nível da região, a participação no desenvolvimento sectorial através da Southern African Power Pool (SAPP); e implementar de forma acelerada e com rigor a política estratégica de HIV/SIDA.
VODACOM : NOVOS SERVIÇOS SERÃO INTRODUZIDOS
Durante os últimos três anos (2007-2009) o número de distritos cobertos pela rede de telefonia fixa passou de 62 para 102. em relação as telecomunicações móveis, em Dezembro de 2006, as redes das empresas que operavam no ramo cobriam 53 distritos dos 128 existentes no país. De 2007 para 2009, 50 novos distritos foram ligados às redes de telecomunicações móveis, totalizando 103 distritos a 31 de Dezembro 2009.O presidente do conselho de administração da Vodacom Moçambique, Salimo Abdula, reconheceu a importância destes serviços no processo da bancarização da economia nacional e reafirmou o compromisso da sua empresa com vista ao alcance desse objectivo.
O PRESIDENTE do Conselho de administração da empresa de telefonia móvel Vodacom Moçambique, Salimo Abdula, disse estar em curso um estudo de viabilidade para a introdução no país, de Serviços Financeiros Móveis (SFM). Trata-se de uma convergência entre as comunicações móveis e a indústria de serviços financeiros.
Abdula, explicou que são serviços que estão a ser amplamente expandidos em diversos mercados, tanto em países em desenvolvimento como nos desenvolvidos e que têm contribuído significativamente para a resolução de diversos desafios socio-económicos de base.
Frisou ainda que os SFM são importantes para as economias em desenvolvimento porque abordam a questão da inclusão financeira; criam um catalisador para o crescimento e desenvolvimento económicos; e permitem um acesso ímpar a serviços financeiros básicos, a custo baixo, devido à vasta disponibilidade, acessibilidade e uso dos serviços de comunicação móvel.
“Alguns benefícios dos SFM integram a inclusão financeira acessível e a baixo custo para os segmentos da sociedade tradicionalmente privados de serviços financeiros; aborda os requisitos para a inclusão financeira como um estímulo para o crescimento e o desenvolvimento económicos; e auxilia na implementação dos requisitos de anti-lavagem de dinheiro das autoridades reguladoras”, avançou.
Salimo Abdula, afirmou ainda que o prestador de serviços principais é a Empresa Operadora dos SFM, que poderá ser o operador móvel ou uma entidade distinta registada para oferecer este tipo de serviços. A empresa operadora dos SFM é igualmente responsável pela facturação, serviço ao cliente, marketing, gestão dos agentes e gestão em termos de regulação.
Os subscritores são geralmente subscritores da rede móvel, mas os usuários institucionais também estão aqui considerados. Estes podem incluir empresas de segurança social, fornecedores de serviços de utilidade pública e outros fornecedores de serviços ou organizações que pretendam incluir os SFM como parte dos seus modelos de negócio.
Os SFM têm aplicações na recepção, entradas e levantamento de dinheiro; transferências para o exterior; venda de crédito (serviços pré-pagos); pagamento de contas; e transferências domésticas.
“Todavia, actualmente, não existe um quadro legal que estabeleça os requisitos, procedimentos e obrigações aplicáveis às operadoras de SFM em específico. Urge regulamentar esta matéria tão pertinente nos mercados emergentes”, disse.
SALVADOR ADRIANO, PCA DA MCEL : CRESCIMENTO DA TELEFONIA É ESPANTOSO
O PRESIDENTE do conselho de administração da empresa pública mcel, comparticipada pela empresa TDM e o IGEPE, Salvador Adriano, disse que o continente africano regista um espantoso crescimento da telefonia móvel, que traz com ele, a oportunidade de ir a frente da tecnologia e oferecer serviços financeiros como um meio viável de operação bancária aos “sem-banco” (unbaked)
“Este potencial já foi comprovado em mercados como o Quénia e a África do Sul, onde muitos factores atribuídos ao sucesso dessas iniciativas podem ser encontradas em Moçambique”, disse Adriano.
