ENTREVISTA - Artistas não estão organizados - constata ministro Armando Artur



Escrito por Jornal Noticias
Quarta, 03 Março 2010 07:38

Os artistas não estão organizados, o que tem dificultado a injecção de fundos em prol da promoção da arte. A constatação é do Ministro da Cultura, Armando Artur, após ter visitado algumas províncias do país, onde, para inverter o cenário, apelou aos visados para se associarem por forma que sejam interlocutores válidos na busca de apoios que possam solucionar os principais problemas que enfermam a classe.
Contudo, Armando Artur assegurou que o seu sector vai fazer uma viragem na promoção da arte durante o presente quinquénio, como forma de assegurar que a mesma seja o principal pilar para o desenvolvimento do nosso país, mesmo sabendo-se que o pelouro beneficia de menos de cinco por cento do valor destinado ao investimento no Orçamento do Estado, bem como o empresariado local não tem dado uma resposta cabal aos anseios dos fazedores da cultura.
O Ministro da Cultura reconheceu que os desafios impostos pela dinâmica actual são enormes, mas o seu sector tem uma estratégia desenhada para fazer face aos problemas dos fazeres da cultura que considerou de comuns em quase todo o país, destacando-se a falta de espaço e o fraco envolvimento das instituições de direito na promoção da arte ao nível de todo o país, sobretudo nas províncias e/ou nas zonas do interior.
Umas das estratégias encontrada pelo novo elenco do Ministério da Cultura no capitulo da promoção da arte foi o envolvimento dos próprios fazedores da arte na sugestão de formas que possam garantir o sucesso almejado.
Diante disso, o titular da pasta da Cultura revelou que detectou que os próprios artistas não estão organizados, daí que tem sido difícil a injecção de apoios aos visados tanto para o Executivo como para os parceiros de cooperação.
Com o efeito, disse ter apelado aos artistas em todos os encontros que manteve após a sua nomeação ao cargo de ministro para que se associassem, de modo a inverter o actual cenário que só prejudica aos fazedores da cultura.
Alem disso, o desconhecimento da Lei do Mecenato por parte do empresariado local pode ser um outro problema. Sendo assim, os artistas que já tiveram a oportunidade de dialogar com o novo Ministro da Cultura foram solicitados para que sejam eles mesmos a promover tal dispositivo legal, apontando as vantagens fiscais que a classe empresarial pode obter com o apoio as artes para que, no final, ambas partes saiam a ganhar e acima de tudo esta acção contribua para o desenvolvimento do país.
Artur reconheceu também que houve registo de alguns erros com a privatização de algumas infra-estruturas públicas, efectuada pelo Executivo. Para tal, os empreendimentos ainda existentes deverão beneficiar de trabalhos de reabilitação e haverá estudos pormenorizados para se encontrar formas de sua exploração sempre com objectivo de favorecer os verdadeiros fazedores da cultura.
“A cultura e pertença de quem a produz. Queremos portanto valorizar este produtor. E o envolvimento de todos vai permitir a resolução de problemas primários. Com isso, queremos dizer que todo o projecto de desenvolvimento não deve descorar a componente cultural porque a cultura de um país determina o modo de vida de produção e distribuição de riqueza desta mesma nação”, referiu Armando Artur.
Máquina remove entulho do que foi Kudeka
FALTOU DIÁLOGO NO CASO "KUDEKA"
Entretanto, Armando Artur, reconheceu que a destruição do Cine Kudeka, considerado de referência obrigatória na área cultural ao nível da cidade da Tete, para dar lugar a construção de um empreendimento hoteleiro, foi resultado da falta de diálogo entre diferentes intervenientes, com o Conselho Municipal local a ser apontado como sendo o “ Judas” da historia até então muito contestada pelos fazedores e amantes da arte um pouco por todo o país.
Artur afirmou que o sector da Cultura não foi solicitado para dar o seu pronunciamento em relação ao projecto. Caso tal tivesse acontecido, o ministro da Cultura deixou claro que o pelouro não concordaria com o posicionamento, mas reconheceu que a destruição do Kudeca não passou mais que o erro de percurso que podia muito bem ser evitado.