Sobre o potencial impacto dos Serviços Financeiros Móveis (SFM) em Moçambique, Salvador Adriano frisou que com mais 60 por cento da população do país vivendo em zonas rurais, a maioria não têm acesso a serviços financeiros. Instituições não bancárias, incluindo mcel, têm um grande agente nacional ou rede de retalho que pode ser aproveitado para atingir cerca de seis milhões de pessoas.
“Além disso, operadoras de telefonia móvel bem estabelecidos, tais como a mcel, podem facilitar o aumento da penetração da telefonia move. Numerosos estudos têm demonstrado que um aumento de 10 por cento na penetração da telefonia móvel pode aumentar em um por cento do PIB – aproximadamente 200 milhões de dólares norte-americanos para Moçambique”.
Acrescentou que a contratação de agentes por instituições não-bancários para prestação de serviços financeiros pode ser uma nova e importante de criação de emprego em Moçambique.
“Por exemplo, nas Filipinas, os dois operadores móveis dominantes, têm ajudado a criar mais de 1.5 milhões de empreendedores que estão envolvidos na venda de crédito e facilidade de serviços financeiros móveis”, afirmou.
Pedro Munhaque, afecto ao Departamento de Supervisão Bancária do BM, explicou que o sistema moçambicano é caracterizado pela existência de assimetrias na distribuição das representações das instituições bancárias (sedes e agências), estando concentradas nas capitais provinciais, com maior destaque para a cidade de Maputo, o que faz com que o mesmo não seja abra gente. Agrava o facto de maior parte das instituições estar virada para o segmento da população de renda média a alta e o sector de micro finanças ser pouco desenvolvido.
De acordo com a fonte, esta situação tem constituído uma das principais preocupações das autoridades financeiras moçambicanas e da sociedade em geral, dada a importância da intermediação financeira no processo de crescimento e desenvolvimento económico.
Apresentando um documento que serviu de referência para o debate do tema “O papel das infra-estruturas na promoção do desenvolvimento económico e na implantação do sector e serviços financeiros”, no âmbito do XXXIV Conselho Consultivo do BM recentemente realizado em Maputo, Pedro Munhaque, afirmou terem sido tomadas medidas, no que respeita a criação e manutenção de infra-estruturas básicas, nomeadamente estradas, pontes, comunicações, electricidade e água, condições tidas como determinantes para o alcance dos objectivos da extensão dos serviços financeiros às zonas rurais.
“As medidas acima referidas, tendentes a impulsionar o processo de bancarização da economia e extensão dos serviços financeiros às zonas rurais, tiveram impacto positivo a avaliar pelo aumento considerável do número de instituições, algumas das quais no segmento das micro finanças e a expansão de agências de bancos para as zonas rurais”, afirmou Munhaque.
De Janeiro de 2007 a Dezembro de 2009 foram autorizados 5 pedidos de constituição de bancos, dois já estão a operar; 10 pedidos de constituição de micro bancos – 3 já estão a operar; uma instituição de moeda electrónica e duas cooperativas de crédito. Foram ainda inscritos 9 organizações de poupança e empréstimo e 57 operadores de micro crédito.
As duas cooperativas de crédito recentemente autorizadas serão as primeiras a operar na região norte do país, tendo como particularidade o facto de serem constituídas por mulheres, o que demonstra a inserção da mulher, em particular a de renda baixa e média, no sistema financeiro.
Refira-se que do total de instituições autorizadas, 2 (um banco e três micro bancos) tiveram as suas autorizações caducadas na sequência do decurso do prazo de constituição e/ou início da actividade , e dez ainda não iniciaram a actividade.
AGÊNCIAS
A fonte acrescentou que durante os últimos três anos foi autorizada a abertura de 174 novas agências de bancos em todas as províncias e duas agência de cooperativas de crédito (em Boane e na cidade de Chimoio), elevando para 401 o número de agências de bancos e para 14, o número de agências de cooperativas de crédito autorizados a 31 de Dezembro de 2009.
Destacou que a cidade de Maputo tem sido a preferida para a cobertura de agências, entretanto, durante o período em análise, o somatório das agências autorizadas e abrir noutros locais do país é superior, com tendência crescente, correspondendo a 56,5, 67,1 e 79,3 por cento do total das agências autorizadas em 2007, 2008 e 2009, respectivamente.
De 1 de Janeiro de 2007 a 31 de Dezembro de 2009, 124 novas agências de bancos foram abertas ao público em diversos locais do país, totalizando 352 o número de agências bancárias em funcionamento, o que representa um crescimento de 54,38 por cento em relação ao número de agências de bancos em actividade a 31 de Dezembro de 2006. um dado a destacar é o facto de duas agências abertas serem móveis, cobrindo seis distritos das províncias de Sofala, Manica e Zambézia.
Em termos de distribuição da rede bancária, a 31 de Dezembro de 2006, 45,18 por cento das agências dos bancos estavam localizados na cidade de Maputo, verificando-se, com o aumento de agências de bancos abertos fora da cidade de Maputo nos últimos anos, tendência de redução da assimetria na distribuição das agências.
“No processo de expansão dos serviços financeiros às zonas rurais é visível a tendência de alguns bancos se adaptarem às características e especificidades do meio rural. Existem vários exemplos de abertura de agências em instalações menos onerosas e de dimensões reduzidas; pré-fabricadas ou em contentores”, disse.
Acrescentou que há também casos de bancos que, para estarem presentes em alguns distritos onde não haja agências fixas, abram-se agências móveis operadas por meio de veículos automóveis especificamente preparadas para o efeito, resultando numa maior cobertura geográfica e na redução de custos operativos.
“Ainda no âmbito da inovação, estão em curso várias acções tendentes à introdução de produtos e serviços prioritariamente desenhados para as zonas rurais, como é o caso da banca via celular, dos ATM’s móveis e ATM’s que funcionam com impressões digitais”, realçou.
NO PRESENTE QUINQUÉNIO TODOS DISTRITOS ESTARÃO ILUMINADOS
Em Dezembro de 2006 existiam 59 distritos ligados a rede de energia eléctrica nacional. De Janeiro de 2007 a Dezembro de 2009, 28 distritos foram ligados a rede totalizado 87, o número de distritos com energia eléctrica a 31/12/2009.
Manuel Machiane, afirmou que a sua empresa está a injectar recursos financeiros que prevêem o investimento, até ao ano de 2017, de mil milhões de dólares norte-americanos. A fonte acrescentou tratar-se de uma oportunidade para o sector financeiro investir na construção destas infra-estruturas.
“Dentro da estratégia da produção é necessário aumentarmos a participação da empresa EDM na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). Há uma contínua demanda de energia, sendo por isso, importante aumentarmos esta participação”, disse.
Entre os desafios que se colocam para melhorar o fornecimento de energia eléctrica, Manuel Machiane, disse ser necessário reabilitar e modernizar as centrais de Mavuze-Chicamba; converter-se as centrais térmicas de Maputo para gás natural, pois são centrais térmicas a carvão.
“Temos que desenvolver novas fontes de produção, a centrais de Temane, Alto Malema e Massingir e Coroma; desenvolvermos as centrais de produção de larga escala em Moamba, Cahora Bassa Norte, Mphanda’Nkuwa, Moatize e Pemba”, disse.
O administrador da EDM, disse que para escoar a energia que vai ser produzida nessas centrais é necessário reforçar a rede de transportes.
“É necessário construir a espinha dorsal no interior do país, que é uma linha que irá sair da zona de produção de Moatize (Cahora Bassa Norte) e vai até Maputo. Isto é para garantir o escoamento da energia produzida”, afirmou.
As estatísticas de produção da HCB do ano passado e de 2008, referem que a energia produzida pela companhia foi de 13.200 Gigawatts, das quais 65 por cento foi exportada para a empresa sul africana Eskom (8.585 Gigawatts). Para a EDM coube 20 por cento (2.658 Gigawatts) e para a zimbabweana ZESA foi 12 por cento (1.690 Gigawatts). A empresa de Electricidade do Botswana consumiu 12 por cento da energia produzida pela HCB.