“Isso é normal porque aprendemos com os erros. Mas o mais importante ė identificar os erros e procurarmos melhorar”, disse o ministro que prometeu uma viragem na promoção cultural.
OBRAS DA CASA DE CULTURA DA BEIRA TERMINAM ESTE ANO
As obras de reabilitação da Casa Provincial de Cultura de Sofala, na Beira, que já registaram muitas interrupções sob alegação de problemas de desembolso de fundos por parte do Executivo, poderão terminar ainda este ano. O ministro Armando Artur disse a propósito que há uma nova dinâmica na busca de financiamento para colmatar o défice existente em termos de valor, uma vez que a empreitada esta avaliada em 25 milhões de meticais, contra um pouco mais de 10 milhões garantidos pelo Executivo e o bolo maior deste já foi consumido.
“As obras da Casa de Cultura da Beira vão terminar. Esta reabilitação é proveniente do esforço do Governo, pese embora haja dificuldades. Agora, esta sendo imprimida uma nova dinâmica na busca de financiamentos para a sua conclusão”, disse.
Reconheceu que a conclusão das obras, que segundo suas garantias deverão acontecer ainda este ano, vão dinamizar as artes ao nível da província de Sofala, no geral, e da cidade da Beira, em particular.
ARTUR DESCONHECE CASO TAM-TAM
Os contornos do caso Tam-Tam não são conhecidos pelo ministro, Armando Artur. Trata-se de uma galeria localizada no centro da cidade da Beira e que estava vocacionada a promoção do artesanato e escultura, mas agora não passa mais de uma loja de venda de vestuário e sapatos de origem nigeriana.
O titular do pelouro admitiu que a transformação da referida galeria para loja de vestuário e sapatos de origem nigeriana poderá ser mais um erro de percurso cometido por quem de direito, daí que o seu sector vai tratar de se inteirar sobre o assunto e tomar as devidas medidas em prol da promoção da arte.
O caso Tam- Tam já foi matéria de debate em muitos encontros entre o Executivo e os artistas, mas persistem duvidas a volta do assunto, sobretudo no que diz respeito as modalidades do pagamento das rendas mensais, sabendo-se apenas que a exploração daquele património do Estado esta sob alçada de um cidadão nigeriano.
Armando Artur foi muito cauteloso quando questionado se o Tam- Tam voltaria a servir os interesses dos escultores e artesãos ou não, reconhecendo apenas que o mais importante seria que o Governo assumisse o seu devido papel por forma a dar outro alento na promoção das artes.
Entretanto, desmentiu informações postas a circular na cidade da Beira que asseguram que o Cinema Vitoria passaria a ser gerida por um dos elementos da Companhia de Teatro Gungu, da cidade de Maputo. Garantiu, a propósito, que aquela instalações que até então estão a acolher a direcção da Casa de Cultura de Sofala, beneficiarão de uma reabilitação.
“Garanto que isso não corresponde a verdade. O Cine Vitoria pertence ao público e será reabilitado. Depois vamos repensar em termos do acesso as instalações”, afirmou.
MUITA PRODUÇÃO NÃO DIVULGADA
Após ter visitado o Centro de Investigação Cultural da Beira, ARPAC, Armando Artur percebeu que há muitas obras cientifico-culturais produzidas localmente que não divulgadas por falta de meios financeiros. Com o efeito, garantiu que o Executivo vai buscar soluções juntos de parceiros de cooperação, como forma deste produto passar a servir os interesses públicos, sobretudo nas universidades nacionais, cujas bibliotecas continuam a enfrentar serias dificuldades em termos de material.
Neste contexto, o empresariado nacional vai ser convidado para dinamizar a iniciativa, facto que poderá estimular os cérebros nacionais que dia e noite tem se dedicado na produção de muito trabalho cientifico- cultural, mesmo com escassos meios disponíveis.