“Conforme se vê, a maior parte da energia produzida vai para a África do Sul. Comparando os anos 2007 e 2008, houve um declínio das vendas da HCB devido a reabilitação da Subestação de Apolo na África do Sul, originada pelo deficiente sistema de transmissão do Zimbabwe, via utilizada para o escoamento da energia para a África do Sul e Botswana.
Manuel Machiane, avançou que “uma boa infra-estrutura de transporte é preponderante para escoarmos a energia que vai ser produzida nesta zona.
“Sem a infra-estrutura de transporte, mesmo produzindo a energia vamos ter dificuldades para comercializar e utilizar esta energia”, afirmou.
A fonte falou igualmente sobre a operação da empresa MOTRACO, uma ‘joint venture’ entre a EDM, ESKOM e a empresa da Suazilândia, cada empresa com 32 por cento, e vocacionada ao fornecimento de energia eléctrica.
“Queremos tomar as rédeas da empresa. Isto é, MOTRACO tem que passar a ser operada pela EDM”, disse.
O administrador da EDM, que falava recentemente em Maputo, durante a realização do XXXIV Conselho Consultivo do BM, disse terem sido tomadas medidas tendentes a impulsionar o desenvolvimento da rede de energia eléctrica.
Frisou que no âmbito da visão e pilares da estratégia do Plano de Acção para a Redução da Pobreza (PARPA), o Plano Estratégico da EDM dá ênfase ao pilar do desenvolvimento económico concentrando-se nas condições básicas da actividade produtiva, com a melhoria das infra-estruturas, progresso da produtividade na agricultura e dos sectores a ela ligados.
“O plano estratégico da EDM, no seu pormenor, visou criar as condições necessárias para o desenvolvimento de actividades de produção e comercialização a nível dos distritos e localidades, assim sendo o plano determina, entre outras, a priorização dos investimentos na massificação dos programas de electrificação rural”, destacou.
Pedro Machiane, disse que a EDM apontou algumas orientações estratégicas que incluem o alargamento do acesso da população à energia eléctrica, em particular nas zonas rurais e periurbanas através da extensão da rede eléctrica da empresa.
“Pretendemos também garantir uma melhor qualidade e fiabilidade no fornecimento de energia eléctrica e prestação do serviço ao cliente a todos os níveis de intervenção; melhorar a eficiência de gestão e operação dos sistemas eléctricos focalizando a redução dos custos de gestão, operação e das perdas de energia; garantir o aumento da capacidade de produção própria, por via da reabilitação dos sistemas de produção hídrica, bem como através da promoção de novos centros produtores”, afirmou.
Outra aposta da EDM é assegurar o incremento da reserva de capacidade de energia da Cahora Bassa e nos novos mega-projectos de produção de energia; prosseguir, a nível da região, a participação no desenvolvimento sectorial através da Southern African Power Pool (SAPP); e implementar de forma acelerada e com rigor a política estratégica de HIV/SIDA.
VODACOM : NOVOS SERVIÇOS SERÃO INTRODUZIDOS
Durante os últimos três anos (2007-2009) o número de distritos cobertos pela rede de telefonia fixa passou de 62 para 102. em relação as telecomunicações móveis, em Dezembro de 2006, as redes das empresas que operavam no ramo cobriam 53 distritos dos 128 existentes no país. De 2007 para 2009, 50 novos distritos foram ligados às redes de telecomunicações móveis, totalizando 103 distritos a 31 de Dezembro 2009.O presidente do conselho de administração da Vodacom Moçambique, Salimo Abdula, reconheceu a importância destes serviços no processo da bancarização da economia nacional e reafirmou o compromisso da sua empresa com vista ao alcance desse objectivo.
O PRESIDENTE do Conselho de administração da empresa de telefonia móvel Vodacom Moçambique, Salimo Abdula, disse estar em curso um estudo de viabilidade para a introdução no país, de Serviços Financeiros Móveis (SFM). Trata-se de uma convergência entre as comunicações móveis e a indústria de serviços financeiros.
Abdula, explicou que são serviços que estão a ser amplamente expandidos em diversos mercados, tanto em países em desenvolvimento como nos desenvolvidos e que têm contribuído significativamente para a resolução de diversos desafios socio-económicos de base.
Frisou ainda que os SFM são importantes para as economias em desenvolvimento porque abordam a questão da inclusão financeira; criam um catalisador para o crescimento e desenvolvimento económicos; e permitem um acesso ímpar a serviços financeiros básicos, a custo baixo, devido à vasta disponibilidade, acessibilidade e uso dos serviços de comunicação móvel.
“Alguns benefícios dos SFM integram a inclusão financeira acessível e a baixo custo para os segmentos da sociedade tradicionalmente privados de serviços financeiros; aborda os requisitos para a inclusão financeira como um estímulo para o crescimento e o desenvolvimento económicos; e auxilia na implementação dos requisitos de anti-lavagem de dinheiro das autoridades reguladoras”, avançou.
Salimo Abdula, afirmou ainda que o prestador de serviços principais é a Empresa Operadora dos SFM, que poderá ser o operador móvel ou uma entidade distinta registada para oferecer este tipo de serviços. A empresa operadora dos SFM é igualmente responsável pela facturação, serviço ao cliente, marketing, gestão dos agentes e gestão em termos de regulação.
Os subscritores são geralmente subscritores da rede móvel, mas os usuários institucionais também estão aqui considerados. Estes podem incluir empresas de segurança social, fornecedores de serviços de utilidade pública e outros fornecedores de serviços ou organizações que pretendam incluir os SFM como parte dos seus modelos de negócio.
Os SFM têm aplicações na recepção, entradas e levantamento de dinheiro; transferências para o exterior; venda de crédito (serviços pré-pagos); pagamento de contas; e transferências domésticas.
“Todavia, actualmente, não existe um quadro legal que estabeleça os requisitos, procedimentos e obrigações aplicáveis às operadoras de SFM em específico. Urge regulamentar esta matéria tão pertinente nos mercados emergentes”, disse.
SALVADOR ADRIANO, PCA DA MCEL : CRESCIMENTO DA TELEFONIA É ESPANTOSO
O PRESIDENTE do conselho de administração da empresa pública mcel, comparticipada pela empresa TDM e o IGEPE, Salvador Adriano, disse que o continente africano regista um espantoso crescimento da telefonia móvel, que traz com ele, a oportunidade de ir a frente da tecnologia e oferecer serviços financeiros como um meio viável de operação bancária aos “sem-banco” (unbaked)
“Este potencial já foi comprovado em mercados como o Quénia e a África do Sul, onde muitos factores atribuídos ao sucesso dessas iniciativas podem ser encontradas em Moçambique”, disse Adriano.
Sobre o potencial impacto dos Serviços Financeiros Móveis (SFM) em Moçambique, Salvador Adriano frisou que com mais 60 por cento da população do país vivendo em zonas rurais, a maioria não têm acesso a serviços financeiros. Instituições não bancárias, incluindo mcel, têm um grande agente nacional ou rede de retalho que pode ser aproveitado para atingir cerca de seis milhões de pessoas.
“Além disso, operadoras de telefonia móvel bem estabelecidos, tais como a mcel, podem facilitar o aumento da penetração da telefonia move. Numerosos estudos têm demonstrado que um aumento de 10 por cento na penetração da telefonia móvel pode aumentar em um por cento do PIB – aproximadamente 200 milhões de dólares norte-americanos para Moçambique”.
Acrescentou que a contratação de agentes por instituições não-bancários para prestação de serviços financeiros pode ser uma nova e importante de criação de emprego em Moçambique.
“Por exemplo, nas Filipinas, os dois operadores móveis dominantes, têm ajudado a criar mais de 1.5 milhões de empreendedores que estão envolvidos na venda de crédito e facilidade de serviços financeiros móveis”, afirmou.





